O mercado de trabalho dos Estados Unidos deve mostrar sinais claros de desaceleração em dezembro, reforçando a leitura de que a maior economia do mundo entrou em um período de crescimento com menos geração de empregos. A expectativa é de que tenham sido criadas cerca de 60 mil vagas fora do setor agrícola, abaixo das 64 mil registradas em novembro, segundo levantamento da Reuters com economistas.
Mesmo com a perda de fôlego na criação de postos de trabalho, a projeção é de queda da taxa de desemprego para 4,5%, um movimento que tende a sustentar a aposta de que o Federal Reserve manterá os juros inalterados na reunião deste mês.
O que está por trás da desaceleração do emprego nos EUA?
Economistas avaliam que o mercado de trabalho americano entrou em um modo descrito como “não contrata, não demite”. A economia segue crescendo, mas as empresas adotaram uma postura defensiva diante de incertezas relacionadas a tarifas de importação, custos elevados e mudanças estruturais provocadas pelo avanço da inteligência artificial.
Segundo Sal Guatieri, economista da BMO Capital Markets, o problema não é exatamente falta de demanda. O receio maior está ligado ao controle de custos e à expectativa de ganhos de produtividade com automação, o que reduz a urgência por novas contratações.
Inteligência artificial impulsiona produtividade, mas freia vagas
O crescimento econômico e o avanço da produtividade no terceiro trimestre foram atribuídos, em parte, ao boom de investimentos em IA. Esse movimento ajuda empresas a produzirem mais com menos trabalhadores, reforçando a tendência de expansão sem geração expressiva de empregos.
Na prática, a economia americana cresce, mas sem espalhar o crescimento pelo mercado de trabalho, um cenário que vem sendo observado com atenção por autoridades monetárias e investidores.
Números mostram perda de ritmo ao longo do ano
Se confirmada a estimativa de dezembro, o mercado de trabalho terá criado menos de 1 milhão de empregos em todo o ano passado, um número bem abaixo dos cerca de 2 milhões registrados em 2024. Em outubro, a economia chegou a perder 105 mil postos, a maior queda em quase cinco anos, influenciada por desligamentos no setor público federal.
Economistas calculam que seriam necessárias entre 50 mil e 120 mil vagas por mês apenas para acompanhar o crescimento da população em idade ativa. O dado reforça que o desempenho atual está no limite inferior do necessário para manter o equilíbrio do mercado.
Tarifas e imigração pesam sobre o mercado de trabalho
Analistas atribuem parte da desaceleração às políticas comerciais e migratórias do presidente Donald Trump. Segundo essa leitura, as tarifas reduziram tanto a demanda quanto a oferta de trabalho, enquanto restrições migratórias limitaram a entrada de novos trabalhadores.
Esse efeito combinado ajudou a evitar uma disparada ainda maior da taxa de desemprego, mesmo com menor ritmo de contratações.
Desemprego recua, mas cenário ainda inspira cautela
Após subir de 4,4% em setembro para 4,6% em novembro — maior nível em mais de quatro anos —, a taxa de desemprego deve recuar para 4,5% em dezembro. Parte da alta recente foi distorcida por paralisações do governo federal, que também afetaram a coleta de dados em outubro.
Para o mercado, o dado reforça a leitura de que o Federal Reserve não tem pressa para cortar juros, mas também não vê necessidade imediata de novas altas.
Por que esse dado importa para mercados globais?
O relatório de emprego dos EUA é um dos indicadores mais acompanhados do mundo. Ele influencia decisões de juros, comportamento do dólar, bolsas globais e até mercados emergentes como o Brasil.
Por isso, entender esse movimento é essencial para quem investe e acompanha economia internacional. Para análises práticas e impacto direto nos investimentos, vale continuar navegando pelo Brasilvest.
Perguntas Frequentes (FAQs)
Quantos empregos os EUA devem ter criado em dezembro?
A estimativa é de cerca de 60 mil vagas fora do setor agrícola.
A taxa de desemprego vai cair?
Sim. A projeção é de recuo para 4,5%.
Por que as empresas estão contratando menos?
Por cautela com custos, tarifas e avanço da automação via inteligência artificial.
O Fed deve mexer nos juros agora?
O cenário reforça a expectativa de manutenção dos juros neste mês.
Esse dado afeta mercados globais?
Sim. Impacta dólar, bolsas, juros e decisões de investimento no mundo todo.









