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sexta-feira, janeiro 9, 2026
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Agricultores franceses bloqueiam Paris contra acordo UE-Mercosul e doenças bovinas

Antes do amanhecer desta quinta-feira (8), agricultores em tratores iniciaram protestos em diversas ruas e pontos turísticos de Paris. A manifestação visa expressar a insatisfação com o acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul, além de outras demandas relacionadas à política agrícola francesa.

Os protestos, convocados por diversos sindicatos agrícolas, são motivados pela iminente negociação de um acordo de livre comércio entre a UE e países sul-americanos, que, segundo os agricultores, pode levar à importação de alimentos mais baratos. Há também discordâncias sobre a gestão de uma doença contagiosa que afeta o gado bovino.

“Estamos entre o ressentimento e o desespero. Temos uma sensação de abandono, e o Mercosul é um exemplo disso”, declarou Stéphane Pelletier, dirigente do sindicato Coordination Rurale, próximo à Torre Eiffel. Conforme informações divulgadas, os manifestantes, em seus tratores, romperam bloqueios policiais e circularam pela avenida Champs-Élysées, chegando a bloquear a via ao redor do Arco do Triunfo.

Bloqueios e Congestionamentos nas Rodovias

A mobilização se estendeu para as rodovias de acesso à capital, com dezenas de tratores bloqueando vias importantes. A rodovia A13, que liga os subúrbios do oeste e a Normandia a Paris, foi uma das mais afetadas, resultando em cerca de 150 quilômetros de congestionamento, de acordo com o ministro dos Transportes, Philippe Tabarot. Essa ação aumenta a pressão sobre o governo do presidente Emmanuel Macron.

Demanda por Mudanças nas Políticas Agrícolas

Além da oposição ao acordo Mercosul, os agricultores franceses pedem o fim da política de abate de bovinos como resposta à doença da dermatite nodular. Eles consideram essa medida excessiva e defendem a vacinação como alternativa. Outras reclamações incluem os altos custos de produção e a regulamentação considerada excessiva por parte do governo. O ministro dos Transportes, Philippe Tabarot, afirmou que a polícia estava evitando confrontos, ressaltando que “os agricultores não são nossos inimigos”.

Posição Francesa e Votação do Acordo

A França tem historicamente se oposto firmemente ao acordo com o Mercosul. Mesmo após a obtenção de concessões de última hora, a posição final de Macron ainda não é clara. O acordo é um tema politicamente sensível, especialmente com as eleições municipais de março e o bom desempenho da extrema direita nas pesquisas para a eleição presidencial de 2027. A porta-voz do governo, Maud Brégeon, declarou à rádio France Info que “este tratado ainda não é aceitável”, sem especificar se Macron votará a favor, contra ou se abstém.

A ministra francesa da Agricultura, Annie Genevard, indicou que, mesmo com o apoio de outros países da UE, a França continuará a combater o acordo no Parlamento Europeu, cuja aprovação também é necessária para a sua entrada em vigor. Países como Alemanha e Espanha apoiam o acordo, e a Comissão Europeia parecia próxima de obter o aval da Itália, o que garantiria votos suficientes para a aprovação, com ou sem o apoio francês. A votação sobre o acordo estava prevista para esta sexta-feira (9).

Perguntas Frequentes

O que é o acordo UE-Mercosul?

É um acordo de livre comércio negociado entre a União Europeia e os países do bloco sul-americano Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai).

Quais são as principais reclamações dos agricultores franceses?

Eles protestam contra a possível importação de alimentos mais baratos, a gestão de doenças em gado bovino e as regulamentações e custos de produção.

Qual a posição do governo francês sobre o acordo?

A França tem se mostrado resistente ao acordo, com o governo declarando que ele “ainda não é aceitável”, embora a decisão final de Macron sobre o voto ainda não seja conhecida.

Quando o acordo UE-Mercosul será votado?

A votação estava prevista para esta sexta-feira (9) entre os Estados-membros da União Europeia.

Quais as consequências do acordo para os agricultores europeus?

Os agricultores temem que o acordo leve a uma concorrência desleal devido à importação de produtos com custos de produção potencialmente menores de países do Mercosul.

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