FELIZ ANO NOVO!
Encerramos mais um ano que testou convicções, expôs excessos, trouxe receios e nos fez aprender a lidar com nossas emoções na hora de investir, mas que, acima de tudo, reforçou uma verdade simples: o longo prazo continua sendo o maior aliado do investidor.
Não vou aqui narrar fatos porque o mercado é feito de expectativas futuras, mas fazendo um breve balanço do ano, não dá para falar de 2025 sem citar a alternância de poder na Casa Branca e todas as expectativas que foram criadas em torno das mudanças de política econômica nos EUA; nem deixar de falar do papel de destaque que a Inteligência Artificial ganhou em nossas vidas e no noticiário econômico e de investimentos. Olhando para os mercados, tivemos um cenário de juros ainda elevados em contexto histórico e a constante discussão acerca de suas reduções; foi um ano de expansão de retornos globais, com diversas bolsas do mundo apresentando boa performance; foi mais um ano em que as empresas de tecnologia roubaram a cena na bolsa americana.
Enfim, entendo que não foi um ano de euforia – foi um ano de escolhas. E, nesses momentos, informação de qualidade, estratégia e diversificação internacional deixam de ser discurso e passam a ser necessidade.
Na Avenue, acreditamos que investir fora do Brasil não é sobre prever o próximo movimento do mercado. É sobre construir resiliência, proteger patrimônio e acessar economias, empresas e moedas que tragam benefícios de diversificação real à poupança dos brasileiros.
Que 2026 nos encontre menos ansiosos por manchetes e mais comprometidos com o processo. Menos reativos e mais estratégicos. O capital respeita quem tem método, paciência e visão global.
Obrigado pela confiança, pela leitura e pela jornada compartilhada ao longo do ano. Seguimos juntos, com os pés no presente e os olhos no futuro.
Boas festas e um excelente novo ano.
A SEMANA QUE PASSOU

A semana que passou foi mais curta devido às comemorações de ano novo. Ainda assim, tivemos a Ata do último encontro do Comitê de Política Monetária do Fed, o FOMC.
ATA DO FOMC
A ata da reunião do Federal Reserve (Fed), divulgada na terça-feira (30), revelou profundas divergências entre os membros do comitê em relação aos cortes de juros. Parte dos dirigentes teme que reduções adicionais pudessem transmitir uma sinalização de menor compromisso com a meta de inflação de 2%, preferindo esperar por mais evidências econômicas antes de prosseguir com novos ajustes nas taxas.
A decisão de reduzir os juros na reunião de 9 e 10 de dezembro foi tomada após debates intensos, com discordâncias não só quanto ao timing ideal para o corte, mas também sobre as perspectivas para a economia. Alguns participantes julgavam mais apropriado manter a faixa da taxa básica inalterada, devido aos riscos de uma inflação mais persistente se consolidar.
Em suma, ela reforçou a ideia de pausa nos cortes de juros para a próxima reunião em janeiro.
A QUESTÃO DA VENEZUELA
Mas o grande tema desses primeiros dias de 2026 é a questão da Venezuela.
Os Estados Unidos realizaram uma operação militar em território venezuelano, com ataques aéreos em Caracas e outras regiões, resultando na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa. A ação, anunciada pelo presidente Donald Trump, visava remover Maduro do poder e levá-lo a julgamento em Nova York por acusações de tráfico de drogas. A intervenção gerou condenações internacionais de governos latino-americanos, Cuba e outras potências globais, além de protestos mundiais contra a ação dos EUA, enquanto o governo norte-americano justificou a medida como necessária para restaurar a democracia e combater o narcotráfico na região – além de ter sido celebrada por muitos venezuelanos espalhados pelo mundo.
Dito isso, qual o impacto econômico para os mercados?
A riqueza mineral do país. A Venezuela possui relevância devido às suas vastas reservas naturais, especialmente de petróleo. O país detém as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, estimadas em cerca de 303 bilhões de barris, superando até mesmo as da Arábia Saudita (vide gráfico abaixo), além de depósitos substanciais de gás natural, com aproximadamente 200 trilhões de pés cúbicos, posicionando-o como o sexto maior no ranking global. Para além do petróleo, no setor de mineração, destacam-se suas reservas de ouro, com mais de 8 mil toneladas estimadas e 161 toneladas métricas em reservas oficiais, além de outros minerais como elementos de terras raras, que são cruciais para indústrias de alta tecnologia, e depósitos de ferro, bauxita e coltan. Esses recursos posicionam a Venezuela como um ator-chave no suprimento global de commodities energéticas e minerais.

Importância econômica atual. Apesar de toda essa riqueza, a Venezuela enfrentou uma deterioração acentuada em sua economia nas últimas décadas, com o PIB encolhendo drasticamente devido a políticas de gestão inadequadas, hiperinflação, subinvestimento e sanções internacionais. Entre 2013 e 2023, o PIB do país caiu mais de 70%, passando de um dos maiores da América Latina para níveis de pobreza extrema, com milhões de cidadãos emigrando. A produção de petróleo, principal pilar econômico, sofreu um colapso ainda mais pronunciado: de cerca de 3 milhões de barris por dia em 2013, despencou para apenas 742 mil barris por dia em 2023 – uma redução de 70% – agravada por falta de manutenção em infraestruturas, corrupção, entre outros. Nos últimos 5 anos houve uma recuperação, mas ainda assim a produção da Venezuela representa cerca de 1% da produção global.

Impactos no mercado?
A intervenção dos EUA na Venezuela pode gerar impactos voláteis nos mercados financeiros, especialmente influenciados pelas ações no setor de petróleo, que representa o cerne da economia local. No curto prazo, as tensões geopolíticas podem elevar os preços do ouro como ativo de refúgio, assim como pode-se estimar que o dólar possa se fortalecer temporariamente como moeda segura, embora a ação americana gere cautela entre investidores.
Para a bolsa, o impacto recai sobre o setor específico de petróleo e gás, com as ações desse segmento tendendo a performar bem na esteira da expectativa de uma nova frente de investimentos. Essa expectativa deve catalisar os ativos do setor e de toda cadeia de suprimentos para exploração e refino de petróleo, sendo esse setor o mais beneficiado no curto prazo.
Por outro lado, vale a ressalva de que a reabertura e eventual exploração futura de petróleo na Venezuela possa manter os preços de petróleo pressionados. Quanto aos juros, vemos o evento como tendo pouco potencial de impacto real nas decisões do Federal Reserve.
E para o seu portfólio?
Em conclusão, diante de eventos como a intervenção na Venezuela, o pragmatismo e a disciplina na alocação de capital emergem como princípios fundamentais para investidores. Em vez de reações impulsivas a volatilidades de curto prazo, uma alocação estrutural bem diversificada entre classes de ativos permite mitigar riscos geopolíticos, priorizando retornos consistentes e preservação de valor ao longo do tempo. Ao invés de rever ou alterar inteiramente seu portfólio, foque em manter a consistência e disciplina de alocação, sendo mais ativo e menos reativo às notícias e eventos econômicos.

IMPACTOS NO MERCADO
A SEMANA QUE SE INICIA
O foco dessa semana recai sobre o mercado de trabalho. Teremos dados que ajudarão a trazer uma atualização de cenário a respeito do mercado de trabalho americano – ADP e JOLTS na quarta-feira, e Payroll na sexta-feira. Abaixo está o calendário de eventos econômicos da semana.










