Se 2025 ensinou algo, foi o seguinte: o mercado recompensa a convicção… até decidir punir sem aviso. O ano foi um desfile de operações que pareciam “fáceis”, viraram febre e, em muitos casos, desmoronaram tão rápido quanto subiram. Teve ouro batendo recorde, carry trade implodindo em minutos, euforia política mexendo com preços e até empresas tradicionais se comportando como ação meme.
A Bloomberg reuniu as posições mais chamativas do ano — não só os acertos, mas também os tombos que deixaram um recado claro para 2026: quando a narrativa é frágil e a alavancagem entra, a queda costuma ser cruel.
Por que 2025 virou o ano das apostas “tudo ou nada”
O pano de fundo misturou três ingredientes explosivos: mudanças políticas, liquidez buscando retorno e narrativas superlotadas. Muita gente entrou em operações que “funcionam até parar de funcionar”, como estratégias de carry trade e trades de momentum em cripto e ações de tecnologia.
O retorno de Donald Trump à Casa Branca foi combustível para várias teses. Em alguns momentos, os mercados caíram e depois se reanimaram, criando janelas perfeitas para especuladores acenderem manias. Só que, quando o financiamento secava ou o humor virava, o movimento era na mesma intensidade, só que para baixo.
Cripto “trumpada”: sobe no hype, cai na realidade
Uma das histórias mais barulhentas foi comprar qualquer ativo ligado à marca Trump. Teve memecoin lançada na véspera da posse, token associado à primeira-dama, projetos “pró-cripto” e até empresa de mineração surfando o clima político.
O padrão foi quase sempre igual: estreia, rali e tombo. O mercado lembrou que, mesmo com narrativa política, cripto continua sendo um lugar onde a alavancagem manda e a liquidez some rápido. Em 2025, muita gente entrou achando que “agora vai”, e saiu vendo que política dá empurrão, mas não dá proteção.
A “aposta contra a IA” que ligou sirenes no mundo inteiro
Outra operação que marcou o ano foi o movimento associado a Michael Burry, famoso por apostas contrárias em bolhas. O mercado interpretou como um alerta: as ações mais queridas da tese de IA podem não ser invencíveis.
Mesmo sem ficar claro o tamanho real do risco assumido, o efeito psicológico foi enorme. Bastou um sinal de ceticismo para o mercado lembrar que valuations esticados, investimentos bilionários e concentração em poucos papéis são uma mistura perigosa quando a confiança começa a rachar.
Defesa europeia disparou e mudou até a conversa de ESG
Um dos rallies mais simbólicos de 2025 veio do setor de defesa na Europa. Mudanças geopolíticas e o debate sobre financiamento militar fizeram ações do segmento dispararem. O detalhe mais curioso é que gestores que antes evitavam o setor por razões de imagem e ESG começaram a reposicionar o discurso, tratando defesa como “bem público”.
Esse movimento deixou uma lição bem prática: quando a geopolítica muda, o capital se mexe mais rápido do que a ideologia.
Carry trade turco implodiu em minutos e deixou cicatriz
O carry trade na Turquia era “queridinho do consenso”: juros altíssimos, entrada pesada de gringo e a sensação de que a moeda estava ancorada. Até o dia em que um choque político detonou tudo. Em poucas horas, a saída de capital foi brutal e a estratégia virou sinônimo de risco que ninguém quer tocar tão cedo.
É aquele lembrete que dói: juros altos atraem, mas não blindam contra terremoto político.
O salto de 367% que fez parecer ação meme
Entre as apostas mais surreais do ano, um destaque foi a corrida em torno de gigantes do financiamento imobiliário nos EUA, que voltaram ao centro da especulação com a expectativa de mudanças políticas e possíveis reestruturações. O resultado foi um rali gigantesco, com cara de “meme trade”, e muita gente comprando na emoção.
A mensagem aqui é direta: quando o mercado encontra uma história simples, ele ignora complexidade… até lembrar dela do pior jeito.
O alerta da “barata” no crédito: pequenos problemas viram grandes sustos
Em 2025, não foi um colapso único que assustou o crédito, e sim uma sequência de episódios menores expondo hábitos ruins: documentação frouxa, garantias questionáveis, otimismo demais e diligência de menos. Teve caso de dívida que derreteu, reestruturação rápida e perdas que pareciam improváveis em um mundo acostumado a inadimplência baixa.
A frase que ficou é simples e assustadora: quando aparece uma “barata”, pode ter mais escondida.
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Perguntas Frequentes (FAQs)
O que foi o “trade da cripto trumpada” em 2025?
Foi a onda de comprar ativos digitais ligados à marca Trump, que subiram no hype e depois caíram forte quando a liquidez secou
Por que o ouro brilhou tanto em 2025?
Porque o mercado buscou proteção em meio a tensões geopolíticas e medo de desvalorização, empurrando metais para máximas
O que o carry trade da Turquia ensinou?
Que juros altos não protegem contra choques políticos, e uma reversão pode acontecer em minutos
Por que o mercado ficou tão sensível a um alerta sobre IA?
Porque valuations estavam esticados e muita gente concentrada na mesma narrativa, então qualquer dúvida vira gatilho de correção
Qual é o maior alerta deixado para 2026?
Cuidado com operações superlotadas, alavancadas e baseadas só em narrativa, porque elas funcionam até o dia em que param









