Com o avanço das criptomoedas, termos como blockchain, token e ativos digitais passaram a fazer parte do vocabulário do investidor. Entre eles, um dos mais importantes — e também mais confusos — é o ICO, sigla para Initial Coin Offering. Mas afinal, o que é um ICO e como ele funciona na prática?
A seguir, você confere um guia completo, direto e atualizado para entender como nascem novos criptoativos, quais são os riscos envolvidos e quando esse tipo de investimento pode ou não fazer sentido.
O que é um ICO, afinal?
ICO significa Initial Coin Offering, ou oferta inicial de ativos virtuais. Na prática, é uma forma de captação de recursos usada por projetos baseados em blockchain.
Funciona de maneira semelhante a um IPO, mas com uma diferença essencial:
em vez de vender ações de uma empresa, o projeto vende tokens ou criptomoedas recém-criados.
O objetivo pode ser:
- lançar uma nova moeda digital
- financiar o desenvolvimento de uma plataforma
- viabilizar um serviço ou produto baseado em blockchain
O investidor entra com criptomoedas e recebe, em troca, tokens que podem ou não se valorizar no futuro.
Tokens são moedas? Nem sempre
No universo cripto, token não é sinônimo de moeda. Token é uma representação digital de algum valor, direito ou utilidade dentro de um ecossistema.
Os principais tipos são:
- Utility tokens, que dão acesso a produtos ou serviços
- Tokens de governança, que permitem votar em decisões do projeto
- Equity tokens, que representam participação no negócio
- Security tokens, que podem ser considerados valores mobiliários
Essa classificação é crucial, porque define se o ativo será ou não regulado.
ICO é regulamentado no Brasil?
Depende do tipo de token. No Brasil, a Comissão de Valores Mobiliários analisa se o token se enquadra como valor mobiliário.
Se for considerado um contrato de investimento coletivo — com expectativa de retorno gerado pelo esforço de terceiros — ele passa a estar sob fiscalização da CVM.
Na prática, a maioria dos ICOs não é regulada, o que aumenta tanto o potencial de ganho quanto os riscos.
Quem faz ICOs e por quê?
ICOs costumam ser realizados por:
- startups em estágio inicial
- desenvolvedores de blockchain
- projetos que não teriam acesso fácil ao sistema bancário tradicional
Eles escolhem esse modelo porque:
- exige menos burocracia
- tem baixo custo inicial
- permite captar recursos globalmente
- dispensa intermediários financeiros
Para o investidor, isso significa acesso antecipado — e risco elevado.
Onde acontecem os ICOs hoje?
Atualmente, a maioria dos ICOs acontece em plataformas especializadas de lançamento, conhecidas como launchpads. Elas funcionam como uma vitrine e fazem algum nível de filtragem dos projetos.
É cada vez mais raro encontrar ICOs totalmente independentes ou lançados diretamente por grandes exchanges.
Quais são as etapas de um ICO?
Um ICO geralmente passa por algumas fases essenciais:
- definição do projeto e da proposta de valor
- formação da equipe
- criação do whitepaper, documento que explica tudo
- definição do token, sua função e oferta
- campanha de divulgação
- período de captação
Muitos projetos fracassaram no passado justamente por não entregar o que prometeram, o que tornou o mercado mais cauteloso.
Exemplos famosos de ICOs
Alguns ICOs entraram para a história:
- Ethereum: lançou a base para milhares de tokens e mudou o mercado
- NXT: um dos primeiros ICOs, extremamente lucrativo
- Celsius: focado em empréstimos cripto, arrecadou milhões
Esses casos mostram o potencial, mas também não representam a regra.
ICO é igual a IPO?
Não. As diferenças são profundas.
No IPO:
- há empresa estruturada
- há fiscalização rígida
- há obrigações legais
- há transparência financeira
No ICO:
- pode não existir empresa formal
- não há garantia de entrega
- a regulação é limitada
- o risco é significativamente maior
Por isso, ICO não é investimento tradicional.
Quais são os principais riscos de um ICO?
Os riscos são altos e precisam ser levados a sério:
- fraudes e golpes
- projetos que nunca saem do papel
- falta de liquidez
- perda total do capital investido
- manipulação de preços (pump and dump)
- falhas de custódia e segurança
Em muitos casos, não há a quem recorrer se algo der errado.
Então vale a pena investir em ICO?
A resposta é simples: depende do perfil do investidor.
Especialistas recomendam:
- investir apenas valores que não farão falta
- estudar profundamente o projeto
- avaliar a equipe, a proposta e a utilidade real do token
- desconfiar de promessas irreais
Em raros casos, um pequeno valor pode gerar retornos enormes. Na maioria, o projeto simplesmente não sobrevive.
Conclusão
ICOs foram uma revolução no mercado cripto, mas também deixaram um rastro de fracassos. Hoje, continuam existindo, porém em um ambiente mais cauteloso e seletivo. Para quem entende os riscos, pode ser uma aposta estratégica. Para quem busca segurança, não é o caminho ideal.
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Perguntas Frequentes (FAQs)
O que significa ICO?
ICO é a sigla para Initial Coin Offering, oferta inicial de ativos virtuais.
ICO é regulamentado no Brasil?
Depende. Apenas tokens considerados valores mobiliários entram na alçada da CVM.
Qual a diferença entre token e criptomoeda?
Criptomoeda é um tipo de token, mas nem todo token é uma moeda.
Dá para perder todo o dinheiro em um ICO?
Sim. Esse é um dos principais riscos.
ICO ainda existe em 2026?
Sim, mas com mais cautela e menos euforia do que no passado.









