As ações de petroleiras dos Estados Unidos dispararam no pré-mercado após uma declaração explosiva do presidente Donald Trump. Ao afirmar que os EUA pretendem “administrar” a Venezuela depois da captura de Nicolás Maduro, Trump mexeu diretamente com as expectativas do setor de energia — e o mercado respondeu na hora.
Os papéis da Chevron chegaram a subir até 10%, liderando os ganhos entre as gigantes do petróleo. Outras empresas do setor, como ConocoPhillips e Exxon Mobil, também registraram forte valorização.
A leitura dos investidores é clara: se os EUA passarem a ter influência direta sobre a Venezuela, o acesso às maiores reservas de petróleo do planeta pode mudar completamente o jogo para as petroleiras americanas.
Por que a Chevron liderou a alta na Bolsa?
A Chevron é vista como a empresa mais bem posicionada para se beneficiar de qualquer mudança no controle do setor petrolífero venezuelano. Diferente de outras gigantes globais, a companhia nunca saiu completamente do país, mesmo após a nacionalização de ativos estrangeiros no início dos anos 2000.
Atualmente, a Chevron opera na Venezuela com licença especial do governo dos EUA, o que permite perfurar e exportar petróleo mesmo sob sanções. Com a fala de Trump, o mercado passou a precificar um cenário em que a empresa teria vantagem imediata para expandir operações e produção.
Outras petroleiras também têm bilhões em jogo
Além da Chevron, outras gigantes acompanham o cenário de perto. A ConocoPhillips tem mais de US$ 8 bilhões a receber da Venezuela, referentes à expropriação de ativos no passado. Já a Exxon Mobil ainda tem cerca de US$ 1 bilhão em disputas arbitrais internacionais ligadas à nacionalização de seus negócios no país.
Esse histórico explica por que, apesar da alta das ações, as empresas adotam tom cauteloso. A ConocoPhillips afirmou que ainda é cedo para especular sobre novas atividades comerciais, enquanto a Exxon já sinalizou que avaliaria oportunidades com prudência, justamente por experiências anteriores traumáticas.
O petróleo da Venezuela pode impactar os preços globais?
Analistas ponderam que o efeito não será imediato. Apesar de concentrar as maiores reservas do mundo, a Venezuela responde hoje por menos de 1% da oferta global de petróleo. Anos de sanções, falta de investimentos e deterioração da infraestrutura reduziram drasticamente a capacidade produtiva do país.
Segundo operadores do mercado, seriam necessários anos de investimentos pesados para recuperar campos, oleodutos e refinarias antes que o petróleo venezuelano volte a fluir em grande escala.
Risco político ainda pesa nas decisões
Outro ponto central é a incerteza jurídica e fiscal. Um país administrado por um governo temporário apoiado pelos EUA, sem regras claras, ainda representa um risco elevado para investimentos bilionários.
Mesmo assim, a simples possibilidade de mudança estrutural já foi suficiente para impulsionar as ações e reacender o apetite dos investidores por empresas ligadas ao setor de energia.
O movimento mostra como declarações políticas podem mexer fortemente com os mercados, especialmente quando envolvem recursos estratégicos como o petróleo.
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Perguntas Frequentes (FAQs)
Por que as ações da Chevron subiram tanto?
Porque a empresa é a única grande petroleira dos EUA que ainda opera na Venezuela e pode se beneficiar rapidamente de uma mudança de controle no país.
Trump confirmou que os EUA vão assumir a Venezuela?
Não. Ele falou em “administrar” o país, o que foi interpretado pelo mercado como sinal de maior controle político e econômico.
ConocoPhillips e Exxon também podem ganhar?
Sim, mas ambas ainda têm pendências bilionárias e adotam postura mais cautelosa.
O petróleo da Venezuela vai baixar os preços globais?
No curto prazo, não. A produção atual é baixa e a infraestrutura está deteriorada.
Esse cenário é positivo para investidores?
Gera oportunidades, mas também aumenta a volatilidade e os riscos ligados à política internacional.








