O Brasil está, mais uma vez, a poucos passos de um objetivo perseguido há mais de 25 anos: vender carne bovina para o Japão. O anúncio de que o país asiático fará uma auditoria sanitária em março de 2026 reacendeu o otimismo do governo e do setor produtivo, que veem nessa etapa um divisor de águas para finalmente destravar um dos mercados mais rigorosos e valiosos do planeta.
A inspeção será conduzida por técnicos do Ministério da Agricultura, Florestas e Pesca do Japão e não se limitará a frigoríficos específicos. O foco será avaliar todo o sistema sanitário brasileiro, algo que mostra o nível de exigência imposto pelos japoneses e ajuda a explicar por que o processo se arrasta por tanto tempo.
Uma negociação que atravessa décadas e governos
A tentativa brasileira de acessar o mercado japonês começou no fim dos anos 1990. Desde então, o país esbarrou em barreiras sanitárias rigorosas, protocolos técnicos complexos e exigências que poucos exportadores no mundo conseguem cumprir.
O principal entrave, durante muitos anos, foi a febre aftosa. O Japão só negocia com países considerados livres da doença sem vacinação, um status que o Brasil só conquistou oficialmente no início de 2025, após décadas de investimentos em vigilância sanitária.
Essa conquista abriu caminho para a retomada das negociações e para o avanço que agora se materializa na auditoria prevista para 2026.
Auditoria será concentrada no Sul do país
O plano inicial do governo japonês é começar a avaliação pelos três estados do Sul: Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Esses estados foram os primeiros a conquistar o status de área livre de febre aftosa sem vacinação, antes mesmo do reconhecimento nacional.
A auditoria, chamada de “final de sistema”, vai analisar desde controles sanitários até rastreabilidade, inspeção oficial e capacidade de resposta a eventuais riscos. Só após essa etapa o Japão poderá decidir pela abertura do mercado.
Por que o Japão é tão estratégico para o Brasil
Do ponto de vista econômico, o Japão representa muito mais do que volume. Trata-se de um mercado que paga caro, valoriza qualidade e funciona como um selo global de credibilidade.
Conseguir vender carne bovina para os japoneses é visto pelo setor como uma espécie de certificação máxima. Uma vez aprovado, o Brasil tende a ganhar ainda mais espaço em outros mercados premium da Ásia.
Além disso, o país asiático é hoje o terceiro maior importador mundial de carne bovina, dominado principalmente por Estados Unidos e Austrália, que já cumprem há anos os protocolos exigidos.
Consumo menor, mas com alto valor agregado
O consumo per capita de carne bovina no Japão é relativamente baixo, cerca de 6,9 kg por pessoa ao ano, muito inferior ao dos Estados Unidos. Ainda assim, o mercado é altamente atrativo porque o preço pago é elevado e a demanda é focada em cortes de maior valor.
Para o Brasil, isso significa menos foco em volume e mais em rentabilidade, imagem e posicionamento internacional.
Setor vê abertura como marco histórico
Produtores e entidades do agronegócio enxergam a possível abertura do mercado japonês como um divisor de águas. Estados como Mato Grosso, que concentram grandes rebanhos, apostam que o acesso ao Japão pode elevar o padrão médio de remuneração da carne brasileira.
Hoje, o Brasil possui um dos maiores rebanhos do mundo, mas ainda busca ampliar sua presença em mercados considerados de altíssimo padrão sanitário.
O que ainda pode atrasar o processo
Apesar do otimismo, o histórico ensina cautela. O Japão é conhecido por processos longos, detalhistas e sem concessões. Qualquer falha identificada pode adiar a decisão por meses ou até anos.
Mesmo assim, o fato de a auditoria já ter data marcada é visto como o avanço mais concreto das últimas décadas.
Se você quer acompanhar como esse movimento pode impactar o agronegócio, exportações e a economia brasileira, continue navegando pelo Brasilvest.
Perguntas Frequentes (FAQs)
Por que o Japão nunca comprou carne bovina do Brasil?
Por causa de exigências sanitárias rigorosas, principalmente ligadas à febre aftosa.
O que mudou em 2025 para destravar as negociações?
O Brasil conquistou o status de país livre de febre aftosa sem vacinação.
Quando o Japão fará a auditoria no Brasil?
A inspeção está prevista para março de 2026.
Quais estados serão avaliados primeiro?
Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.
O Japão é um mercado grande para carne bovina?
Em volume, não tanto, mas é altamente valorizado e paga preços elevados.









