Enquanto parte do mercado ainda aposta em um período morno para as criptomoedas, uma grande gestora global vai na contramão do pessimismo. Para a 21Shares, o Bitcoin (BTC) não só deve sobreviver ao próximo ciclo como pode renovar suas máximas históricas em 2026, impulsionado por uma mudança estrutural no perfil dos investidores.
A tese é clara: o Bitcoin está deixando de ser um ativo especulativo de varejo para assumir, de vez, o papel de hedge macro global.
Por que a 21Shares está otimista com o Bitcoin?
Segundo o relatório State of Crypto 2025, a principal mudança está na entrada massiva de investidores institucionais, como bancos, fundos soberanos e governos.
A gestora projeta que o mercado global de ETPs de criptomoedas — produtos negociados em bolsa, como ETFs — deve alcançar US$ 400 bilhões em 2026, um salto de cerca de 60% em relação ao volume atual, estimado em US$ 250 bilhões.
Para efeito de comparação, esse mercado já pode superar, em tamanho, índices tradicionais como o Nasdaq-100.
ETFs estão mudando o ciclo histórico do Bitcoin?
Sim. De acordo com a 21Shares, ETFs e investidores institucionais absorveram em 2025 seis vezes mais bitcoins do que o total minerado no período.
Esse movimento, segundo a gestora, quebrou o ciclo clássico de quatro anos do Bitcoin, baseado em grandes picos seguidos de quedas profundas.
O resultado prático é um ativo:
- Com mais liquidez
- Menos dependente de especulação de curto prazo
- Com correções mais moderadas
Volatilidade menor e correções menos agressivas
Russell Barlow, CEO da 21Shares, destaca que o comportamento do Bitcoin já mudou de forma relevante.
Desde 2024, as quedas a partir das máximas históricas não passaram de 30%, bem abaixo das correções de mais de 60% vistas em ciclos anteriores.
Segundo ele, o Bitcoin:
- Está se comportando menos como um ativo de pequena capitalização
- E mais como um instrumento de proteção macroeconômica
Essa mudança ajuda a sustentar projeções de novas máximas históricas acima de US$ 126 mil, mesmo sem um preço-alvo cravado.
Regulação global abre novas portas
Outro fator decisivo para o otimismo é o avanço regulatório. A SEC, nos Estados Unidos, já analisa mais de 120 pedidos de ETPs envolvendo não só Bitcoin, mas também outros criptoativos relevantes.
Além disso:
- O Reino Unido retirou restrições ao comércio de criptoativos
- Países da Ásia e da América Latina avançam em marcos regulatórios
- Os ETPs caminham para se tornar o padrão global de acesso regulado ao mercado cripto
No mês passado, a própria 21Shares teve dois ETFs aprovados sob a mesma legislação aplicada a fundos tradicionais, o que reforça a institucionalização do setor.
Stablecoins e DeFi também entram no radar
O relatório projeta ainda um crescimento explosivo de outros segmentos do ecossistema cripto.
As stablecoins, por exemplo, podem ultrapassar US$ 1 trilhão em circulação até o fim de 2026, partindo de níveis muito inferiores hoje.
Outros destaques incluem:
- Finanças descentralizadas (DeFi) crescendo de US$ 130 bilhões para US$ 300 bilhões
- Expansão de mercados preditivos
- Avanço de aplicações que combinam blockchain e inteligência artificial
E o Brasil nesse cenário?
No Brasil, a 21Shares estima que US$ 318 bilhões em criptoativos circulem na economia em 2025, sendo 90% em stablecoins.
Pagamentos, remessas internacionais e comércio digital são apontados como os principais motores desse crescimento, impulsionados por um ambiente regulatório mais claro desde 2023.
O que isso significa para o investidor?
A leitura da gestora é direta: o Bitcoin não depende mais apenas de euforia. Ele passa a ser sustentado por:
- Capital institucional
- Infraestrutura regulada
- Uso econômico real
Isso não elimina riscos, mas muda completamente a lógica do ciclo.
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Perguntas Frequentes (FAQs)
O Bitcoin pode mesmo bater novo recorde em 2026?
Segundo a 21Shares, sim, com possibilidade de superar US$ 126 mil.
O que sustenta essa projeção?
Entrada institucional, ETFs, maior liquidez e avanço regulatório.
A volatilidade do Bitcoin diminuiu?
Sim. As correções recentes foram bem menores que em ciclos passados.
ETFs são tão importantes assim?
Sim. Eles ampliam o acesso e absorvem grande parte da oferta disponível.
Stablecoins também crescem?
A projeção é de mais de US$ 1 trilhão em circulação até 2026.
O Brasil participa desse movimento?
Sim. O país é destaque no uso de stablecoins para pagamentos e remessas.









