A Cogna (COGN3) saiu do quase esquecimento para se tornar a ação que mais subiu na Bolsa em 2025. A empresa acumulou valorização de cerca de 240% no ano, um movimento que chamou atenção até dos investidores mais céticos.
Depois de anos de forte volatilidade e desconfiança do mercado, a antiga Kroton virou o jogo. E, segundo o CEO Roberto Valério, o movimento está longe de ser apenas especulativo.
O que explica a virada histórica da Cogna?
Para Valério, o salto da ação reflete algo simples: o mercado finalmente reconheceu um trabalho que vem sendo feito há quatro anos.
A Cogna passou por uma reestruturação profunda, focada em enxugar operações, abandonar negócios pouco rentáveis e explorar melhor competências que já existiam dentro da empresa. O resultado foi uma companhia mais leve, eficiente e com margens melhores.
Negócio com governos virou motor de crescimento
Um dos pilares dessa virada foi a entrada mais forte no modelo B2G, com venda de material didático para governos estaduais e municipais.
Antes, a Cogna faturava algo entre R$ 30 milhões e R$ 40 milhões por ano nesse segmento. Em 2024, esse número saltou para R$ 300 milhões e, em 2025, a expectativa é chegar a R$ 400 milhões.
A estratégia foi usar a mesma expertise aplicada em sistemas privados de ensino, como Anglo e PH, para desenvolver soluções específicas para a educação pública.
“Servir a escola” em vez de operá-la
Outro ponto-chave foi a decisão tomada em 2021: parar de operar escolas de educação básica. A Cogna vendeu essas unidades e passou a focar em fornecer sistemas de ensino, conteúdos e serviços educacionais.
Essa mudança reduziu riscos, custos fixos e necessidade de investimentos pesados. Segundo o CEO, o capex da empresa está praticamente estável há quatro anos, algo raro em companhias de educação.
Modelo mais digital e menos pesado
No ensino superior, a Cogna também fez ajustes importantes. Cerca de 35% dos campi foram fechados, especialmente aqueles que operavam no limite do prejuízo.
A estratégia incluiu a redução de cursos presenciais pouco eficientes e a expansão de modelos híbridos e digitais, mantendo presencialidade apenas onde faz sentido, como em medicina, odontologia, enfermagem e direito.
O resultado foi claro: menos inadimplência, custos menores e margens mais altas quando a receita cresce.
Resultados fizeram o mercado “cair a ficha”
A virada de percepção veio com os números. A Cogna conseguiu cumprir todas as metas estabelecidas em 2020, entregando mais de R$ 2 bilhões em Ebitda e R$ 1 bilhão em caixa operacional.
Esses dados mostraram que a recuperação não era apenas discurso. Foi aí que a ação disparou.
Regulação e 2026 preocupam?
Mesmo com mudanças regulatórias exigindo mais presencialidade no ensino a distância, Valério vê impacto limitado. A transição obrigatória só ocorre a partir de 2027 e a empresa já tem estrutura física para absorver a demanda.
Além disso, o aumento de custo para o aluno não deve ser suficiente para provocar evasão relevante.
Alta sustentável ou voo de galinha?
Para o CEO, a resposta é direta: não é voo de galinha.
A Cogna hoje opera com crescimento consistente, linhas de negócio que avançam cerca de 15% ao ano e sem depender de aquisições. Para 2026, a empresa mantém otimismo, mesmo com incertezas macroeconômicas e eleitorais.
A mensagem do comando é clara: a empresa mudou — e o mercado percebeu isso.
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Perguntas Frequentes (FAQs)
Quanto a Cogna subiu na Bolsa em 2025?
A ação acumulou valorização de aproximadamente 240% no ano.
O que motivou essa alta?
Reestruturação operacional, foco em negócios rentáveis e melhora consistente dos resultados.
A Cogna ainda atua no ensino superior?
Sim, mas com modelo mais digital e menos dependente de cursos presenciais deficitários.
A alta pode continuar em 2026?
Segundo a empresa, sim. A operação segue funcionando bem e com crescimento orgânico.
O risco regulatório preocupa?
A empresa afirma estar preparada para as mudanças previstas a partir de 2027.









