A aprovação da nova taxação sobre dividendos virou o principal assunto da Bolsa neste fim de ano — e não é para menos. Com a chegada da alíquota de 10% a partir de 2026, empresas e investidores estão correndo para antecipar o máximo possível de distribuições ainda isentas.
Mas o ponto que mais intriga os analistas é: isso é bom ou ruim para a B3?
A resposta, segundo especialistas do Bradesco BBI, é dupla: bom no curto prazo, ruim no futuro.
A seguir, você vai entender por quê — em um resumo claro, direto e com foco em quem investe.
O que muda com a nova taxação de dividendos?
A Lei nº 15.270/2025 encerra a isenção total e cria um imposto de 10% sobre dividendos pagos para:
- Pessoas físicas que recebem mais de R$ 50 mil por mês
- Dividendos enviados ao exterior (com exceções para fundos soberanos e entidades de previdência)
Há também um imposto progressivo para pessoas com renda anual acima de R$ 600 mil, limitado à mesma alíquota de 10%.
Essa mudança aproxima o Brasil do padrão internacional e aumenta a base tributária — mas traz impactos relevantes para o mercado.
Por que as empresas estão antecipando dividendos?
Como a taxação só passa a valer em 2026, há uma janela estratégica: dividendos aprovados até 2025 continuam isentos, mesmo que pagos até 2028.
Isso gerou uma verdadeira avalanche de anúncios, especialmente em setores como:
- Mineração
- Energia
- Agronegócio
Segundo o BBI, algumas empresas podem distribuir até 30% do valor de mercado, e em alguns casos, mais de 100%.
Bom no curto prazo: dividendos ajudam a sustentar a Bolsa
O Bradesco BBI e o BTG Pactual destacam que os dividendos extraordinários funcionam como amortecedor, porque:
- Parte desse dinheiro volta para a Bolsa
- A liquidez diária do Ibovespa é baixa (cerca de R$ 24 bilhões), então qualquer reforço faz diferença
- Os proventos elevados reforçam a tese de que a Bolsa está barata de verdade
A Eleven Financial reforça que o movimento atual confirma lucros fortes, endividamento controlado e valuations atrativos — explicando o Ibovespa acima dos 164 mil pontos.
Ruim no longo prazo: valuations podem cair
O BBI alerta que, olhando para frente, a nova regra reduz o valor presente dos fluxos de caixa, o que tende a:
- Diminuir valuations
- Reduzir o apelo de empresas tradicionalmente boas pagadoras
- Aumentar a preferência por recompra de ações
Ou seja: o efeito imediato é positivo, mas o estrutural é negativo.
Por que o mercado absorveu tão bem a notícia?
O relatório do BBI destaca seis motivos para a Bolsa continuar em alta mesmo com o imposto:
- Medida já esperada desde março de 2025.
- O Brasil era uma exceção global, com alíquota zero.
- A nova taxa é baixa comparada ao exterior — metade da dos EUA.
- O índice MSCI Brasil ainda entrega dividend yield alto (cerca de 5%) e o país tem o menor P/L entre grandes mercados globais.
- Empresas já aceleraram recompras, em níveis recordes.
- Fatores externos pesam mais: cortes de juros no 1T26 e eleições se aproximando.
O que os EUA têm a ver com isso?
O BBI lembra que os Estados Unidos introduziram um imposto de 1% sobre recompra de ações em 2022, arrecadando cerca de US$ 8 bilhões ao ano.
E o impacto?
Praticamente nulo no mercado — que continuou subindo.
O banco vê esse caso como um paralelo para o mercado brasileiro: o ruído inicial tende a passar, e o fluxo volta a ser mais importante que a tributação.
O que esperar daqui para frente?
Com a reforma, o Brasil finalmente deixa o grupo de países que não tributavam dividendos — algo visto como inevitável pelos analistas.
Agora, o foco dos investidores deve ser:
- Quais empresas vão distribuir proventos antecipados
- Como cada setor deve se ajustar a partir de 2026
- Se a política fiscal mudará após as eleições
- E como a queda dos juros pode compensar parte dos impactos
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Perguntas Frequentes (FAQs)
Quando começa a taxação de dividendos?
A partir de janeiro de 2026, com alíquota de 10%.
Dividendos aprovados antes de 2026 também serão taxados?
Não. Se aprovados até o final de 2025, seguem isentos mesmo que pagos até 2028.
Quais setores devem antecipar mais proventos?
Mineração, energia e agronegócio, segundo o Bradesco BBI.
A taxação reduz o valuation das empresas?
Sim. No longo prazo, a tendência é de valuations menores com o fluxo de caixa líquido reduzido.
O mercado recebeu bem a medida?
Sim, porque já era esperada e a alíquota é considerada baixa internacionalmente.
As ações podem subir mesmo com o novo imposto?
Sim. Cortes de juros, eleições e recompras tendem a ter impacto maior que a taxação.









