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quinta-feira, fevereiro 12, 2026
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UE-Mercosul perto do fim? Europa corre para destravar acordo histórico

Depois de mais de 25 anos de negociação, o acordo comercial entre União Europeia e Mercosul voltou ao centro das atenções — e sob forte tensão política. Para tentar destravar a aprovação, líderes europeus decidiram ampliar salvaguardas comerciais, numa tentativa clara de convencer países que ainda resistem ao tratado.

O tema domina as discussões do Conselho Europeu, reunido em Bruxelas, mesmo sem constar oficialmente na pauta. O clima é de urgência, mas o desfecho ainda é incerto.

Por que a União Europeia reforçou as salvaguardas agora?

A principal preocupação de países como França e Itália é o risco de excesso de importações, especialmente de produtos agrícolas vindos do Mercosul. Para contornar esse temor, o Conselho Europeu concordou em endurecer os mecanismos de proteção.

Na prática, se a importação de um produto crescer demais ou se os preços caírem além do aceitável, a UE poderá rever tarifas, suspender benefícios ou aplicar medidas emergenciais.

O detalhe mais sensível está na velocidade:
em setores considerados críticos, a investigação terá prazo máximo de 21 dias.
Nos demais casos, o limite será de quatro meses.

O que mudou nos gatilhos de proteção?

Outra mudança relevante foi no percentual que ativa as salvaguardas. Antes, um aumento de 5% nas importações já poderia acionar o mecanismo. Agora, esse gatilho sobe para 8%, tanto para alta no volume importado quanto para queda de preços.

Além disso, a União Europeia se comprometeu a monitorar preços e volumes de forma mais ativa, tentando identificar distorções antes que elas causem impacto político interno.

Frutas cítricas entraram na lista de monitoramento prioritário, ao lado de uma série de produtos sensíveis.

Quais setores estão no centro da disputa?

A lista de produtos considerados sensíveis é extensa e estratégica. Ela inclui carne bovina, suína e de frango, arroz, açúcar, queijo, ovos, mel, etanol, biodiesel, alho, milho verde, rum e cachaça, entre outros.

São exatamente esses setores que geram maior pressão política dentro da Europa, especialmente entre agricultores e produtores locais.

França e Itália querem adiar a votação?

Sim — e esse é hoje o maior obstáculo.

A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, afirmou que considera prematura a assinatura do acordo agora, argumentando que nem todas as salvaguardas estariam totalmente consolidadas.

Na França, o tom foi ainda mais duro. O presidente Emmanuel Macron deixou claro que, se o acordo for imposto sem consenso, o país irá se opor firmemente.

Apesar disso, a Itália sinalizou que não pretende barrar o tratado de forma definitiva, apenas adiar a decisão para o início de 2026.

Brasil pressiona por aprovação imediata

Do outro lado da mesa, o Brasil endureceu o discurso. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que este é o momento decisivo e que uma rejeição agora pode significar anos sem novas negociações.

A mensagem é direta: se não houver acordo agora, a relação comercial pode esfriar de vez.

Como funciona a votação no Conselho Europeu?

Cada um dos 27 países da União Europeia tem direito a um voto. Para bloquear o acordo, é necessário formar uma minoria de pelo menos quatro países que representem 35% da população do bloco.

Caso Itália, França, Polônia e Hungria se alinhem, o bloqueio se torna viável. Já o apoio ao acordo é liderado por Alemanha, Espanha e a Comissão Europeia.

Se não houver consenso, a votação pode ser adiada, decisão que cabe à Dinamarca, atual presidente do Conselho.

O que acontece se o acordo for aprovado?

Se houver sinal verde, o acordo será assinado durante a cúpula do Mercosul, no Brasil. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, já planeja participar do evento em Foz do Iguaçu.

A implementação será gradual. As tarifas de importação serão reduzidas ao longo de até 15 anos, dependendo do produto.

Mais de 90% dos itens comercializados entre os blocos terão tarifas eliminadas ou reduzidas.

Por que esse acordo é tão importante para o Brasil?

Juntos, União Europeia e Mercosul representam 722 milhões de pessoas e uma economia de cerca de US$ 22 trilhões.

Estudos indicam que o acordo pode gerar crescimento de até 2% na produção do agro brasileiro, o equivalente a US$ 11 bilhões por ano. Carnes, soja, óleos vegetais e café ganham destaque nas exportações.

Enquanto isso, a Europa amplia vendas de produtos como vinhos, azeites, automóveis, medicamentos e vacinas.

Aqui no Brasilvest, acompanhamos cada movimento porque decisões desse porte mexem com câmbio, inflação, exportações e investimentos.

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Perguntas Frequentes (FAQs)

O acordo UE-Mercosul já foi aprovado?

Não. Ele ainda depende de aprovação política dentro da União Europeia.

Por que França e Itália são contra o acordo agora?

Principalmente por receio de concorrência agrícola e impacto sobre produtores locais.

O que são salvaguardas comerciais?

São mecanismos que permitem suspender benefícios se importações crescerem demais ou preços caírem excessivamente.

O acordo beneficia mais quem?

O Brasil ganha acesso ampliado ao mercado europeu; a UE amplia exportações industriais e de alto valor agregado.

Quando o acordo começa a valer se for aprovado?

Após a assinatura, a implementação será gradual, com redução de tarifas ao longo de até 15 anos.

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