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quarta-feira, fevereiro 18, 2026
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Cuba em Crise: Famílias Cozinham com Carvão e Lenha em Pior Racionamento de Combustível em Décadas, Lembranças do “Período Especial”

Cuba enfrenta racionamento severo de combustível e energia, com famílias recorrendo a métodos de cozimento tradicionais e lembranças do “Período Especial”.

A vida em Cuba tem se tornado um exercício de resiliência diante da mais grave escassez de combustível e energia elétrica em décadas. A situação, que se agrava desde meados de 2024, atinge um ponto crítico em 2026, forçando muitos a voltarem a cozinhar com carvão e lenha, uma realidade que evoca o sombrio “Período Especial” dos anos 1990.

A aposentada Elizabeth Contreras, de 68 anos, exemplifica a situação. Em seu quintal, ela prepara frango em uma grelha improvisada sobre blocos de cimento, alimentada por carvão, para três famílias do seu bairro. “Muita gente vem cozinhando assim há dias, pois a panela elétrica só pode ser usada sem corrente, e temos pouco gás”, relata Contreras à BBC News Mundo. A solidariedade entre vizinhos se torna um pilar para enfrentar a incerteza.

O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, já alertou para “tempos difíceis”, anunciando um plano extraordinário de economia de energia. A crise de combustíveis se intensificou após a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro em Caracas e a subsequente imposição de medidas pelos Estados Unidos para dificultar o acesso de Cuba a suprimentos. Recentemente, um incêndio em uma refinaria de petróleo em Havana adicionou mais um obstáculo, com a causa ainda sob investigação.

Pressão dos EUA e Ajuda Internacional

O governo dos Estados Unidos, sob o comando de Donald Trump, ameaçou impor tarifas a países que enviassem petróleo para Cuba. Washington tem se empenhado em bloquear o fornecimento da Venezuela, principal aliado de Havana nas últimas duas décadas, e em reduzir o combustível proveniente do México. Apesar disso, o México reafirmou seu apoio humanitário a Cuba, enviando navios com suprimentos alimentares. O Brasil também avalia o envio de ajuda humanitária, incluindo medicamentos e alimentos.

Lembranças do “Período Especial” e Disparidades Atuais

A situação atual remete diretamente aos anos 1990, quando o colapso da União Soviética mergulhou Cuba no “Período Especial”. Naquela época, o país enfrentou racionamento extremo, longos apagões e dificuldades de transporte, forçando o uso de carvão e lenha para cozinhar, assim como agora. Contreras relembra cortes de eletricidade de até 18 horas nas últimas semanas, comparando a situação com a de trinta anos atrás.

O professor Michael Bustamante, da Universidade de Miami, aponta que, embora o Produto Interno Bruto (PIB) de Cuba seja menos frágil hoje do que na década de 1990, a percepção da crise é diferente. Ele observa que, enquanto nos anos 90 a crise afetava a todos de forma mais homogênea, atualmente as disparidades são mais evidentes, com o surgimento de lojas privadas que atendem a quem tem recursos financeiros, gerando uma “desigualdade galopante”.

Adaptação e Resiliência da População

Apesar da gravidade, alguns cubanos relatam uma certa normalidade nas ruas, sem sinais de caos iminente. Nas redes sociais, como no TikTok, usuários compartilham dicas para lidar com a escassez, como cozinhar com lenha ou lavar roupas em rios. Outros, como a trabalhadora e estudante Jennifer Pedraza, se preparam acumulando itens como lâmpadas recarregáveis, ventiladores e água.

Pedraza e Contreras notam a redução do tráfego em Havana, com avenidas importantes aparecendo vazias. A preocupação com a mobilidade é grande, especialmente para emergências médicas. Pedraza relata ter perdido um exame universitário por não ter como se deslocar, e sua maior apreensão é com o filho de nove anos, que tem suas atividades limitadas pela falta de luz e internet.

Para muitos, a situação é amenizada por remessas de familiares no exterior ou por trabalhos autônomos. Contudo, para aqueles que dependem do salário médio oficial de cerca de US$ 14 mensais (câmbio informal), os custos de itens básicos como óleo e ovos consomem mais da metade da receita, evidenciando a dificuldade financeira enfrentada por grande parte da população.

Diálogo e Incógnitas no Futuro

O governo cubano atribui a crise ao embargo econômico imposto pelos Estados Unidos desde os anos 1960. Díaz-Canel expressou disposição para o diálogo com os EUA, mas “sem pressões”. Bustamante, no entanto, questiona a eficácia das medidas americanas, afirmando que elas empobrecem a população sem alterar a gestão política e econômica do país. A incerteza paira sobre o futuro, com especulações sobre a possibilidade de uma crise humanitária que justifique intervenção militar ou uma eventual cedência do governo cubano, apostando em um cenário eleitoral favorável nos EUA.

Perguntas frequentes

O que está acontecendo em Cuba?

Cuba está vivenciando um grave racionamento de combustível e energia elétrica, forçando a população a recorrer a métodos de cozimento como carvão e lenha, em uma situação comparada ao “Período Especial” dos anos 90.

Quais são as causas da crise em Cuba?

As causas incluem a intensificação das medidas dos Estados Unidos para dificultar o acesso a combustíveis, a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro e um recente incêndio em uma refinaria de petróleo em Havana. O governo cubano também atribui a situação ao embargo econômico dos EUA.

Como os cubanos estão lidando com a falta de combustível?

Muitos estão cozinhando com carvão e lenha, economizando energia elétrica, acumulando água e utilizando meios de transporte alternativos ou reduzindo deslocamentos. A solidariedade comunitária também é um fator importante.

A situação em Cuba é semelhante à do “Período Especial”?

Há semelhanças significativas, como o racionamento de recursos e o uso de métodos de cozimento ancestrais. No entanto, especialistas apontam que o PIB atual é menos frágil, mas as disparidades sociais podem ser maiores.

Qual a resposta internacional à crise em Cuba?

Países como México e Brasil estão avaliando o envio de ajuda humanitária, incluindo alimentos, medicamentos e outros suprimentos essenciais, como forma de apoio à população cubana.

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