Poucas horas antes da reunião entre Donald Trump e Volodimir Zelenski, a Rússia elevou a pressão no campo de batalha. Moscou anunciou avanços militares no leste da Ucrânia, numa movimentação vista por analistas como recado direto à mesa de negociações.
Segundo o Ministério da Defesa russo, tropas de Vladimir Putin teriam tomado seis localidades na região de Donetsk, incluindo áreas consideradas estratégicas para a logística ucraniana. Kiev contestou parte das informações, mas observadores militares do próprio país confirmaram ao menos a principal derrota.
Por que o avanço russo agora chama tanta atenção?
O timing é o ponto central. A ofensiva foi anunciada horas antes do encontro entre Trump e Zelenski, marcado para discutir uma versão revisada do plano de paz para encerrar a guerra que já dura quase quatro anos.
Na prática, o movimento sugere tentativa de fortalecer a posição russa nas negociações. Mesmo que parte dos relatos seja inflada, imagens georreferenciadas indicam que Moscou ampliou o controle territorial, especialmente em áreas próximas a centros logísticos ucranianos.
O que aconteceu no leste da Ucrânia?
A cidade de Mirnohrad, na região de Donetsk, teria caído após cerca de três meses de cerco, um tempo bem menor do que o observado em batalhas anteriores. Outra localidade próxima resistiu apenas algumas semanas.
Esse ritmo acelerado reforça a percepção de desgaste da capacidade defensiva ucraniana em um dos trechos mais disputados da frente de batalha, que se estende por cerca de mil quilômetros.
Ataques recentes aumentaram a pressão sobre Kiev?
Sim. Na véspera do encontro diplomático, a Rússia lançou ataques em larga escala com mísseis e drones, atingindo infraestrutura energética da Ucrânia. Em Kiev, houve mortos, dezenas de feridos e novos apagões em pleno inverno.
A crise energética é apontada como a mais grave desde o início da invasão, em 2022, e aumenta a urgência por algum tipo de acordo, mesmo diante de impasses profundos.
O que Trump e Zelenski vão discutir?
Zelenski levou aos Estados Unidos um plano revisado de 20 pontos, elaborado como resposta a uma proposta inicial americana que tinha forte alinhamento com interesses russos. A nova versão contempla mais demandas de Kiev, mas ainda enfrenta rejeições claras de Moscou.
Entre os pontos mais sensíveis está a questão territorial. A Rússia exige reconhecimento das áreas anexadas ilegalmente em 2022 e reivindica o controle total do Donbass. Já a Ucrânia rejeita qualquer acordo que congele linhas de batalha sem garantias de segurança robustas.
Por que a questão territorial trava a paz?
Putin deixou claro que não aceita concessões parciais em Donetsk e Lugansk. Em outras regiões, como Zaporíjia e Kherson, há sinais de possível negociação, mas sem compromissos públicos.
Além disso, Moscou rejeita a presença de forças internacionais de paz, enquanto Kiev insiste em garantias externas para evitar novos ataques no futuro. Esse impasse transforma qualquer acordo em um jogo de alto risco político e militar.
Há chance real de acordo neste momento?
Analistas veem o cenário como extremamente delicado. Para Putin, parar a guerra só faz sentido se o acordo puder ser vendido internamente como vitória. Para Zelenski, aceitar perdas territoriais sem garantias pode ser politicamente inviável.
O presidente ucraniano já indicou que, se houver concessões relevantes, uma consulta popular pode ser necessária, o que adiciona ainda mais incerteza ao processo.
Conclusão
O avanço militar anunciado pela Rússia não é apenas um movimento de guerra, mas também uma peça de pressão diplomática. Às vésperas de um encontro decisivo entre Trump e Zelenski, Moscou tenta chegar à mesa de negociações em posição de força. O resultado pode definir não só os próximos meses do conflito, mas o futuro da segurança europeia.
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Perguntas Frequentes (FAQs)
A Rússia realmente conquistou novas áreas?
Parte dos relatos foi contestada, mas observadores independentes confirmam ao menos uma derrota relevante da Ucrânia no leste.
Por que o anúncio ocorreu antes da reunião diplomática?
O movimento é visto como tentativa de pressionar as negociações e fortalecer a posição russa.
O plano de paz já está definido?
Não. Há versões em debate, mas vários pontos seguem rejeitados por Moscou.
A guerra pode acabar em 2026?
Ainda é incerto. As exigências territoriais e de segurança seguem como grandes obstáculos.
Zelenski pode consultar a população sobre o acordo?
Sim. Ele afirmou que qualquer acordo com concessões pode exigir consulta popular.









