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sábado, janeiro 10, 2026
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Ataques coordenados miram Banco Central e investigadores no caso Banco Master

Uma ofensiva digital coordenada envolvendo ao menos 46 perfis nas redes sociais passou a atacar de forma simultânea o Banco Central do Brasil e investigadores ligados ao caso Banco Master. O movimento ganhou força depois que a autoridade monetária barrou a venda do banco ao BRB e a disputa avançou para o Supremo Tribunal Federal e o Tribunal de Contas da União.

Segundo apuração, os ataques já vinham ocorrendo durante a análise do negócio, mas se intensificaram nos últimos dias, em meio à chamada “guerra jurídica” travada entre investigadores e advogados do Banco Master. O padrão chama atenção pelo volume, sincronização e repetição de narrativas críticas à atuação técnica do BC e ao processo de liquidação da instituição.

Perfis de fofoca e conteúdo viral entram no centro da campanha

Um dos pontos mais curiosos do episódio é o perfil dos influenciadores mobilizados. Muitos deles são páginas de fofoca, humor e entretenimento, sem histórico de atuação em temas econômicos, regulatórios ou financeiros. Ainda assim, passaram a publicar conteúdos enviesados, com linguagem técnica improvisada e críticas diretas a decisões do Banco Central.

Essas postagens tentam criar a percepção de insegurança jurídica, alegando mudanças regulatórias frequentes, falta de previsibilidade e supostos impactos negativos no crédito e no sistema financeiro. O tom é quase sempre o mesmo, sugerindo erro técnico ou excesso de rigor por parte do regulador.

Ex-diretor do BC e presidente da autarquia viram alvos

Entre os principais alvos está Renato Gomes, ex-diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do BC. Foi a área comandada por ele que recomendou o veto à compra do Banco Master pelo BRB e forneceu subsídios que depois chegaram ao Ministério Público Federal.

Além dele, os ataques também atingem:

  • o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo,
  • o diretor de Fiscalização, Aílton de Aquino Santos,
  • familiares de integrantes da cúpula do BC,
  • e representantes de bancos e associações que divulgaram notas públicas em defesa da decisão técnica da autarquia.

Antes mesmo do veto oficial, outdoors com a imagem de Renato Gomes foram espalhados por Brasília como forma de pressão. O efeito foi o oposto do esperado: a ação fortaleceu o chamado “espírito de corpo” dentro do BC, e o colegiado decidiu por unanimidade barrar a operação.

Febraban identifica padrão atípico de postagens

A Federação Brasileira de Bancos, presidida por Isaac Sidney, também entrou na mira. A entidade mapeou um volume atípico de postagens que a mencionavam de forma negativa e afirmou estar analisando se o episódio pode ser caracterizado como ataque coordenado.

Segundo relatos, a estratégia inclui a replicação de textos semelhantes, muitas vezes publicados no mesmo dia, por páginas diferentes, reforçando uma narrativa comum contra o regulador.

Agências de marketing e sites que imitam jornalismo

Parte do conteúdo disseminado é impulsionada por agências de marketing digital que administram ou representam perfis com milhões de seguidores. Algumas páginas reproduzem textos de sites que imitam portais jornalísticos, com linguagem aparentemente informativa, mas sem critérios claros de apuração.

Em alguns casos, as agências afirmam que os conteúdos foram orgânicos, sem remuneração direta. Ainda assim, o padrão de publicação simultânea levanta questionamentos sobre coordenação e gerenciamento de crise digital.

Propostas de campanha e bastidores da guerra de narrativa

Relatos apontam que influenciadores e até políticos locais teriam sido procurados para participar de campanhas digitais em defesa do Banco Master. Em mensagens, o trabalho é descrito como uma disputa política contra “o sistema”, com remuneração elevada.

Esses bastidores reforçam a leitura de que o episódio vai além de críticas isoladas e se aproxima de uma estratégia estruturada de pressão pública, usando redes sociais para tentar influenciar opinião, autoridades e o ambiente institucional.

O que o caso revela sobre poder, regulação e redes sociais

O episódio escancara como campanhas digitais coordenadas vêm sendo usadas em disputas envolvendo regulação, sistema financeiro e decisões técnicas. Quando narrativas simplificadas ganham escala em perfis populares, o risco é transformar debates complexos em julgamentos emocionais, distorcendo fatos e enfraquecendo instituições.

A reação do Banco Central, de associações do setor e de parte do mercado indica que, apesar do barulho digital, a decisão técnica segue respaldada. Ainda assim, o caso acende um alerta sobre o uso das redes como ferramenta de pressão em processos sensíveis.

Para acompanhar análises profundas e entender como disputas institucionais impactam economia, política e mercado, continue navegando pelo Brasilvest.

Perguntas Frequentes (FAQs)

Quantos perfis participaram dos ataques ao Banco Central?

Pelo menos 46 perfis foram identificados em publicações coordenadas

Quem são os principais alvos da ofensiva digital?

Dirigentes do Banco Central, especialmente o ex-diretor Renato Gomes, além de investigadores e entidades do setor financeiro

Por que o Banco Central virou alvo?

Após vetar a venda do Banco Master ao BRB e conduzir o processo de liquidação da instituição

Os ataques são considerados coordenados?

Há indícios de sincronização, repetição de narrativas e volume atípico, o que levanta essa hipótese

O caso pode gerar consequências legais?

Sim, há análises em curso para verificar se a ofensiva configura campanha organizada ou ilícita

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