A manhã foi marcada por forte tensão no mercado de renda fixa. O Tesouro Direto precisou interromper negociações após taxas dispararem, puxadas pelo aumento da percepção de risco fiscal e pelo impacto direto da pré-candidatura “irreversível” de Flávio Bolsonaro à presidência em 2026.
Pouco depois da suspensão, os títulos voltaram à prateleira com juros em forte alta — inclusive o Tesouro IPCA+, que retomou o patamar simbólico de 8% de juro real ao ano no vencimento mais curto.
Por que o Tesouro Direto foi interrompido?
A pausa ocorreu por causa da volatilidade intensa nos preços. O Tesouro suspende negociações nessas situações para proteger o investidor de movimentos bruscos que distorcem o valor dos títulos.
A fala de Flávio Bolsonaro, feita na saída de uma visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro, surpreendeu o mercado. Ele afirmou que sua pré-candidatura é “irreversível” e que não pretende recuar — o suficiente para provocar uma onda de aversão ao risco.
Como a política influenciou diretamente os juros nesta terça?
A pré-candidatura antecipou um cenário de incerteza que o mercado esperava só para depois de fevereiro de 2026.
Segundo analistas, a reação imediata dos investidores foi elevar o prêmio de risco nos títulos públicos, pressionando:
• Tesouro IPCA+ curto: voltou para IPCA + 8%
• IPCA+ 2050: voltou para 7%, maior nível desde outubro
• Prefixados: taxa de 13,85% no vencimento de 2032
O efeito político foi potencializado por relatos de que Jair Bolsonaro teria demonstrado entusiasmo com a pré-candidatura do filho e sinalizado apoio desde já.
O que os analistas dizem sobre risco fiscal e Selic?
Com juros longos disparando, cresceu a percepção de que o risco fiscal aumentou. Isso dificulta cortes da Selic em 2026 e reforça um possível tom mais duro do Banco Central na decisão de manter a taxa em 15% ao ano na próxima quarta-feira (10).
Para o Morgan Stanley, o anúncio de Flávio adiantou a volatilidade esperada para o ano eleitoral e reduziu o espaço para cortes mais fortes da Selic.
A mensagem é clara: o cenário político virou o principal motor dos juros no curto prazo.
Quais são as taxas do Tesouro Direto hoje?
Às 10h43 desta terça (9), os principais rendimentos eram:
• Tesouro Selic 2028 — Selic + 0,0536%
• Tesouro Selic 2031 — Selic + 0,1037%
• Prefixado 2028 — 13,31%
• Prefixado 2032 — 13,85%
• Prefixado com juros semestrais 2035 — 13,87%
• Tesouro IPCA+ 2029 — IPCA + 8,00%
• IPCA+ semestrais 2035 — IPCA + 7,46%
• Tesouro IPCA+ 2040 — IPCA + 7,01%
• IPCA+ semestrais 2045 — IPCA + 7,18%
• Tesouro IPCA+ 2050 — IPCA + 6,99%
• IPCA+ semestrais 2060 — IPCA + 7,13%
Conclusão
O retorno do Tesouro IPCA+ aos 8% de juro real mostra como o mercado está hiper sensível ao cenário político. A pré-candidatura de Flávio Bolsonaro adiantou o clima de 2026 e elevou o risco fiscal percebido pelos investidores, pressionando títulos, juros e expectativas de Selic.
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Perguntas Frequentes (FAQs)
Por que o Tesouro IPCA+ voltou a pagar 8%?
Por causa da volatilidade desencadeada pela pré-candidatura de Flávio Bolsonaro e pela elevação da percepção de risco fiscal.
O Tesouro Direto pode parar quando quiser?
As interrupções acontecem apenas em situações de forte oscilação para proteger o investidor.
A Selic pode cair menos em 2026?
Sim. Analistas afirmam que o novo cenário reduz o espaço para cortes.
Por que a política impacta tanto os juros?
Porque incerteza eleitoral aumenta risco fiscal e faz o mercado exigir rendimentos maiores nos títulos públicos.
As taxas devem continuar subindo?
Depende da evolução do cenário político e da postura do Banco Central na próxima decisão.









