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quarta-feira, janeiro 7, 2026
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Argentina vive 2025 entre risco de calote, ajustes duros e sinais de recuperação — e 2026 começa com otimismo no radar

A Argentina voltou ao centro do radar dos investidores globais em 2025. Sob o comando do ultraliberal Javier Milei, o país atravessou um ano marcado por temor de calote, medidas econômicas duras, polêmicas políticas e, ao mesmo tempo, avanços concretos nos principais indicadores macroeconômicos.

Depois de quase uma década de crise, recessão e perda de credibilidade, o governo argentino começou a mostrar resultados que sustentam um otimismo cauteloso para 2026, ainda que os riscos estejam longe de desaparecer.

Ajustes severos e reação social marcaram o início do governo

A transição do ex-presidente Alberto Fernández para Milei, em 2024, não foi tranquila. Cortes de subsídios, redução de gastos sociais e uma agenda liberal agressiva colocaram sindicatos e movimentos sociais nas ruas ao longo de 2025.

Além disso, denúncias envolvendo Diego Spagnuolo, ex-chefe da ANDIS, e a citação de Karina Milei, irmã do presidente, em um suposto esquema com uma farmacêutica ligada à agência, adicionaram ruído político a um ambiente já instável.

Mesmo assim, o governo manteve o rumo das reformas.

Inflação despenca e economia começa a respirar

Apesar do desgaste político, os números começaram a jogar a favor do governo. A inflação, que havia fechado 2024 em torno de 118%, desacelerou de forma expressiva em 2025 e deve encerrar o ano próxima de 30%. Para 2026, as projeções apontam algo em torno de 18%, segundo estimativas de bancos internacionais.

Outro dado relevante foi a melhora das reservas internacionais. Após terminar 2024 no vermelho, o país caminha para fechar 2025 com saldo positivo próximo de US$ 6 bilhões, um avanço importante para um país historicamente pressionado pela falta de dólares.

FMI, apoio externo e alívio temporário

Um ponto de virada no ano foi o acordo de US$ 20 bilhões com o Fundo Monetário Internacional firmado em abril. O financiamento ajudou a sustentar o pacote de reformas e deu fôlego ao Banco Central argentino.

Em meio às incertezas eleitorais, a ajuda externa ganhou reforço com um swap cambial de US$ 20 bilhões viabilizado com apoio do presidente dos EUA, Donald Trump. O movimento foi interpretado como um sinal político relevante de respaldo internacional ao governo Milei.

Eleições legislativas surpreendem e fortalecem Milei

Outro fator decisivo para melhorar o humor do mercado foi o resultado das eleições legislativas de 2025. O partido La Libertad Avanza conquistou 92 cadeiras na Câmara e 19 no Senado, além de formar uma coalizão com forças de centro e centro-direita.

O resultado reduziu o risco de paralisia política e abriu espaço para novas reformas estruturais em 2026, especialmente nas áreas trabalhista e tributária.

O que ainda falta para a Argentina destravar o crescimento

Apesar dos avanços, os desafios seguem grandes. Um dos principais problemas é a alta informalidade, que atinge entre 45% e 50% da força de trabalho, limitando arrecadação e sustentabilidade fiscal.

A proposta do governo é flexibilizar regras de contratação para pequenas e médias empresas, incentivando a formalização. Já a reforma tributária deve ser mais complexa, pois depende de acordos com províncias e municípios.

Reservas, dívida e o fantasma do calote

O maior risco estrutural continua sendo o setor externo. A Argentina precisa pagar cerca de US$ 44 bilhões ao FMI até 2027, enquanto o volume de reservas líquidas ainda é considerado frágil.

Analistas avaliam que um calote clássico é improvável, mas não descartam uma reestruturação da dívida, possivelmente com novo apoio do FMI. A chave para 2026 será recuperar a confiança dos investidores e voltar ao mercado internacional de crédito.

2026: otimismo cauteloso, mas vigilante

A Argentina entra em 2026 como um carro potente, mas ainda com pouco combustível. As reformas avançaram, a inflação cedeu e o cenário político ficou mais favorável ao governo.

O mercado vê o país com otimismo cauteloso: há espaço para melhora, mas o sucesso dependerá da continuidade das reformas, do acúmulo de reservas e da disciplina fiscal.

Para acompanhar os impactos desse cenário na economia regional e nos investimentos, continue navegando pelo Brasilvest.

Perguntas Frequentes (FAQs)

A Argentina corre risco de calote em 2026?

O risco existe, mas analistas consideram mais provável uma reestruturação da dívida do que um calote direto.

A inflação realmente caiu na Argentina?

Sim. A inflação desacelerou fortemente em 2025 e a tendência é de nova queda em 2026.

O governo Milei saiu fortalecido politicamente?

Sim. O resultado das eleições legislativas deu mais apoio ao governo no Congresso.

O que os investidores esperam agora?

Avanço das reformas, melhora das reservas internacionais e retorno ao mercado global de crédito.

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