8.9 C
Nova Iorque
23.9 C
São Paulo
sexta-feira, janeiro 9, 2026
spot_img

Autismo na terceira idade: pesquisa revela quase 300 mil idosos no espectro no Brasil

Um dado pouco discutido e que surpreende até especialistas começa a ganhar visibilidade: cerca de 300 mil idosos brasileiros vivem com algum grau de autismo. A informação vem de uma análise inédita do Censo Demográfico de 2022 e reforça um problema histórico no país — o autismo na vida adulta e na velhice ainda é amplamente invisível.

De acordo com estimativas globais da Organização Mundial da Saúde, aproximadamente 70 milhões de pessoas no mundo vivem com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Embora o diagnóstico costume ocorrer na infância, o TEA é uma condição permanente, acompanhando o indivíduo ao longo de toda a vida.

O problema é que, entre os idosos, o reconhecimento do autismo ainda é extremamente limitado, tanto no diagnóstico quanto no acesso a cuidados adequados de saúde.

O que mostram os dados mais recentes sobre idosos com autismo

A análise foi conduzida por pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da PUCPR, a partir dos dados do Censo 2022.

Os números revelam que 0,86% das pessoas com 60 anos ou mais se autodeclaram no espectro autista, o que representa cerca de 306.836 idosos no Brasil. A prevalência é maior entre homens (0,94%) do que entre mulheres (0,81%).

Pesquisadores destacam que esses dados são essenciais para orientar políticas públicas, capacitação profissional e planejamento do sistema de saúde, especialmente diante do rápido envelhecimento da população brasileira.

Por que o autismo em idosos quase não é diagnosticado

O diagnóstico tardio é uma regra, não exceção. Muitos idosos passaram a vida inteira sem saber que estavam no espectro. Em décadas passadas, o autismo era pouco conhecido, restrito a casos considerados “graves” e frequentemente confundido com traços de personalidade.

Além disso, sintomas do TEA em idosos costumam ser confundidos com outras condições, como:

  • Demência
  • Depressão
  • Ansiedade
  • Declínio cognitivo natural do envelhecimento

Essa confusão atrasa ainda mais a identificação correta e dificulta o acesso a terapias e acompanhamento especializado.

Riscos à saúde mental e física aumentam com a idade

Especialistas alertam que idosos no espectro autista apresentam maior risco de comorbidades, especialmente quando não diagnosticados ou acompanhados adequadamente.

Entre os principais desafios estão:

  • Transtornos psiquiátricos, como ansiedade e depressão
  • Maior vulnerabilidade ao isolamento social
  • Declínio cognitivo acelerado
  • Doenças cardiovasculares e metabólicas, muitas vezes agravadas por dificuldades de acesso ao sistema de saúde

O diagnóstico correto, mesmo na velhice, pode trazer alívio emocional, melhor autocompreensão e direcionamento mais adequado do cuidado clínico e psicológico.

Por que esse debate precisa avançar no Brasil

O reconhecimento do autismo em idosos não é apenas uma questão médica, mas também social e institucional. Sem dados claros, essa população fica fora das políticas públicas, dos protocolos de atendimento e das estratégias de inclusão.

Especialistas defendem mais capacitação de profissionais de saúde, ampliação do conhecimento sobre o TEA ao longo da vida e adaptação das políticas públicas para atender uma população que envelhece — inclusive no espectro.

Ignorar esse grupo significa manter milhares de brasileiros invisíveis, sem diagnóstico, sem apoio e sem o cuidado que merecem.

Para acompanhar conteúdos que ajudam a entender melhor temas de saúde, comportamento e políticas públicas no Brasil, continue navegando pelo Brasilvest.

Perguntas Frequentes (FAQs)

Idosos podem ser diagnosticados com autismo

Sim, o TEA é uma condição permanente e pode ser identificado em qualquer fase da vida

Por que muitos idosos não sabem que são autistas

Porque o diagnóstico era raro no passado e os sintomas eram pouco compreendidos

O autismo em idosos é comum

Dados indicam que cerca de 300 mil idosos brasileiros estão no espectro

Autismo em idosos pode ser confundido com demência

Sim, o que contribui para o diagnóstico tardio ou incorreto

O diagnóstico tardio traz benefícios

Sim, pode melhorar a autocompreensão e orientar cuidados adequados

spot_img

Artigos Relacionados

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Fique Conectado
20,145FãsCurtir
51,215SeguidoresSeguir
23,456InscritosInscrever
Publicidadespot_img

Veja também

Brasilvest
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.