A chegada da JBS (JBSS32) à Nyse, em junho de 2025, marcou uma virada histórica para a gigante global de alimentos. Depois de anos de preparação, a companhia finalmente conquistou o objetivo de ampliar sua presença internacional, destravar valor e acessar um universo muito maior de investidores.
E, segundo o CFO Guilherme Cavalcanti, essa nova fase já está trazendo resultados claros — tanto para a visibilidade da empresa quanto para seus múltiplos e suas perspectivas de dividendos.
Logo nos primeiros meses após a listagem, a companhia se destacou em liquidez e desempenho, confirmando que o movimento era estratégico e essencial para nivelar a JBS com outras grandes do setor listadas nos EUA e na Europa.
Como a listagem nos EUA mudou o jogo para a JBS?
Segundo o CFO, a dupla listagem abriu portas que antes estavam fechadas. Muitos fundos globais têm restrições para investir em mercados emergentes como o Brasil, mas podem comprar ações diretamente na Nyse. Isso ampliou significativamente o alcance da companhia e reduziu seu custo de capital.
A valorização das ações fortalece essa tese: desde o início do ano, os papéis acumulam alta de 33%. Além disso, o volume médio diário atingiu US$ 115,2 milhões, um avanço de 210% em comparação com a média de 2024 — um salto importante para qualquer empresa que busca ganhar relevância internacional.
Os múltiplos da JBS já começam a refletir esse avanço?
Sim, mas ainda existe espaço para subir. Hoje, a JBS negocia entre 5x e 5,5x EV/Ebitda, enquanto concorrentes nos EUA e Europa operam, em média, entre 8x e 8,5x. Isso indica que o mercado ainda enxerga potencial de valorização adicional.
O CFO destaca que essa diferença mostra o quanto a JBS pode crescer dentro do mercado norte-americano, especialmente agora que está competindo diretamente em uma vitrine global.
O que a empresa tem feito para conquistar os investidores estrangeiros?
A agenda de relacionamento está intensa. Reuniões, conferências e contatos aumentaram 14% em comparação com o ano anterior. Todo esse esforço fez com que, já em setembro, a JBS fosse incluída no índice FTSE US, composto por 537 empresas listadas no país e com valor de mercado acima de US$ 50 trilhões.
E a ambição não para por aí: agora a empresa mira elegibilidade para gigantes como S&P, CRSP e Russell — índices que podem ampliar ainda mais a base de investidores e a liquidez dos papéis.
E os dividendos? O que o CFO sinaliza para os próximos anos?
Aqui entra um dos pontos mais sensíveis para o investidor brasileiro: a política de dividendos. De acordo com o CFO, a JBS mantém um histórico consistente, distribuindo em média US$ 1 bilhão por ano nos últimos cinco anos.
Além disso, em períodos de desempenho excepcional e sem oportunidades de aquisições, a companhia pode considerar pagamentos extras ou recompras de ações — como o programa concluído recentemente, no valor de US$ 600 milhões, envolvendo ações Classe A e BDRs.
Quando questionado sobre um dividendo regular e previsível, o executivo foi direto: embora agora a empresa esteja livre da regra brasileira dos 25% do lucro, não pretende se comprometer com valores fixos. O setor é cíclico, e a distribuição continuará baseada na geração de caixa.
A ação ainda tem espaço para subir? A visão dos analistas
A resposta, segundo o mercado, é sim. Cerca de 20 instituições acompanham o papel — e a maioria recomenda compra.
O Bank of America, por exemplo, reforçou sua recomendação em novembro e elevou o preço-alvo de US$ 20 para US$ 21. O banco destacou três pontos principais:
• força nos lucros esperada para 2026
• oportunidades de crescimento orgânico e inorgânico
• avaliação atrativa a 6,0x EV/Ebitda, comparada a concorrentes como Tyson, negociada a 7,9x
Além disso, a confiança da JBS em manter dividendos na casa de US$ 1 bilhão em 2026, estimando um dividend yield de 7%, reforça o otimismo.
Conclusão: a JBS está entrando em uma nova fase de valorização?
Tudo indica que sim. A listagem nos EUA aumentou liquidez, reduziu custo de capital e fortaleceu a imagem internacional da JBS (JBSS32). Com múltiplos ainda abaixo dos concorrentes globais, forte geração de caixa e histórico sólido de dividendos, a empresa parece bem posicionada para atrair ainda mais investidores.
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Perguntas Frequentes (FAQs)
Por que a JBS decidiu listar ações na Nyse?
Para ampliar visibilidade internacional, acessar fundos restritos ao Brasil e reduzir seu custo de capital.
A listagem já trouxe resultados práticos?
Sim. A liquidez subiu 210%, o volume diário ultrapassou US$ 115 milhões e as ações acumulam alta de 33% no ano.
Os múltiplos da JBS ainda estão baratos?
Sim. Ela negocia entre 5x e 5,5x EV/Ebitda, abaixo das rivais globais que operam perto de 8x.
A JBS pretende adotar dividendos regulares?
Não. A empresa continuará ajustando os pagamentos conforme a geração de caixa, já que o setor é cíclico.
A companhia continua recomprando ações?
Um programa recente de recompra de US$ 600 milhões já foi concluído, mas novas iniciativas podem ser avaliadas.
Os analistas recomendam compra das ações?
Sim. A maioria das casas recomenda compra, incluindo o Bank of America, que elevou o preço-alvo para US$ 21.









