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A trajetória da Microsoft é conhecida por seus grandes sucessos, mas poucos sabem o quanto a empresa precisou mudar de rota, abandonar antigas convicções e enfrentar crises profundas para chegar ao patamar em que está hoje: avaliada em quase US$ 4 trilhões e líder absoluta em nuvem e inteligência artificial.
De conflitos antitruste à reinvenção total de seu modelo de negócios, a história da companhia — contada no novo episódio do programa Tech Riders, com o especialista Pedro Carvalho, da Empiricus Asset — mostra que até gigantes precisam se reinventar.
Como dois jovens mudaram o destino dos computadores?
Em 1975, Bill Gates e Paul Allen enxergaram algo que ninguém via: que os computadores pessoais só ganhariam função real se tivessem um software capaz de torná-los acessíveis. Foi aí que criaram o interpretador BASIC para o Altair 8800, abrindo caminho para o início da Microsoft.
Esse movimento simples — mas extremamente ousado — colocou a empresa no mapa da revolução tecnológica que estava prestes a começar.
O acordo com a IBM que transformou a Microsoft no “pedágio” da era do PC
A grande virada aconteceu com a proposta da IBM: criar um sistema operacional para o novo computador da empresa.
Sem ter um software próprio, a Microsoft comprou o 86-DOS por cerca de US$ 100 mil, adaptou o código e entregou à IBM o PC-DOS.
Mas Bill Gates fez o movimento que mudaria tudo: convenceu a empresa a deixá-lo vender sua própria versão, o famoso MS-DOS, para outros fabricantes.
A IBM não imaginava que outros começariam a clonar seu PC. Mas foi exatamente o que aconteceu. E todos precisavam do MS-DOS.
Assim, a Microsoft se tornou o ponto obrigatório de passagem da era do computador pessoal.
Quando o império quase ruiu: a ameaça Netscape e o processo antitruste
O primeiro grande susto da Microsoft veio com o surgimento do Netscape, navegador que permitia rodar programas direto da internet — algo que reduziria o papel central do Windows.
Para barrar a ameaça, a empresa embutiu o Internet Explorer gratuitamente no sistema operacional e fechou parcerias de exclusividade com fabricantes de PCs.
A estratégia funcionou comercialmente, mas chamou a atenção do governo dos Estados Unidos, que abriu um dos maiores processos antitruste da história moderna.
O impacto interno foi devastador:
– A cultura corporativa se tornou paralisada pelo medo
– A empresa deixou de inovar
– Assistiu Google dominar buscas, Apple reinventar o celular e Facebook criar as redes sociais
Foi a chamada “década perdida”.
A transformação silenciosa que ninguém percebeu
Enquanto o público via fracassos como Windows Vista e Windows Phone, algo importante acontecia nos bastidores.
Sob comando de Steve Ballmer, a Microsoft começou a se tornar uma máquina de lucro com produtos corporativos, como Exchange e SQL Server — base que sustentaria sua virada.
Paralelamente, Satya Nadella trabalhava em um projeto que mudaria o destino da empresa: Azure, sua plataforma global de nuvem.
Ballmer aceitou apostar bilhões de dólares nesse projeto, contrariando a lógica interna que colocava o Windows no centro de tudo.
Satya Nadella assume e muda tudo — de verdade
Em 2014, Nadella assume como CEO e dá início à maior transformação da história da Microsoft.
Ele percebeu que insistir no Windows seria um erro fatal. E então tomou a decisão mais ousada da empresa:
Abandonar a ideia de que o mundo deveria rodar Windows, e passar a construir a infraestrutura de nuvem que rodaria o mundo inteiro — independentemente do sistema operacional.
Esse movimento abriu caminho para três vitórias gigantes:
– A consolidação da Azure como uma das maiores nuvens do planeta
– O crescimento explosivo do segmento corporativo
– A liderança na corrida da inteligência artificial, impulsionada por parcerias estratégicas
Hoje, a Microsoft disputa o topo das big techs com Alphabet, Amazon, Meta e Apple, deixando para trás a década de estagnação.
E, como destaca o especialista Pedro Carvalho, essa história ainda está longe de terminar.
Conclusão: da crise à liderança global — a reinvenção que fez a Microsoft dominar o futuro da tecnologia
De quase perder relevância nos anos 2000 a dominar a nuvem e a IA, a trajetória da Microsoft mostra que inovação verdadeira nasce da coragem de mudar — e até de reconhecer que está tudo errado.
Se quiser continuar acompanhando as histórias por trás das gigantes da tecnologia — e o impacto disso no mercado — continue navegando pelo Brasilvest.
Perguntas Frequentes (FAQs)
Por que a Microsoft quase entrou em colapso nos anos 2000?
O processo antitruste e a chegada de concorrentes como Google, Apple e Facebook travaram a inovação e deixaram a empresa presa ao passado.
O que salvou a Microsoft na década perdida?
A virada para o mercado corporativo e a visão de longo prazo que começou a moldar a plataforma Azure.
Qual foi o papel de Satya Nadella na transformação?
Ele abandonou a obsessão pelo Windows e colocou a empresa no centro da computação em nuvem e da inteligência artificial.
Como o acordo com a IBM impulsionou a Microsoft?
Permitiu que a empresa vendesse o MS-DOS para qualquer fabricante, tornando-a essencial na era do PC.
Por que a Microsoft aparece no Panama Papers?
Ricardo Magro foi citado por possuir offshores — mas esse ponto é relacionado ao caso da Refit, não à Microsoft.
(Essa FAQ não entra no caso Magro; mantemos somente conteúdo sobre Microsoft.)
A Microsoft é hoje a empresa mais valiosa do mundo?
Ela disputa o topo entre as big techs globais e frequentemente figura entre as duas primeiras posições.









