A Vale (VALE3) voltou ao radar dos grandes bancos globais — e em tom claramente otimista. O Morgan Stanley elevou a recomendação das ações da mineradora para compra, mesmo após a valorização recente dos papéis, afirmando que o ativo ainda oferece uma relação risco-retorno atrativa no cenário atual.
A leitura do banco é direta: o mercado ainda não precificou todo o potencial da companhia.
Morgan Stanley muda recomendação e eleva preço-alvo
Após uma revisão ampla do setor global de metais, o Morgan decidiu elevar a recomendação dos ADRs da Vale de equalweight (neutra) para overweight (compra).
Além disso, o banco subiu o preço-alvo de US$ 13 para US$ 15, o que representa um potencial de valorização de 17,5% em relação ao último fechamento.
Mesmo com a ação já tendo subido nos últimos meses, os analistas avaliam que ainda há espaço para ganho relevante.
Por que o banco segue otimista com a Vale?
O relatório destaca três pilares principais que sustentam a tese positiva:
- Disciplina na alocação de capital, com foco em eficiência
- Excelência operacional no minério de ferro, principal negócio da companhia
- Crescimento atrativo no cobre, metal estratégico para transição energética
Na visão do banco, a Vale hoje embute no preço um minério de ferro ao redor de US$ 74 por tonelada, enquanto a estimativa de longo prazo do próprio Morgan é de US$ 90 por tonelada — uma diferença relevante.
Menos riscos e mais previsibilidade
Outro ponto importante é a redução significativa dos riscos operacionais.
Segundo os analistas, as incertezas relacionadas a:
- acidentes em barragens
- grandes desembolsos inesperados de caixa
diminuíram consideravelmente nos últimos anos, o que melhora a previsibilidade do fluxo de caixa da empresa.
Dividendos fortes entram no radar
O Morgan Stanley também chama atenção para o potencial de remuneração ao acionista.
O banco projeta um dividend yield de 8,6% em 2026, sustentado pela:
- queda da dívida líquida expandida
- geração consistente de caixa
Além disso, a ação negocia a múltiplos considerados baixos:
- 3,8x EV/Ebitda
- 5,8x Preço/Lucro
- 8,4% de rendimento de fluxo de caixa livre
Na comparação com outras mineradoras globais, a Vale segue descontada.
Commodities podem ajudar ainda mais
No cenário macro, o Morgan vê fatores que podem favorecer o setor:
- Minério de ferro com suporte de preço devido a minas de alto custo na China
- Cobre com perspectiva positiva no curto prazo, diante de oferta restrita
- Alumínio acompanhando o cobre por limitações produtivas
- Ouro com ganhos mais moderados, mas ainda sustentado
- Prata com desempenho inferior ao ouro
Se houver estímulos mais eficazes na China, juros mais baixos nos EUA ou menor tensão comercial, o banco avalia que as ações de mineradoras podem surpreender positivamente.
E os riscos? Eles existem
O principal risco apontado é uma desaceleração mais forte da economia global, causada por:
- aumento das tensões geopolíticas
- escalada de tarifas comerciais
- expansão rápida do projeto Simandou, pressionando o minério
Ainda assim, no balanço geral, o banco entende que os riscos estão mais do que compensados pelo potencial de retorno.
Vale segue no jogo dos grandes
A mensagem do Morgan Stanley é clara:
mesmo após a alta recente, a Vale ainda não é cara — e pode continuar entregando valor ao investidor que busca dividendos, caixa e exposição a commodities estratégicas.
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Perguntas Frequentes (FAQs)
O Morgan Stanley recomenda compra de Vale?
Sim. O banco elevou a recomendação para overweight, equivalente a compra.
Qual o novo preço-alvo da Vale?
US$ 15 para os ADRs, segundo o relatório.
A Vale ainda está barata mesmo após subir?
Segundo o banco, sim. A ação negocia com desconto frente aos pares.
A empresa deve pagar bons dividendos?
Sim. O Morgan projeta dividend yield de 8,6% em 2026.
Quais são os principais riscos?
Desaceleração global e pressão no minério de ferro.









