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domingo, novembro 30, 2025
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Axia Energia acelera vendas bilionárias e ainda tem R$ 25 bilhões para liquidar

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A Axia Energia — nova identidade da antiga Eletrobras — está passando por um dos processos de transformação mais profundos do setor elétrico brasileiro. Depois de vender suas posições na Emae e na Eletronuclear, levantando quase R$ 1 bilhão, a companhia ainda tem um enorme inventário de R$ 25 bilhões em ativos que não fazem parte de sua estratégia de longo prazo.

É um pacote robusto, cheio de participações deixadas pelo período em que a empresa ainda era estatal e atuava como financiadora de distribuidoras. Agora, com modelo privado, a Axia corre para ajustar o portfólio e se preparar para a perda de uma receita bilionária: a indenização anual de R$ 5,3 bilhões da RBSE, que acaba em 2028.

O que exatamente a Axia está tentando vender?

Segundo o CFO Eduardo Haiama, boa parte desse montante vem de participações antigas recebidas como moeda de troca por financiamentos.

Entre os ativos classificados como “mantidos para venda”, aparecem:

  • Usinas termelétricas remanescentes no Norte, principalmente no Amazonas e em Roraima
  • Participações menores em SPEs no Paraná e em São Paulo, como Cruzeiro do Sul, Lago Azul Transmissão e Mata de Santa Genebra
  • Carteira antiga de créditos deixada por distribuidoras estaduais, incluindo valores a receber da Amazonas Energia

Esses ativos podem render centenas de milhões para a companhia, somando-se às vendas já concluídas.

Emae e Eletronuclear: duas saídas estratégicas

Mesmo com os juros altos, a Axia acelerou seu plano de desinvestimentos.

Em setembro, vendeu à Sabesp sua participação de 66,8% na Emae por R$ 476,5 milhões, liberando-se de obrigações relacionadas às represas Billings e Guarapiranga.

No mês seguinte, veio um movimento ainda mais simbólico: a saída da Eletronuclear.

A fatia da Axia foi vendida à Âmbar Energia, dos irmãos Batista, por R$ 535 milhões, além de eliminar garantias e obrigações de R$ 2,4 bilhões.

O ativo era intensivo em capital e cercado de incertezas — especialmente pela indefinição eterna sobre Angra 3.

Haiama foi direto:

“O setor mudou, e a empresa precisa mudar junto. Continuar em Angra significaria consumir capital e tempo demais.”

Antes disso, a Axia já havia vendido 13 termelétricas para a Âmbar, arrecadando R$ 3,6 bilhões.

Nova Axia: agora com foco em expansão limpa e transmissão

Hoje, a companhia opera:

  • 47 hidrelétricas
  • 33 usinas eólicas
  • 1 usina solar

E concentra 17% da geração e 37% da transmissão do país.

Mas o setor deixou de ser previsível. Segundo Haiama, quem imaginava contratos fixos e estabilidade agora lida com um mercado ágil, descentralizado e cheio de novas tecnologias.

A empresa já se prepara para o próximo leilão de transmissão, em março de 2026, com potencial de R$ 3,3 bilhões em investimentos.

E avalia projetos em:

  • baterias
  • usinas reversíveis
  • eólicas
  • solares
  • energia solar flutuante

O movimento é visto como inevitável para garantir competitividade.

O desafio da RBSE: fim de R$ 5,3 bilhões anuais

A indenização da RBSE — paga por investimentos antigos em transmissão — acaba em junho de 2028.

Para substituir essa receita, a empresa está investindo R$ 17,4 bilhões em novos lotes que devem gerar R$ 2,4 bilhões por ano, por três décadas.

Não é uma troca equivalente, mas cria previsibilidade de longo prazo.

Mercado reage: ações em forte alta e dividendos recordes

A companhia já acumula alta superior a 70% na Bolsa, mais que o dobro do Ibovespa.

O movimento reflete:

  • fim das tensões com o governo
  • saída de ativos problemáticos
  • balanço mais limpo
  • maior foco em transmissão

Isso abriu espaço para dividendos históricos:

  • R$ 4 bilhões no 2º trimestre
  • R$ 4,3 bilhões recentemente

As estimativas de Bradesco BBI e JPMorgan foram superadas.

A nova marca: por que deixar “Eletrobras” para trás?

O rebranding oficializado na B3 marcou uma mudança cultural.

“Axia”, que significa valor em grego, foi escolhida para aproximar a empresa do consumidor final e se desvincular da imagem estatal.

Pesquisa interna mostrou que a marca antiga ainda ressoava entre especialistas do setor, mas não entre clientes corporativos — muito menos entre o público que a empresa quer atingir com a abertura do mercado livre.

Segundo Haiama, o custo do rebranding foi “irrelevante”.

Conclusão

A Axia Energia está desmontando um legado estatal gigantesco ao mesmo tempo em que constrói um novo futuro baseado em transmissão, renováveis e tecnologia.

Com R$ 25 bilhões ainda à venda e grandes projetos em curso, a empresa vive uma das transições mais importantes do setor elétrico brasileiro.

Quer acompanhar cada etapa dessa transformação?

Continue navegando pelo Brasilvest.

Perguntas Frequentes (FAQs)

Por que a Axia está vendendo tantos ativos?

Porque muitos são heranças do período estatal e não fazem parte do modelo atual de negócios.

Quanto a empresa já arrecadou com vendas?

Quase R$ 1 bilhão apenas com Emae e Eletronuclear, além de R$ 3,6 bilhões com termelétricas no ano passado.

O que compõe os R$ 25 bilhões ainda disponíveis para venda?

Usinas térmicas, participações em SPEs e uma carteira de créditos antigos.

Por que a saída da Eletronuclear foi importante?

Porque Angra 3 é um projeto caro, incerto e intensivo em capital, incompatível com a estratégia atual.

A Axia vai focar em quais áreas daqui para frente?

Transmissão, energias renováveis, baterias e usinas reversíveis.

O que acontece com a receita da RBSE?

Ela acaba em 2028, e a empresa está investindo para substituí-la com novas receitas recorrentes.

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