Uma entidade de karatê recebeu mais de R$ 18 milhões em emendas parlamentares da Assembleia Legislativa de São Paulo desde 2023. Até aí, nada de novo. O problema surge quando uma análise detalhada das prestações de contas aponta indícios de sobrepreço que podem passar de R$ 1,7 milhão. Os valores chamam atenção, levantam dúvidas e colocam deputados, fornecedores e o governo estadual no centro do debate.
Quem recebeu os recursos e para quê?
A Confederação Brasileira de Karatê Interestilos (CBKI) foi beneficiada com repasses para promover competições esportivas e oferecer aulas de artes marciais. Os projetos envolvem eventos em grandes ginásios e atividades em regiões periféricas da capital paulista.
Em um único fim de semana de competição, os custos podem chegar a R$ 1,5 milhão. Já projetos com aulas regulares em três espaços chegam a consumir até R$ 2 milhões em emendas. Enquanto isso, há municípios paulistas que passam anos sem receber um centavo desse tipo de recurso.
Onde surgem os indícios de sobrepreço?
A análise das contas revelou preços muito acima do mercado em itens básicos. Alguns exemplos chamam atenção:
- Kit lanche comprado por R$ 12,96, enquanto os mesmos produtos custam cerca de R$ 5,13 no atacado
- Garrafas de água de 500 ml pagas a R$ 2,59, quando a média em compras públicas gira em torno de R$ 0,95
- Cadeiras plásticas alugadas por R$ 12,54, com valor de mercado próximo a R$ 4,43
- Toalhas de mesa locadas por mais de R$ 87, frente a médias abaixo de R$ 50
Somados, apenas esses itens já indicam um possível excesso de gastos de milhões de reais.
Quem indicou as emendas?
Os maiores repasses partiram de deputados estaduais, principalmente do PL, além de uma ex-parlamentar de outro partido. Todos afirmam não ter conhecimento de irregularidades e dizem que a execução financeira é responsabilidade exclusiva da entidade beneficiada.
A Secretaria de Esportes do governo estadual afirma que todos os projetos passam por análise técnica, seguem tabelas de referência de preços e que medidas administrativas são adotadas caso irregularidades sejam confirmadas.
Relações próximas levantam alertas
Outro ponto que despertou questionamentos envolve relações pessoais entre dirigentes da confederação e servidores responsáveis por avaliar as contas. Registros em redes sociais indicam proximidade, o que levanta dúvidas sobre o distanciamento necessário em processos de fiscalização.
A secretaria, até o momento, não esclareceu se houve impedimentos formais nessas análises.
O que dizem a entidade e os fornecedores?
A CBKI nega qualquer sobrepreço. Afirma que todas as contratações foram feitas após pesquisa com pelo menos três orçamentos, que os valores refletem custos operacionais e que as contas foram aprovadas pelo governo estadual.
Fornecedores também alegam que os preços incluem logística, mão de obra, frequência das entregas e qualidade dos produtos.
Por que esse caso importa para o contribuinte?
Porque estamos falando de dinheiro público, que poderia ser distribuído de forma mais equilibrada entre cidades, projetos e áreas prioritárias. Quando há suspeitas de sobrepreço, cresce a desconfiança e a pressão por mais transparência.
O caso mostra como emendas parlamentares, embora legais, exigem fiscalização rigorosa para evitar distorções e desperdício de recursos.
Conclusão: atenção redobrada e cobrança por respostas
As suspeitas envolvendo contratos da entidade de karatê expõem fragilidades na gestão e no acompanhamento das emendas. Mesmo com negativas oficiais, os números levantam dúvidas legítimas.
Para quem acompanha política e uso do dinheiro público, esse é um tema que merece atenção constante. Quer seguir por dentro de bastidores, investigações e análises que impactam seu bolso? Continue navegando pelo Brasilvest.
Perguntas Frequentes (FAQs)
O que são emendas parlamentares estaduais?
São recursos do orçamento que deputados podem direcionar a projetos e entidades específicas.
Existe comprovação de irregularidade?
Há indícios de sobrepreço, mas até o momento não há condenação ou decisão definitiva.
Quem fiscaliza o uso dessas emendas?
As secretarias responsáveis analisam os projetos, e órgãos de controle podem investigar suspeitas.
A entidade pode ser punida?
Sim, caso irregularidades sejam confirmadas, podem ocorrer sanções administrativas e devolução de recursos.









