Mesmo com o fim do processo contra Jair Bolsonaro, o Supremo Tribunal Federal já se prepara para atravessar 2026 sob forte pressão política. Ministros avaliam que o ano eleitoral, especialmente a disputa pelo Senado, deve manter a Corte como alvo central de campanhas, discursos e projetos que questionam sua atuação.
Nos bastidores, a leitura é clara: o Supremo continuará no centro do embate político, com pedidos de impeachment, propostas de código de conduta e novos desgastes institucionais moldando a dinâmica interna do tribunal ao longo do próximo ano.
Por que o STF segue na mira em ano eleitoral?
Ministros do STF avaliam que candidaturas ao Senado em 2026 devem explorar críticas diretas à Corte como estratégia eleitoral. Estimativas internas apontam que ao menos 12 senadores podem ser eleitos com discurso abertamente hostil ao Supremo.
Embora integrantes do tribunal não acreditem que haja votos suficientes para aprovar impeachments de ministros, a expectativa é de pressão contínua, com o tema dominando o debate público durante a campanha.
Inquéritos abertos viram escudo político?
Nesse cenário, a manutenção de inquéritos que miram o bolsonarismo é vista por parte da Corte como instrumento de defesa institucional. Permanecem abertos procedimentos como o das fake news e o das milícias digitais, concentrados no gabinete de Alexandre de Moraes.
Apesar das críticas sobre a duração e o alcance dessas investigações, ministros avaliam que encerrá-las em ano eleitoral poderia fragilizar o tribunal, justamente quando a pressão tende a aumentar.
Gilmar Mendes e o freio nos pedidos de impeachment
A tensão entre os Poderes ganhou novo capítulo quando Gilmar Mendes restringiu o avanço de pedidos de impeachment contra ministros no Senado. Em decisão liminar, ele estabeleceu que apenas o chefe da Procuradoria-Geral da República, hoje Paulo Gonet, poderia apresentar essas demandas.
Após reação do Legislativo, houve recuo parcial e negociação envolvendo a elevação do quórum para abertura desses processos. O episódio aprofundou os atritos institucionais no fim de 2025 e deixou marcas para 2026.
Código de conduta divide os próprios ministros
Outro ponto sensível é a discussão sobre a criação de um código de conduta para ministros do STF. O presidente da Corte, Edson Fachin, vê a iniciativa como forma de reduzir pressão externa e aumentar previsibilidade.
Já parte dos ministros teme que regras formais possam aumentar vulnerabilidades políticas, sendo usadas como instrumento de ataque em momentos de crise.
Caso Master amplia desgaste do Supremo
A imagem do STF também foi impactada por questionamentos envolvendo o caso Master. Reportagens apontaram contatos entre ministros e autoridades ligados à negociação do banco, além de relações profissionais entre advogados e membros da Corte.
Esses episódios passaram a ser explorados por políticos de oposição como símbolo de desgaste institucional, alimentando discursos contra o tribunal em ano pré-eleitoral.
Senado vira peça-chave no embate com o STF?
Aliados de Bolsonaro defendem a estratégia de ampliar a bancada de direita no Senado em 2026, com projeções de até 50 dos 81 senadores alinhados a pautas críticas ao Supremo. Nesse desenho, a presidência da Casa seria prioridade, com nomes como Rogério Marinho citados como possíveis candidatos ao cargo.
Para ministros do STF, mesmo sem maioria para impeachments, esse cenário garante conflito permanente entre os Poderes.
Eleições sob novo comando no TSE
As eleições de 2026 serão conduzidas por Tribunal Superior Eleitoral, que passará a ser presidido por Kassio Nunes Marques a partir de agosto, após a saída de Cármen Lúcia.
Embora não se espere alinhamento ao bolsonarismo, há expectativa de postura menos rígida em temas como combate à desinformação e regras de pré-campanha, o que pode alterar o clima institucional.
Conclusão
Mesmo com o encerramento do processo contra Bolsonaro, o STF entra em 2026 sob pressão constante. O ano eleitoral, a disputa pelo Senado e a manutenção de inquéritos sensíveis indicam que a Corte seguirá como protagonista — e alvo — do jogo político. O risco de novos choques institucionais permanece alto.
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Perguntas Frequentes (FAQs)
O STF deixará de ser alvo após o fim do processo contra Bolsonaro?
Não. Ministros avaliam que o ano eleitoral manterá a Corte no centro do debate político.
Há chance real de impeachment de ministros?
É considerada baixa, mas o tema deve ser explorado eleitoralmente.
Por que os inquéritos seguem abertos?
Parte do STF vê essas investigações como forma de proteção institucional.
O que é o caso Master?
É um episódio envolvendo relações entre ministros, advogados e a venda de um banco, usado politicamente para criticar a Corte.
O TSE pode mudar sua atuação em 2026?
Há expectativa de ajustes, especialmente em regras de pré-campanha e plataformas digitais.









