A morte de Nemesio Oseguera Cervantes, o ‘El Mencho’, líder do Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG), foi anunciada como um grande triunfo para o governo mexicano. No entanto, a onda de violência que se seguiu e a complexidade do império criminoso que ele construiu levantam sérias dúvidas sobre se sua eliminação realmente trará paz ao país. A estrutura do cartel e a dinâmica do crime organizado no México sugerem que a substituição de um líder não significa o fim de uma organização poderosa.
A notícia da morte de Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como ‘El Mencho’, pelas forças de segurança mexicanas em 22 de fevereiro, foi recebida com otimismo por autoridades e parte da população. ‘El Mencho’ liderava o Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG), uma das organizações criminosas mais temidas e influentes do México na última década. Sob seu comando, o CJNG expandiu suas operações para o tráfico global de drogas, diversificando para atividades como tráfico de pessoas, mineração ilegal de ouro e até produção de abacate.
No entanto, especialistas entrevistados pela BBC News alertam que a complexidade da estrutura do CJNG torna improvável que a morte de seu líder desmantele a organização. A cadeia de suprimentos do tráfico de drogas, que sustenta o cartel, permanece intacta, e a história do crime organizado no México demonstra a capacidade de adaptação e resiliência dessas facções. A substituição de um líder, por mais proeminente que seja, raramente paralisa completamente o funcionamento de impérios criminosos tão enraizados.
O impacto imediato da notícia da morte de ‘El Mencho’ foi sentido em Guadalajara, a terceira maior cidade do México e capital do estado de Jalisco. Relatos indicam que membros do cartel retaliaram, promovendo uma onda de violência nas ruas, o que corrobora os temores de uma potencial deterioração da segurança no país. A guerra territorial travada pelo CJNG, marcada por ataques brutais contra autoridades e demonstrações públicas de violência, sugere que a ausência de seu líder pode gerar instabilidade e novas disputas.
A resiliência dos cartéis: lições do passado
A história do combate ao narcotráfico no México oferece exemplos claros da capacidade dos cartéis de sobreviverem à captura ou morte de seus líderes. O principal rival do CJNG, o Cartel de Sinaloa, demonstrou essa resiliência durante os repetidos confrontos com seu líder, Joaquín Guzmán Loera, o ‘El Chapo’. Mesmo após sua captura em 2016 e subsequente fuga, a organização manteve sua força e influência, evidenciando que o poder dos cartéis transcende a figura de seus comandantes.
A professora Jennifer Scotland, especialista em crime organizado do Royal United Services Institute, em Londres, reforça essa visão, afirmando que as organizações criminosas se preparam para a eventualidade da captura ou morte de seus líderes. Essa preparação inclui planos de sucessão e a manutenção de estruturas operacionais que permitam a continuidade das atividades, mesmo diante da perda de sua figura central. A inserção econômica e social dos cartéis na sociedade mexicana também contribui para sua persistência.
O futuro incerto: sucessão, rivais e a luta em duas frentes
A morte de ‘El Mencho’ abre um leque de possibilidades que preocupam as autoridades. Uma delas é a possibilidade de lutas internas dentro do próprio CJNG pela sucessão do traficante. Tais disputas podem enfraquecer o cartel, mas também gerar mais violência à medida que diferentes facções lutam pelo controle. Além disso, a percepção de fraqueza pode encorajar cartéis rivais, como o de Sinaloa, a tentar expandir seu território e retomar áreas disputadas, intensificando os conflitos.
As forças de segurança mexicanas enfrentam um desafio adicional: a necessidade de manter operações contra múltiplos cartéis poderosos simultaneamente. A luta contra o CJNG e a contínua pressão sobre o Cartel de Sinaloa representam uma luta em duas frentes, exigindo recursos e estratégias complexas para tentar restaurar a ordem e a segurança no país. A ausência de ‘El Mencho’ pode significar uma reconfiguração do poder no submundo do crime mexicano, mas não necessariamente uma diminuição da violência.
Perguntas frequentes
O que significa a morte de ‘El Mencho’ para o México?
A morte de ‘El Mencho’, líder do CJNG, é um golpe simbólico para o crime organizado, mas especialistas acreditam que a estrutura do cartel é resiliente e a violência pode persistir devido a disputas internas e ações de rivais.
O Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG) vai acabar com a morte de seu líder?
É improvável que o CJNG acabe. A organização é complexa e diversificada, com operações globais. A substituição de um líder não significa o fim de uma instituição criminosa tão estabelecida.
Quem pode suceder ‘El Mencho’ no CJNG?
A sucessão de ‘El Mencho’ ainda é incerta e pode envolver lutas internas dentro do CJNG. A identidade de um novo líder ou de um comando coletivo ainda não foi confirmada oficialmente.
A morte de ‘El Mencho’ pode aumentar a violência no México?
Sim, há receios de que a morte de ‘El Mencho’ possa levar a um aumento da violência, seja por retaliações do cartel, lutas internas pela sucessão ou ações de cartéis rivais buscando expandir seu território.
Qual a relação entre o CJNG e o Cartel de Sinaloa?
CJNG e o Cartel de Sinaloa são considerados os dois principais e mais poderosos cartéis do México, sendo rivais diretos na disputa por rotas de tráfico e territórios de atuação, frequentemente entrando em confronto violento.









