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quinta-feira, fevereiro 12, 2026
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Haddad diz que empresas ficaram com o “filé” da logística e Correios herdaram o “osso”

A discussão sobre o futuro dos Correios voltou ao centro do debate após o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, reforçar que a estatal deve permanecer pública — mesmo em meio a uma crise financeira que já acumula R$ 6,1 bilhões de prejuízo até setembro. Para ele, privatizar não é a resposta: o serviço postal universal, segundo o ministro, só se sustenta se for prestado a baixo custo, assim como acontece em vários países que encontraram alternativas para manter o sistema funcionando sem abrir mão do controle estatal.

Haddad afirmou que, ao longo dos anos, as empresas privadas “disputaram o filé mignon da logística”, deixando justamente a parte mais cara e menos lucrativa — a universalização — nas mãos dos Correios. E é justamente essa obrigação de atender todo o país, até os pontos mais remotos, que torna o modelo tão desafiador.

O ministro também comentou sobre as medidas que podem ajudar a reequilibrar a estatal, incluindo reestruturação, novos produtos financeiros e ajustes previdenciários.

Por que Haddad rejeita a privatização dos Correios?

Segundo o ministro, diversos países já implementaram soluções híbridas que mantêm os correios sob controle público, ao mesmo tempo em que permitem que o serviço seja financiado com tarifas mais baixas.

Haddad explica que, nesses modelos, o Estado continua responsável pela cobertura nacional, enquanto outras frentes de negócio ajudam a sustentar financeiramente o sistema postal. O objetivo é evitar que a população pague mais caro por um serviço essencial.

Ele reforçou:

“As empresas disputaram o filé mignon da logística, e o osso ficou com os Correios, que é universalização a baixo custo.”

A fala sugere que abrir mão da estatal deixaria uma parcela importante da população desassistida — especialmente regiões que não atraem interesse do setor privado.

O que pesa nas contas dos Correios hoje?

Um dos maiores desafios da estatal está justamente na despesa com pessoal, que deve chegar a R$ 15,1 bilhões neste ano. Com margens apertadas e custos elevados, a empresa vem buscando alternativas para reorganizar sua operação.

Entre as medidas estudadas no plano de reestruturação estão:

• inclusão de novos produtos financeiros
• ajustes em modelos previdenciários e de seguros
• revisão de custos internos

A expectativa do governo é que essas ações tornem os Correios mais sustentáveis sem que seja necessário elevar preços para o consumidor.

Correios podem receber um aporte do governo?

Haddad afirmou que um eventual aporte seria possível dentro do arcabouço fiscal, mas que a medida não está nos planos imediatos.
Segundo ele, as negociações para um empréstimo já estão avançadas, o que reduz a necessidade de injeção direta de recursos.

O ministro reforçou que qualquer apoio do Tesouro só seria concedido mediante um plano de reestruturação sólido, evitando riscos fiscais futuros.

Por que o Tesouro rejeitou o empréstimo anterior?

Como mostrou a imprensa, o Tesouro recusou dar garantia a um empréstimo de R$ 20 bilhões que os Correios buscavam junto a cinco bancos — incluindo o Banco do Brasil (BBAS3) — porque as taxas de juros eram consideradas elevadas para uma operação com aval soberano.

Sem o aval, o governo acionou a Caixa Econômica Federal para tentar destravar a negociação.

A crise dos Correios tem solução?

Segundo Haddad, sim — desde que o plano de reestruturação avance e novos produtos sejam incorporados à operação. Modelos internacionais mostram que correios públicos podem ser sustentáveis quando combinam serviços essenciais com atividades complementares.

A universalização, segundo o ministro, é um bem público que vale a pena preservar.

Para acompanhar análises de economia, política e impacto fiscal no país, continue navegando pelo Brasilvest.

Perguntas Frequentes (FAQs)

Por que os Correios acumulam tantos prejuízos?

Principalmente devido ao alto custo de pessoal, à obrigação de universalização e à perda de espaço para empresas privadas em segmentos lucrativos.

Haddad é contra a privatização dos Correios?

Sim. Ele defende que a estatal permaneça pública para garantir serviço acessível em todo o país.

Os Correios vão receber dinheiro do governo?

Não por enquanto. A prioridade é viabilizar um empréstimo acompanhado de reestruturação.

O Tesouro rejeitou apoiar o empréstimo por quê?

Porque os juros pedidos pelos bancos eram considerados altos demais, mesmo com garantia estatal.

Que soluções estão sendo estudadas para salvar os Correios?

Ampliação de produtos financeiros, ajustes previdenciários, mudanças estruturais e novos modelos de receita.

A universalização corre risco?

Segundo o ministro, não — desde que a estatal seja preservada e reequilibrada financeiramente.

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