Siga-nos no Instagram: @brasilvest.news
A Axia Energia — nova identidade da antiga Eletrobras — está passando por um dos processos de transformação mais profundos do setor elétrico brasileiro. Depois de vender suas posições na Emae e na Eletronuclear, levantando quase R$ 1 bilhão, a companhia ainda tem um enorme inventário de R$ 25 bilhões em ativos que não fazem parte de sua estratégia de longo prazo.
É um pacote robusto, cheio de participações deixadas pelo período em que a empresa ainda era estatal e atuava como financiadora de distribuidoras. Agora, com modelo privado, a Axia corre para ajustar o portfólio e se preparar para a perda de uma receita bilionária: a indenização anual de R$ 5,3 bilhões da RBSE, que acaba em 2028.
O que exatamente a Axia está tentando vender?
Segundo o CFO Eduardo Haiama, boa parte desse montante vem de participações antigas recebidas como moeda de troca por financiamentos.
Entre os ativos classificados como “mantidos para venda”, aparecem:
- Usinas termelétricas remanescentes no Norte, principalmente no Amazonas e em Roraima
- Participações menores em SPEs no Paraná e em São Paulo, como Cruzeiro do Sul, Lago Azul Transmissão e Mata de Santa Genebra
- Carteira antiga de créditos deixada por distribuidoras estaduais, incluindo valores a receber da Amazonas Energia
Esses ativos podem render centenas de milhões para a companhia, somando-se às vendas já concluídas.
Emae e Eletronuclear: duas saídas estratégicas
Mesmo com os juros altos, a Axia acelerou seu plano de desinvestimentos.
Em setembro, vendeu à Sabesp sua participação de 66,8% na Emae por R$ 476,5 milhões, liberando-se de obrigações relacionadas às represas Billings e Guarapiranga.
No mês seguinte, veio um movimento ainda mais simbólico: a saída da Eletronuclear.
A fatia da Axia foi vendida à Âmbar Energia, dos irmãos Batista, por R$ 535 milhões, além de eliminar garantias e obrigações de R$ 2,4 bilhões.
O ativo era intensivo em capital e cercado de incertezas — especialmente pela indefinição eterna sobre Angra 3.
Haiama foi direto:
“O setor mudou, e a empresa precisa mudar junto. Continuar em Angra significaria consumir capital e tempo demais.”
Antes disso, a Axia já havia vendido 13 termelétricas para a Âmbar, arrecadando R$ 3,6 bilhões.
Nova Axia: agora com foco em expansão limpa e transmissão
Hoje, a companhia opera:
- 47 hidrelétricas
- 33 usinas eólicas
- 1 usina solar
E concentra 17% da geração e 37% da transmissão do país.
Mas o setor deixou de ser previsível. Segundo Haiama, quem imaginava contratos fixos e estabilidade agora lida com um mercado ágil, descentralizado e cheio de novas tecnologias.
A empresa já se prepara para o próximo leilão de transmissão, em março de 2026, com potencial de R$ 3,3 bilhões em investimentos.
E avalia projetos em:
- baterias
- usinas reversíveis
- eólicas
- solares
- energia solar flutuante
O movimento é visto como inevitável para garantir competitividade.
O desafio da RBSE: fim de R$ 5,3 bilhões anuais
A indenização da RBSE — paga por investimentos antigos em transmissão — acaba em junho de 2028.
Para substituir essa receita, a empresa está investindo R$ 17,4 bilhões em novos lotes que devem gerar R$ 2,4 bilhões por ano, por três décadas.
Não é uma troca equivalente, mas cria previsibilidade de longo prazo.
Mercado reage: ações em forte alta e dividendos recordes
A companhia já acumula alta superior a 70% na Bolsa, mais que o dobro do Ibovespa.
O movimento reflete:
- fim das tensões com o governo
- saída de ativos problemáticos
- balanço mais limpo
- maior foco em transmissão
Isso abriu espaço para dividendos históricos:
- R$ 4 bilhões no 2º trimestre
- R$ 4,3 bilhões recentemente
As estimativas de Bradesco BBI e JPMorgan foram superadas.
A nova marca: por que deixar “Eletrobras” para trás?
O rebranding oficializado na B3 marcou uma mudança cultural.
“Axia”, que significa valor em grego, foi escolhida para aproximar a empresa do consumidor final e se desvincular da imagem estatal.
Pesquisa interna mostrou que a marca antiga ainda ressoava entre especialistas do setor, mas não entre clientes corporativos — muito menos entre o público que a empresa quer atingir com a abertura do mercado livre.
Segundo Haiama, o custo do rebranding foi “irrelevante”.
Conclusão
A Axia Energia está desmontando um legado estatal gigantesco ao mesmo tempo em que constrói um novo futuro baseado em transmissão, renováveis e tecnologia.
Com R$ 25 bilhões ainda à venda e grandes projetos em curso, a empresa vive uma das transições mais importantes do setor elétrico brasileiro.
Quer acompanhar cada etapa dessa transformação?
Continue navegando pelo Brasilvest.
Perguntas Frequentes (FAQs)
Por que a Axia está vendendo tantos ativos?
Porque muitos são heranças do período estatal e não fazem parte do modelo atual de negócios.
Quanto a empresa já arrecadou com vendas?
Quase R$ 1 bilhão apenas com Emae e Eletronuclear, além de R$ 3,6 bilhões com termelétricas no ano passado.
O que compõe os R$ 25 bilhões ainda disponíveis para venda?
Usinas térmicas, participações em SPEs e uma carteira de créditos antigos.
Por que a saída da Eletronuclear foi importante?
Porque Angra 3 é um projeto caro, incerto e intensivo em capital, incompatível com a estratégia atual.
A Axia vai focar em quais áreas daqui para frente?
Transmissão, energias renováveis, baterias e usinas reversíveis.
O que acontece com a receita da RBSE?
Ela acaba em 2028, e a empresa está investindo para substituí-la com novas receitas recorrentes.









