Começo de ano é quando muita gente promete organizar a vida financeira e, finalmente, começar a investir. Em 2026, porém, o desafio parece maior. O calendário eleitoral costuma trazer volatilidade, ruído político e insegurança, o que faz muitos adiarem o primeiro passo. O problema é que esperar “o momento ideal” quase sempre significa não começar nunca.
Para ajudar quem quer sair do zero, Michael Viriato, da Casa do Investidor, e Rachel de Sá, da XP, apontam caminhos práticos para investir mesmo em um ano eleitoral.
Por que não faz sentido esperar a eleição passar?
Ano eleitoral gera barulho, mas não deveria paralisar decisões financeiras. Segundo Rachel de Sá, o investidor iniciante não precisa prever cenários políticos. O mais importante é começar e diversificar.
Michael Viriato reforça que oscilações no curto prazo são normais. Se qualquer queda gera desespero, o problema não é o mercado, mas o nível de risco mal ajustado. Começar pequeno já é suficiente para colocar o tempo a favor.
Quais são os “três P’s” que impedem quem está começando?
Antes do primeiro aporte, o maior bloqueio é emocional. Viriato resume isso nos três P’s:
Procrastinação, quando a pessoa sempre adia
Preciosismo, quando busca a estratégia perfeita
Paralisia, quando o medo de errar impede qualquer ação
A regra é simples: feito é melhor que perfeito. Criar o hábito importa mais do que escolher o produto ideal logo no início.
Como organizar o orçamento para sobrar dinheiro de verdade?
Investir começa antes da corretora. Começa no controle de gastos. Pequenas despesas recorrentes — cafés, lanches, assinaturas — parecem inofensivas, mas somadas fazem diferença no fim do mês.
Rachel de Sá sugere pagar contas essenciais assim que o salário cai, evitando a falsa sensação de dinheiro sobrando. Para quem tem dificuldade de disciplina, Viriato recomenda mecanismos automáticos, como aportes programados ou previdência com débito recorrente.
Por que a reserva de emergência é obrigatória?
A reserva não é investimento para ganhar mais. Ela é proteção emocional e financeira. Funciona como o combustível do carro: só lembramos quando acaba.
Ela deve ter três características:
liquidez imediata,
baixo risco,
baixa volatilidade.
Tesouro Selic, fundos DI simples e CDBs de bancos sólidos continuam sendo as opções mais indicadas.
Por que começar em 2026 faz tanta diferença no futuro?
O tempo é o maior aliado do investidor. Uma simulação simples mostra isso com clareza.
Para buscar uma renda de R$ 10 mil mensais na aposentadoria, considerando 5% de retorno real ao ano:
- Quem começa aos 25 anos precisa investir cerca de R$ 1.200 por mês
- Quem começa aos 55 anos precisa investir mais de R$ 12 mil por mês
Cada década de atraso mais do que dobra o esforço. Por isso, começar agora pode ser mais importante do que escolher o ativo perfeito.
Por que diversificar desde o primeiro investimento?
Em um cenário com juros altos e eleições no radar, a diversificação reduz sustos e melhora o equilíbrio da carteira.
Segundo Rachel de Sá, uma boa estratégia combina ativos descorrelacionados, como:
- renda fixa pós, prefixada e atrelada à inflação
- multimercados
- ações no Brasil e no exterior
- renda fixa global
- previdência como complemento de longo prazo
Diversificar não elimina riscos, mas evita depender de uma única aposta.
Como não cair na armadilha do imediatismo?
O maior inimigo do investidor é avaliar resultados no calor das manchetes. Pesquisas eleitorais, discursos e crises pontuais não deveriam guiar decisões de longo prazo.
A análise correta deve ser feita em janelas de três a cinco anos, com constância nos aportes e respeito ao perfil de risco. Em 2026, isso será ainda mais importante.
Conclusão
Ano eleitoral assusta, mas não deve paralisar. Quem começa a investir em 2026 com disciplina, diversificação e paciência aumenta muito as chances de atravessar ciclos políticos sem grandes danos. O primeiro passo, mesmo pequeno, costuma ser o mais decisivo.
Para aprender mais, evitar erros comuns e acompanhar estratégias práticas para o seu dinheiro, continue navegando pelo Brasilvest.
Perguntas Frequentes (FAQs)
Vale a pena começar a investir em ano eleitoral?
Sim. A volatilidade existe, mas o tempo no mercado costuma ser mais importante do que o cenário político.
Preciso esperar o cenário econômico melhorar?
Não. Esperar o “momento ideal” geralmente leva à procrastinação.
Qual o primeiro passo para quem nunca investiu?
Organizar o orçamento e montar uma reserva de emergência.
Dá para investir com pouco dinheiro?
Sim. O hábito e a constância importam mais do que o valor inicial.
Com que frequência devo avaliar meus investimentos?
Em prazos longos, de três a cinco anos, evitando decisões por impulso.









