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domingo, novembro 30, 2025
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Haddad pressiona: por que o governo quer aprovar urgente o PL do devedor contumaz

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A megaoperação deflagrada nesta quinta-feira (27) reacendeu um debate que o governo tenta destravar há meses. Para o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a aprovação do PL do devedor contumaz é essencial para frear sonegação, desarticular organizações criminosas e fechar brechas que permitem o giro bilionário de esquemas como o investigado nesta semana.

A fala ocorreu após a ação que mira o Grupo Fit, antiga Refit, suspeito de dever R$ 26 bilhões em tributos e movimentar mais de R$ 70 bilhões em apenas um ano por meio de fundos, offshores e empresas interpostas.

Por que o PL do devedor contumaz virou prioridade para o governo?

Segundo Haddad, o projeto é uma ferramenta decisiva para atingir não só pequenos sonegadores, mas os grupos que atuam de forma estruturada para esconder patrimônio e blindar operações ilícitas.

O ministro foi direto:

“Se conseguirmos sancionar este ano, entraremos em 2026 com ainda mais força.”

O texto do PL já foi aprovado pelo Senado após a Operação Carbono Oculto, mas está parado na Câmara — à espera de pauta pelo presidente da Casa, Hugo Motta.

Para Haddad, é preciso “asfixiar financeiramente” organizações criminosas que movimentam fortunas por meio de empresas criadas especificamente para fraudar o Fisco.

O que o PL do devedor contumaz muda na prática?

O projeto cria um conjunto de medidas para impedir que empresas reincidentes em sonegação continuem atuando no mercado. Entre os principais pontos:

  • suspensão de CNPJs de empresas classificadas como devedoras contumazes
  • restrição severa a benefícios fiscais
  • impedimento de participar de licitações públicas
  • limitações para entrada em recuperação judicial
  • exigência de comprovação de origem lícita dos recursos
  • requisitos mais rígidos de capital social, especialmente no setor de combustíveis

De acordo com o secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, o PL não mira contribuintes comuns, mas grupos empresariais estruturados que usam interpostas pessoas e operações simuladas para ocultar débitos e lucros.

O que motivou a megaoperação desta quinta-feira?

A ação desta semana, chamada Operação Poço de Lobato, reuniu 621 agentes em seis estados para investigar mais de 190 pessoas físicas e jurídicas. O alvo é um dos maiores grupos devedores do país, tido como o maior infrator de ICMS no setor de combustíveis.

Segundo a Receita, o grupo movimentou “mais de R$ 70 bilhões em um ano” usando:

  • fundos de investimento
  • empresas próprias
  • offshores
  • uma exportadora no exterior

Tudo isso para ocultar lucros, evitar o recolhimento de tributos e lavar dinheiro.

Como funcionava o esquema segundo a Receita?

As investigações apontam que o grupo utilizava diversas empresas como “interpostas pessoas” para driblar responsabilidades tributárias. Entre os principais mecanismos identificados:

  • simulação de operações interestaduais
  • ocultação societária
  • uso de importadoras para movimentar combustíveis
  • compra de nafta, hidrocarbonetos e diesel com recursos ligados a formuladoras do próprio grupo

A Receita afirma que, de 2020 a 2025, o conglomerado movimentou cerca de R$ 32 bilhões em combustíveis.

Além disso, a ANP determinou a interdição da refinaria envolvida após encontrar indícios de adulteração do produto, ausência de evidências de refino e uso de aditivos proibidos.

Ligação com a Operação Carbono Oculto — e o salto do esquema

O grupo já havia sido citado em investigações anteriores. Segundo a Receita, após a Operação Carbono Oculto, em 2024, o esquema financeiro foi completamente reestruturado.

Operadores que movimentavam cerca de R$ 500 milhões passaram a movimentar mais de R$ 72 bilhões — revelando um salto expressivo no volume de recursos ocultados.

Por que o caso reacende a pressão política?

O governo vê o momento como ideal para pressionar o Congresso a aprovar o PL. Segundo Haddad, sem a nova legislação, operações como a de hoje continuarão encontrando barreiras para punir grupos especializados em fraudar o Estado em larga escala.

Além disso, o valor envolvido no esquema expõe a dimensão do crime tributário no país. Um relatório recente apontou que o crime no Brasil custa ao menos R$ 1,3 trilhão, número superior ao PIB de muitos países.

Conclusão

A megaoperação contra o Grupo Fit acendeu um alerta e deu força ao discurso do governo por mudanças urgentes no combate à sonegação. Para o Ministério da Fazenda, aprovar o PL do devedor contumaz é um passo crucial para desarticular esquemas bilionários e impedir que o crime organizado continue se beneficiando de brechas fiscais.

Quer seguir acompanhando análises e bastidores sobre economia, política e grandes operações no país? Continue navegando pelo Brasilvest.

Perguntas Frequentes (FAQs)

O que é o PL do devedor contumaz?

É um projeto que cria regras rígidas para punir empresas reincidentes em sonegação, incluindo suspensão de CNPJ e restrições fiscais.

Por que o governo quer aprovar o PL ainda em 2025?

Para entrar em 2026 com instrumentos legais mais fortes no combate à sonegação e ao crime organizado.

O PL afeta contribuintes comuns?

Não. O texto mira grupos estruturados que usam empresas e interpostas pessoas para esconder débitos bilionários.

Quanto o grupo investigado movimentou?

Segundo a Receita, mais de R$ 70 bilhões em um ano e cerca de R$ 32 bilhões em combustíveis entre 2020 e 2025.

O que a ANP encontrou na refinaria do grupo?

Irregularidades como ausência de processo de refino, uso de aditivos proibidos e indícios de adulteração de combustível.

O que falta para o PL ser aprovado?

A pauta na Câmara, que depende do presidente da Casa, Hugo Motta.

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