O ano de 2025 foi tudo, menos previsível. Em meio a uma guerra comercial pesada entre Estados Unidos e China, com direito a tarifaço e pressão política, o Brasil conseguiu alcançar recordes históricos em exportações e importações. Mas, apesar dos números impressionantes, o saldo final da balança comercial acendeu um alerta importante para quem acompanha a economia de perto.
Os dados oficiais mostram que o país exportou US$ 348,7 bilhões, crescimento de 3,5% em relação a 2024. Já as importações somaram US$ 280,4 bilhões, alta ainda mais forte, de 6,7%. O resultado disso foi um superávit de US$ 68,3 bilhões, menor do que o registrado no ano anterior, quando o saldo positivo havia sido de US$ 74,2 bilhões.
Na prática, o Brasil vendeu mais, comprou mais, mas ganhou menos margem no comércio exterior.
O que explica a queda do superávit mesmo com exportações recordes?
A resposta passa, principalmente, pelo cenário internacional. Em 2025, os Estados Unidos aplicaram tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros, incluindo itens estratégicos como carne bovina e café. A medida teve forte impacto político e econômico e reduziu a participação americana nas exportações brasileiras.
O chamado share dos EUA caiu de 12% para 10,8%, abrindo espaço para outros mercados, mas também forçando o Brasil a vender em condições menos favoráveis em alguns casos.
Ainda assim, o agronegócio mostrou força.
Agropecuária segura as pontas e mantém protagonismo
Mesmo com o ambiente externo hostil, o campo brasileiro entregou resultados relevantes. A soja continuou liderando as exportações, movimentando US$ 43,54 bilhões, com crescimento de 1,4%. Já o grande destaque foi o café torrado, que disparou 31,1%, alcançando US$ 14,86 bilhões em vendas externas.
Esses números reforçam o peso do agronegócio como pilar da balança comercial, especialmente em momentos de instabilidade global.
Petróleo e minério sentem o baque, mas cobre surpreende
Na indústria extrativa, o desempenho foi misto. As exportações de petróleo geraram cerca de US$ 44,7 bilhões, com leve queda de 0,7%. Já o minério de ferro recuou 3%, somando US$ 28,9 bilhões.
Por outro lado, o minério de cobre foi a surpresa positiva do ano, com crescimento expressivo de 20,5%, alcançando US$ 5 bilhões em receita. O movimento reflete uma demanda global mais forte por metais ligados à transição energética.
Carne, aviões e ouro brilham na indústria de transformação
Mesmo no centro do tarifaço, a carne bovina teve um desempenho impressionante. As exportações do produto cresceram 42,5%, totalizando US$ 16,6 bilhões. Com isso, sua participação nas exportações brasileiras subiu de 3,5% para 4,8%.
Outro destaque veio do setor aeronáutico. As vendas externas de aeronaves somaram US$ 4,9 bilhões, avanço de 12,1%, impulsionadas pelo excelente desempenho da Embraer (EMBR3), que aumentou em 18% suas entregas no ano, totalizando 244 aeronaves.
Em um cenário de incerteza global, o ouro também ganhou espaço como ativo de proteção, com exportações brasileiras atingindo US$ 6,6 bilhões.
Importações crescem e pressionam o saldo final
Do lado das importações, os maiores volumes ficaram concentrados na indústria da transformação. Os combustíveis lideraram, com US$ 15,5 bilhões, crescimento de 2,3%. Logo atrás, os fertilizantes também somaram cerca de US$ 15,5 bilhões, representando 5,5% de tudo o que o Brasil importou em 2025.
Esse aumento nas compras externas ajudou a explicar a redução do superávit, mesmo com exportações em alta.
O que esperar da balança comercial daqui para frente?
Os números de 2025 deixam uma mensagem clara: o Brasil mostrou resiliência, diversificou mercados e manteve setores-chave competitivos. Porém, o avanço das importações e a dependência de commodities ainda tornam o país sensível a choques externos.
Para quem investe ou acompanha a economia, entender esses movimentos é essencial. E é exatamente esse tipo de leitura estratégica que você encontra ao continuar navegando pelo Brasilvest.
Perguntas Frequentes (FAQs)
O que é a balança comercial brasileira?
É a diferença entre tudo o que o Brasil exporta e tudo o que importa em determinado período.
Por que o superávit caiu em 2025?
Porque as importações cresceram mais rápido que as exportações, reduzindo a margem positiva.
Quais produtos lideraram as exportações em 2025?
Soja, petróleo, café, carne bovina, minério de ferro e aeronaves.
O tarifaço dos EUA prejudicou o Brasil?
Reduziu a participação americana nas exportações, mas o Brasil compensou com outros mercados.
A indústria teve bom desempenho em 2025?
Sim, principalmente carne bovina, aeronaves e ouro.









