O Brasil chegou ao fim de 2025 com uma história diferente da que muita gente esperava no começo do ano. A inflação oficial caminhou de um jeito que contrariou as projeções do mercado, e isso tem um motivo bem claro: alguns preços despencaram e aliviaram a conta, enquanto outros continuaram subindo e mantiveram a sensação de que “tá tudo caro”.
No fim de 2024 e no início de 2025, o clima era de pessimismo. Dólar pressionando, preocupação com clima, atividade econômica forte e medo de que o Banco Central não desse conta de controlar a inflação. Para você ter uma ideia, o primeiro Boletim Focus de 2025 apontava inflação perto de 4,99% e câmbio em R$ 6 no fim do ano.
Só que, ao longo de 2025, “coisas boas aconteceram”, como resumiram economistas. E o principal “alívio” veio de um lugar que pesa direto no orçamento: comida dentro de casa.
Por que a inflação perdeu força ao longo do ano
Um dos motores dessa desaceleração foi o subgrupo alimentação no domicílio. No início do ano, a projeção era de alta de 5,8%, chegou a piorar para 7% no meio do caminho, e depois caiu para uma estimativa de apenas 2,3% em 2025.
O que mudou? Principalmente preços agropecuários mais moderados do que se imaginava. Safras vieram melhores, eventos climáticos que poderiam estragar plantações não se confirmaram e isso aumentou oferta. Teve ainda o efeito de aumento de oferta doméstica de proteínas em um período, o que também ajudou a segurar preços.
Além disso, outros pontos colaboraram para conter a inflação: real mais forte frente ao dólar, o ambiente de comércio internacional e juros altos, que esfriam parte do consumo.
Os preços que mais caíram em 2025 e ajudaram a segurar a inflação
Quando a gente olha para os itens que mais puxaram a inflação para baixo, aparece um “vilão do passado” virando mocinho: alimentos.
Metade dos 10 itens que mais ajudaram a conter o índice foi do grupo de comida, com destaque para:
- laranja-pera: -27,21%
- batata-inglesa: -26,57%
- arroz: -24,24%
Esses itens, em média, tiveram uma queda relevante e ajudaram a reduzir o custo da cesta, principalmente para famílias de renda menor, que gastam proporcionalmente mais com alimentação.
Outro grupo que apareceu como destaque foi o de bens duráveis (eletrodomésticos, móveis, eletrônicos). Esse tipo de produto costuma sentir rápido quando os juros ficam altos, porque o crédito encarece. Com isso, a demanda diminui e as empresas são pressionadas a dar desconto para girar estoque. O recuo médio citado para esse grupo foi de 3,5% no período analisado.
Em resumo: teve, sim, alívio em partes importantes do carrinho. Só que não foi isso que dominou a sensação das pessoas no dia a dia.
Os preços que mais subiram em 2025 e apertaram o orçamento
Do lado que mais incomoda, dois grupos foram os grandes responsáveis por manter a inflação “viva”: serviços livres e preços monitorados.
E aqui entra o fator que muita gente sente sem ver no extrato: mercado de trabalho aquecido. Com desemprego baixo, a demanda por serviços segue firme e os preços demoram mais para desacelerar. O dado citado foi uma taxa de desemprego de 5,2% no trimestre encerrado em novembro, a menor da série histórica iniciada em 2012.
Por isso, vários itens de serviços aparecem entre os que mais contribuíram para a inflação, como:
- aluguel residencial
- refeição
- lanche
- ensino fundamental
- empregado doméstico
- condomínio
Eles têm um peso grande no orçamento e, juntos, registraram inflação média de 6,2% no período citado, acima do alvo de 3%.
E tem um caso que virou símbolo em 2025: café. O produto subiu 43,27% no ano até novembro, num movimento associado a choque de oferta (safra, clima e câmbio). Ou seja, não foi “culpa do crédito”, foi falta de produto e pressão externa.
“Se a inflação caiu, por que eu ainda sinto tudo caro?”
Porque o bolso não zera a memória. Mesmo que 2025 tenha trazido uma melhora, os alimentos carregam um histórico pesado: desde 2020, a alta acumulada de comida dentro de casa ficou bem acima da inflação média.
E tem um detalhe cruel: salários costumam ser corrigidos pelo IPCA. Então, quando a comida sobe muito acima do índice geral por anos seguidos, o poder de compra cai. Resultado: muita gente precisou cortar outras coisas para manter o básico.
Por isso, mesmo com alguns preços caindo em 2025, a sensação de aperto continua, porque o nível de preços ainda está alto quando você compara com alguns anos atrás.
O que esperar da inflação em 2026
2026 deve ser um ano de atenção redobrada. É ano eleitoral, e isso pode trazer medidas que colocam dinheiro em circulação e aumentam pressão sobre preços. Ao mesmo tempo, existem fatores que podem ajudar ou atrapalhar:
clima e safras, que mexem direto com alimentos
câmbio, que afeta itens importados e combustíveis
juros, que seguram ou soltam consumo
mercado de trabalho, que influencia serviços
A leitura geral é que o Banco Central segue sendo visto como comprometido com a meta, mas o jogo não está ganho. O caminho mais provável, segundo analistas citados, é um IPCA parecido com 2025, com espaço para alívio em alguns pontos, mas ainda com riscos no radar.
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Perguntas Frequentes (FAQs)
A inflação de 2025 ficou dentro da meta?
A expectativa é que tenha ficado dentro do intervalo de tolerância, com desaceleração em relação a 2024
Quais itens mais ficaram baratos em 2025?
Alimentos como laranja-pera, batata e arroz tiveram quedas fortes e ajudaram a segurar a inflação
O que mais subiu e pesou no bolso?
Serviços como aluguel e alimentação fora de casa, além do café, que teve alta bem expressiva
Por que serviços sobem mesmo quando alimentos caem?
Com desemprego baixo e demanda firme, os preços de serviços tendem a demorar mais para desacelerar
O que pode mexer com a inflação em 2026?
Clima, safras, câmbio, juros e o mercado de trabalho, além do ambiente político por ser ano eleitoral









