Na madrugada de 3 de janeiro de 2026, enquanto Caracas ainda dormia, o tabuleiro geopolítico da América Latina foi virado de uma só vez. Em menos de 30 minutos, forças dos Estados Unidos capturaram Nicolás Maduro, retiraram o ditador de um bunker fortificado e o levaram diretamente para Nova York, onde ele passou a responder por acusações de narcoterrorismo internacional.
A reação global foi imediata, barulhenta e previsível. Discursos sobre “golpe”, “imperialismo” e “violação da soberania” tomaram conta do debate público. Ainda assim, para quem vinha acompanhando os sinais da política internacional, o desfecho não foi surpresa, mas sim a execução de um plano anunciado há meses.
A pergunta que realmente importa não é o que os Estados Unidos fizeram. É outra bem mais incômoda: o Brasil entendeu o que acabou de acontecer?
Maduro não caiu do nada, o regime já estava quebrado
Para compreender o episódio, é preciso separar fatos de narrativas convenientes. A Venezuela deixou de ser uma democracia funcional há muitos anos. Hugo Chávez chegou ao poder pelo voto, mas desmontou o sistema por dentro. Reescreveu regras, aparelhou instituições e abriu caminho para um autoritarismo consolidado.
Quando Maduro assumiu, em 2013, herdou essa máquina e a levou ao limite. As eleições de 2024 foram amplamente contestadas. A oposição foi perseguida, jornalistas silenciados e adversários políticos presos. O resultado foi uma tragédia social: quase 8 milhões de venezuelanos forçados a deixar o país, a maior crise migratória da história das Américas.
Nesse cenário, insistir que ainda havia uma “solução democrática” passou a ser uma ficção diplomática.
Narcotráfico, alianças hostis e o ponto sem retorno
Além do colapso institucional, a Venezuela se transformou em um ativo estratégico para potências hostis aos EUA. Rússia, Irã, China, Cuba e até grupos ligados ao Hezbollah passaram a operar, direta ou indiretamente, no país.
Maduro já era indiciado desde 2020 por envolvimento com o Cartel de los Soles, acusado de usar o Estado venezuelano como plataforma para o narcotráfico internacional. A partir daí, a pergunta deixou de ser “se” algo aconteceria e passou a ser “quando”.
A captura de Maduro não foi improviso. Foi a remoção de uma peça que já comprometia todo o equilíbrio regional.
A hipocrisia do discurso internacional escancarada
Quando Barack Obama autorizou a morte de Osama bin Laden, foi celebrado. Quando Bill Clinton bombardeou a Sérvia, foi tratado como estadista. Já quando Donald Trump capturou um ditador vivo para julgamento, virou “bárbaro”.
A incoerência é evidente. A política internacional não é regida por boas intenções, mas por poder. E quando o diálogo se esgota, a força entra em cena — não porque seja bonita, mas porque é real.
A mensagem militar foi para além da Venezuela
A operação deixou um recado claro. Sistemas de defesa russos foram neutralizados em minutos. Forças especiais atuaram sem baixas. Maduro foi retirado sem banho de sangue. O alvo não era só Caracas, mas também Moscou, Pequim e Teerã.
A mensagem foi direta: não existe bunker inviolável, nem aliado intocável.
Esse aviso muda completamente a lógica de atuação no hemisfério ocidental e marca, na prática, o retorno da Doutrina Monroe, que volta a ser aplicada sem disfarces.
E onde entra o Brasil nesse novo cenário?
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva condenou o uso da força e defendeu uma solução negociada. O problema é que essa negociação já não existia. Foi esvaziada por anos de complacência, ambiguidade e relativização de fraudes.
A geopolítica não reage a notas diplomáticas. O recado vindo de Caracas é simples: o tempo da neutralidade acabou. Em um mundo organizado por zonas de influência, fingir isenção é escolher a irrelevância.
Venezuela não é só notícia, é alerta
Democracias corroídas por dentro entram em uma zona perigosa. Instituições capturadas, oposição criminalizada e eleições esvaziadas criam um caminho sem volta. A Venezuela é o exemplo extremo, mas não o único.
Ignorar isso é perder a função do aviso.
O tabuleiro mudou. As peças estão sendo reposicionadas. E quem não se mover a tempo vai pagar o preço. Para acompanhar análises que fogem do óbvio e ajudam a entender o jogo real do poder, continue navegando pelo Brasilvest.
Perguntas Frequentes (FAQs)
A prisão de Maduro foi um golpe?
O argumento contrário aponta que o regime já havia rompido com a democracia ao fraudar eleições e eliminar a oposição.
Por que os EUA decidiram agir agora?
A Venezuela se tornou um ativo estratégico para adversários dos EUA, envolvendo narcotráfico e alianças militares hostis.
O Brasil corre riscos com essa mudança?
Sim. A ambiguidade diplomática pode custar influência e espaço em um mundo mais polarizado.
A ONU poderia ter resolvido a situação?
O Conselho de Segurança está paralisado por vetos de China e Rússia, o que inviabilizou qualquer ação efetiva.
Esse cenário impacta as eleições brasileiras?
Analistas veem reflexos diretos no debate político e nas eleições de 2026.







