0.5 C
Nova Iorque
27.9 C
São Paulo
quinta-feira, fevereiro 12, 2026
spot_img

CRA rende mais e é isento de IR: vale entrar?

Se você quer renda fixa com chance de retorno maior e ainda gosta da ideia de investir em algo ligado ao agronegócio, o CRA pode parecer perfeito. E ele realmente chama atenção por um motivo simples: pessoa física não paga Imposto de Renda sobre os rendimentos.

Só que aqui vai o ponto que muita gente ignora: ele não tem FGC e costuma ter prazo longo e liquidez limitada. Ou seja, dá para ganhar bem, mas você precisa entender como funciona antes de colocar dinheiro.

O que é e por que ele existe?

O CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio) é um título de renda fixa de crédito privado. Na prática, ele “empacota” créditos do agro — como financiamentos e recebíveis ligados a produtores, cooperativas e empresas do setor — e transforma isso em um investimento negociável.

Em outras palavras: ao comprar um CRA, você está comprando o direito de receber pagamentos futuros que vêm de operações do agronegócio.

E sim: ele é “irmão” do CRI, só que o CRI é do setor imobiliário e o CRA é do agro.

Como funciona investir na prática?

O CRA é emitido por securitizadoras, que são empresas especializadas em transformar recebíveis em títulos.

O caminho é mais ou menos assim:

  • o agro gera recebíveis (valores a receber no futuro)
  • a securitizadora compra esses créditos
  • ela emite o CRA para captar dinheiro no mercado
  • o investidor compra o CRA e recebe juros (e às vezes amortizações) conforme o cronograma

Ou seja: o CRA vira um jeito de financiar o setor — e você ganha com isso.

Quais são os principais tipos?

Existem duas estruturas bem comuns, e elas mudam o risco do papel.

Pulverizado: risco “espalhado”

Aqui, o risco fica distribuído entre vários devedores (por exemplo, uma carteira com muitos produtores). Isso pode reduzir o impacto de um único calote.

Ccorporativo: risco concentrado

Nesse caso, o risco fica ligado a uma empresa específica, que usa o dinheiro para financiar produção, operação ou até compra de máquinas. Pode pagar mais, mas costuma ser mais sensível a problemas com a empresa.

Quanto rende um CRA?

A rentabilidade do CRA pode ser:

  • Prefixada (você já sabe a taxa até o fim)
  • Pós-fixada (como % do CDI ou CDI + spread)
  • Indexada à inflação (como IPCA + juros)
  • Em alguns casos, atrelada ao dólar

No geral, o CRA costuma pagar mais do que produtos bancários mais conservadores, justamente porque assume mais risco.

Prazo e liquidez: aqui mora o “cuidado”

A maioria dos CRAs tem prazo longo, frequentemente entre 4 e 10 anos, podendo chegar a 15 anos.

E a regra é dura:

  • normalmente não existe resgate antecipado
  • para sair antes, você precisa vender no mercado secundário
  • e aí entra a marcação a mercado, que pode te fazer vender com lucro… ou prejuízo

Ou seja: CRA é mais para quem consegue segurar até o vencimento.

CRA paga imposto?

Para pessoa física, o grande atrativo é:

  • isenção de IR e IOF sobre os rendimentos

Mas isso não significa “zero burocracia”. Você precisa:

  • declarar o CRA em Bens e Direitos
  • declarar os rendimentos em Rendimentos Isentos e Não Tributáveis

CRA tem FGC?

Não. E isso muda tudo.

O CRA não é coberto pelo FGC, porque não é emitido por banco como um CDB ou uma LCA. Se o devedor não pagar, você pode ter perdas. Por isso, CRA exige análise mais criteriosa.

Quais são os principais riscos do CRA?

  • Risco de crédito: o devedor não pagar
  • Risco de liquidez: dificuldade para vender antes do vencimento
  • Risco de mercado: os preços variam no secundário
  • Risco de juros: mudanças nas taxas afetam o valor do papel
  • Risco do setor: o agro tem ciclos e pode sofrer com preços, clima e custos

Para reduzir esses riscos, o investidor costuma olhar:

  • rating do CRA
  • estrutura da operação
  • garantias (quando existem)
  • qualidade do lastro

CRA ou LCA: qual é melhor?

Os dois são do agro e isentos de IR, mas têm diferença gigante:

  • LCA: emitida por banco e tem FGC
  • CRA: emitido via securitizadora e não tem FGC

Em geral, o CRA tende a pagar mais por causa do risco maior. A LCA costuma ser mais conservadora.

CRA é para todo mundo?

Não. CRA faz mais sentido para quem:

  • aceita crédito privado com risco maior
  • tem horizonte longo
  • não depende de liquidez rápida
  • quer retorno potencial acima da renda fixa mais conservadora

Se você é iniciante, uma alternativa é buscar exposição ao tema via fundos com gestão profissional, para reduzir o risco de concentrar em um único papel.

Em resumo: por que investir em CRA?

Porque pode ser uma forma de:

  • diversificar a carteira
  • ganhar mais retorno na renda fixa
  • aproveitar isenção de IR
  • ter exposição ao agronegócio, que é motor da economia brasileira

Mas sempre lembrando: não tem FGC e não é para dinheiro que você pode precisar amanhã.

Para aprender a montar uma carteira mais inteligente e evitar armadilhas comuns da renda fixa “turbinada”, continue navegando pelo Brasilvest.

Perguntas Frequentes (FAQs)

O que é CRA?

É um título de renda fixa lastreado em recebíveis do agronegócio, emitido por securitizadoras

CRA tem Imposto de Renda?

Para pessoa física, os rendimentos são isentos de IR e IOF

CRA tem garantia do FGC?

Não, CRA não possui cobertura do Fundo Garantidor de Créditos

Posso resgatar CRA antes do vencimento?

Normalmente não. Para sair antes, você precisa vender no mercado secundário

CRA rende mais que LCA?

Em geral, sim, porque o CRA tem mais risco por não ter FGC

spot_img

Artigos Relacionados

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Fique Conectado
20,145FãsCurtir
51,215SeguidoresSeguir
23,456InscritosInscrever
Publicidadespot_img

Veja também

Brasilvest
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.