O ataque dos Estados Unidos à Venezuela e a captura de Nicolás Maduro reacenderam discussões sensíveis no mercado global de energia. Dono da maior reserva de petróleo do mundo, o país sul-americano volta ao centro do tabuleiro geopolítico — e isso pode significar petróleo mais barato nos próximos meses, segundo análise do Centro Brasileiro de Infraestrutura e Energia (CBIE).
Para o Brasil, o efeito pode ser duplo. Combustíveis mais baratos beneficiariam consumidores e a inflação. Já para a Petrobras (PETR3; PETR4), o cenário inspira cautela.
Por que a Venezuela pode mexer tanto com o preço do petróleo
Segundo Pedro Rodrigues, diretor e sócio-fundador do CBIE, a simples expectativa de retorno da Venezuela ao mercado internacional já é suficiente para pressionar os preços para baixo. O mercado se move por antecipação, e a possibilidade de mais oferta global entra rapidamente na conta dos investidores.
No entanto, ele pondera que a retomada da produção venezuelana não seria imediata. O país já produziu entre 3 e 4 milhões de barris por dia, mas voltar a esse patamar exige tempo, investimentos e estabilidade política.
Além disso, o petróleo venezuelano é pesado, tem menor valor agregado e custo de extração mais alto, exigindo o uso de diluentes. Isso torna o processo mais complexo e menos competitivo no curto prazo.
Oferta maior em um mundo com demanda em queda
O momento global reforça a tese de preços mais baixos. O mundo vive uma redução gradual da demanda por petróleo, ao mesmo tempo em que novas fontes de oferta surgem. Se a Venezuela conseguir atrair investimentos estrangeiros, reduzir sanções e colocar produção no mercado, o efeito tende a ser claro: mais petróleo disponível e preços pressionados.
Rodrigues avalia que, em um cenário de normalização política, a Venezuela poderia voltar a receber capital internacional e reativar sua infraestrutura energética. Isso, somado à possível redução de tensões globais, cria um ambiente propício para barril mais barato no curto e médio prazo.
Rússia, Ucrânia e o efeito dominó no mercado de energia
Outro fator citado pelo diretor do CBIE é o conflito entre Rússia e Ucrânia. Uma eventual resolução da guerra poderia liberar ainda mais oferta de petróleo e gás no mercado internacional, reforçando a tendência de queda nos preços.
Mesmo que nada disso se concretize rapidamente, a especulação já começou. A captura de Maduro, por si só, pode influenciar contratos futuros e expectativas, derrubando o preço do barril antes mesmo de qualquer mudança real na produção.
O impacto direto para a Petrobras e para o Brasil
Na visão de Rodrigues, petróleo mais barato pode ser positivo para o Brasil, desde que a Petrobras siga a paridade internacional de preços. Isso significaria combustíveis mais baratos para o consumidor final.
Por outro lado, o cenário não é favorável para a estatal. A Petrobras vem se beneficiando de um ambiente de preços elevados do petróleo. Uma queda consistente no valor do barril pode reduzir receitas, pressionar o balanço financeiro e afetar a dívida da companhia.
Em resumo, o que alivia o bolso do brasileiro pode apertar o caixa da Petrobras — um dilema clássico em momentos de virada no ciclo das commodities.
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Perguntas Frequentes (FAQs)
O ataque à Venezuela pode mesmo derrubar o preço do petróleo
Sim. A expectativa de aumento de oferta global já influencia o mercado e pode pressionar os preços.
A Venezuela consegue voltar rápido a produzir em grande escala
Não. A retomada exige tempo, investimentos e estabilidade política.
Petróleo mais barato é bom para o Brasil
Pode ser, pois reduz o preço dos combustíveis e ajuda no controle da inflação.
E para a Petrobras, o impacto é positivo
Não necessariamente. Preços mais baixos reduzem receita e podem afetar o balanço da empresa.
O mercado já reage antes das mudanças acontecerem
Sim. O mercado de petróleo se move fortemente por expectativas e especulação.









