O Bank of America (BoA) ajustou sua projeção para o início do ciclo de corte da taxa Selic no Brasil, indicando que o primeiro corte poderá ocorrer em janeiro de 2026, em vez de dezembro de 2025, como alguns mercados vinham precificando. A instituição projeta uma redução de 50 pontos-base já na primeira reunião do ano, levando a taxa básica de juros para níveis abaixo dos atuais 15% ao ano.
A nova previsão do BoA reflete a combinação de indicadores econômicos que apontam para uma desaceleração da atividade interna, queda da inflação em segmentos relevantes e evolução das expectativas de preços no médio prazo. Esses fatores indicam que o Banco Central pode iniciar um ciclo gradual de cortes no início de 2026.
Por que o BoA revisou sua projeção?
O BoA decidiu ajustar sua previsão após observar mudanças recentes em indicadores de inflação, atividade econômica e posicionamento da política monetária. A decisão do Copom em manter a Selic em 15% ao ano sem sinal claro de corte imediato levou o banco a reavaliar o cronograma para flexibilização dos juros.
Além disso, a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) trouxe elementos considerados menos “dovish” do que alguns analistas esperavam, ainda que tenham sido reconhecidos aspectos positivos como a melhora nas expectativas de inflação de longo prazo. Isso reforça a ideia de que o corte em dezembro ficou fora do radar, abrindo espaço para que o movimento ocorra em janeiro.
Consequências para o mercado financeiro
A perspectiva de um primeiro corte em janeiro já tem sido precificada gradualmente pelos mercados. Contratos de juros futuros e derivativos vêm refletindo essas expectativas, com ajustes nas curvas de juros que indicam probabilidade crescente de redução de 25 a 50 pontos-base no início de 2026.
Se confirmada, a redução da Selic tende a influenciar diretamente:
- Títulos públicos e renda fixa: preços de títulos prefixados podem subir à medida que a perspectiva de juros menores se materializa.
- Mercado de crédito: redução do custo do dinheiro tende a baratear empréstimos e financiamentos.
- Bolsa de valores: ações de setores sensíveis à taxa de juros, como construção e consumo, podem reagir positivamente.
- Investimentos alternativos: segmentos como fundos imobiliários e ações de crescimento podem se beneficiar do ambiente de juros mais baixos no médio prazo.
O que ainda pode mudar antes de janeiro?
Mesmo com BoA e outras instituições projetando corte da Selic logo no início de 2026, a possibilidade não é unânime. Economistas consultados por outras casas têm destacado que a decisão do Copom de manter a Selic em 15% e uma comunicação cautelosa indicam que há mais variáveis a serem observadas antes de confirmar o movimento.
Também há instituições que apontam para um início de ciclo de cortes só em março de 2026, caso a inflação e o comportamento da atividade econômica não evoluam conforme esperado nos primeiros meses do ano que vem.
Visão geral das projeções do mercado
De forma geral, o mercado financeiro está dividido entre duas linhas de expectativa:
- Corte em janeiro de 2026: projeção revisada por instituições como o Bank of America, com possível redução de 25 a 50 pontos-base já na reunião de janeiro.
- Início do ciclo em março de 2026: cenário considerado mais provável por outros analistas, com ajustes gradativos ao longo do primeiro trimestre.
Essa divisão de expectativas reflete o debate em torno da trajetória da inflação, do ritmo de crescimento econômico, do câmbio e de fatores externos, como decisões de política monetária nos Estados Unidos e na Europa.
Conclusão
As projeções do Bank of America de que o corte da Selic possa ocorrer em janeiro de 2026 ajustam as expectativas do mercado para o futuro próximo da política monetária no Brasil.
Embora ainda haja debate entre economistas e analistas, as perspectivas de queda dos juros condicionam decisões de investimento, crédito e alocação de ativos. Para entender como essas projeções impactam seus investimentos e o cenário econômico, continue lendo o Brasilvest.
Perguntas Frequentes (FAQ)
Por que o BoA revisou a projeção de corte da Selic?
O Bank of America revisou sua projeção para refletir melhoras nas expectativas de inflação e sinais de desaceleração econômica que abrem espaço para um corte em janeiro de 2026.
Quando o mercado espera o primeiro corte de juros no Brasil?
Há expectativa dividida, com projeções indo de janeiro a março de 2026, dependendo dos dados macroeconômicos nos próximos meses.
O que pode impedir o corte em janeiro?
A falta de sinalização clara por parte do Copom, inflação acima da meta ou indicadores econômicos resilientes podem postergar o corte para março ou além.
Como a Selic impacta o mercado financeiro?
A Selic influencia diretamente o custo de empréstimos, investimentos em renda fixa e ações sensíveis à variação de juros.









