Quem esperava um alívio nos juros logo em janeiro recebeu um balde de água fria. A ata mais recente do Copom deixou claro que, apesar da melhora na inflação e do esfriamento gradual da economia, o Banco Central prefere manter o pé no freio. O tom foi conservador, cauteloso e suficiente para afastar, ao menos por agora, a chance de um corte imediato da Selic.
O recado foi direto: a política monetária está funcionando, mas ainda não é hora de relaxar.
O que a ata do Copom realmente sinalizou?
Na leitura dos economistas, o Copom reconheceu avanços importantes. A inflação veio melhor do que o esperado e a atividade econômica começa a perder força. Ainda assim, o Comitê reforçou que os riscos inflacionários continuam presentes, especialmente do lado da demanda.
A mensagem central foi de vigilância. O BC deixou explícito que pretende manter a Selic em 15% ao ano por mais tempo, garantindo que o processo de desinflação seja consolidado antes de qualquer mudança de rota.
Por que janeiro ficou mais improvável?
O principal obstáculo segue sendo o mercado de trabalho apertado. Mesmo com sinais de moderação no consumo das famílias, o BC entende que o nível de emprego e renda ainda sustenta pressões inflacionárias.
Além disso, as expectativas de inflação seguem acima da meta em todos os horizontes analisados. Para o Copom, isso exige uma política monetária “significativamente contracionista” por um período prolongado.
Traduzindo: o BC quer mais dados, mais tempo e menos pressa.
A inflação melhorou, mas não o suficiente?
Sim, melhorou. E isso foi reconhecido na ata. O cenário externo mais favorável, especialmente via câmbio, ajudou a reduzir a inflação de bens industriais e alimentos. Também há sinais, ainda lentos, de desaceleração da inflação de serviços.
Mesmo assim, o Comitê deixou claro que não alterou o balanço de riscos. Ou seja, a melhora ainda não gerou conforto suficiente para iniciar cortes.
Março virou o novo consenso do mercado?
Para a maioria dos economistas, sim. A leitura dominante é que o ciclo de cortes deve começar em março, com reduções graduais, provavelmente de 0,50 ponto percentual.
A expectativa é que a Selic encerre 2026 em torno de 12%, mas tudo dependerá da evolução da inflação, das expectativas e, principalmente, do mercado de trabalho.
Ainda existe chance de corte em janeiro?
Existe, mas é pequena. Alguns analistas enxergaram sinais levemente mais flexíveis na ata, como ajustes na linguagem e menor ênfase em expectativas desancoradas. Mesmo assim, faltou algo essencial: qualquer debate explícito sobre início do corte.
Sem guidance, sem sinalização clara e com foco renovado no emprego, janeiro perdeu força.
O que isso muda para o investidor?
Com juros altos por mais tempo, renda fixa segue atrativa, enquanto ativos mais sensíveis ao crédito continuam pressionados. Ao mesmo tempo, o mercado passa a antecipar movimentos futuros, o que pode gerar volatilidade.
Entender o ritmo do BC é essencial para ajustar estratégia e não ser pego de surpresa.
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Perguntas Frequentes (FAQs)
O Banco Central vai cortar juros em janeiro?
Hoje, a chance é baixa. O cenário mais provável é início dos cortes em março.
A inflação já está controlada?
Ela melhorou, mas as expectativas ainda seguem acima da meta, o que preocupa o BC.
Por que o mercado de trabalho pesa tanto?
Porque emprego forte sustenta consumo e pode manter a inflação pressionada.
A Selic vai ficar alta por muito tempo?
Sim. O BC sinaliza manutenção prolongada antes de iniciar cortes.
Juros altos ainda favorecem a renda fixa?
Sim. Enquanto a Selic estiver nesse patamar, a renda fixa segue competitiva.









