A temporada de resultados do terceiro trimestre de 2025 deixou um recado claro para quem investe em commodities: o balanço, sozinho, já não explica o sobe e desce das ações. Em muitos casos, o mercado reagiu menos aos números divulgados e mais ao que já estava precificado — ou ao que vem pela frente.
Um levantamento da plataforma Aleeph mostrou que a reação das ações esteve muito mais ligada às expectativas anteriores do que ao resultado trimestral em si. Em outras palavras, quando o mercado já espera um bom desempenho, o balanço vira apenas confirmação. Quando há surpresas estratégicas, aí sim os preços se mexem.
Vale confirma cenário já esperado
A Vale (VALE3) entregou no 3T25 números sólidos. A produção de minério de ferro, cobre e níquel veio forte, com EBITDA pro forma de US$ 4,4 bilhões, dentro ou levemente acima do consenso. A redução de custos em diferentes frentes reforçou a percepção de eficiência operacional.
Mesmo assim, a reação das ações foi moderada. Houve altas pontuais acima de 2% em alguns pregões, mas nada explosivo. A leitura do mercado foi clara: o bom resultado já estava no preço, em um setor fortemente influenciado pelo ciclo global das commodities metálicas.
Petrobras entrega resultado forte, mas mercado olha além
A Petrobras (PETR4) também apresentou números robustos. O EBITDA do trimestre ficou em torno de US$ 12 bilhões, sustentado por boa produção e geração de caixa, mesmo com preços internacionais do petróleo menos favoráveis.
O anúncio de dividendos entrou no radar, mas não foi suficiente para empolgar. As ações oscilaram de lado após o balanço, indicando que o mercado já havia antecipado o desempenho.
Aqui, fatores externos pesaram mais: volatilidade do Brent, percepção de risco político e expectativas sobre a estratégia da companhia continuaram ditando o ritmo das cotações.
SLC Agrícola surpreende apesar do prejuízo
O caso mais interessante do trimestre foi o da SLC Agrícola (SLCE3). A empresa registrou prejuízo líquido de R$ 14,5 milhões, mesmo com crescimento de receita impulsionado por soja e milho.
Ainda assim, o mercado reagiu positivamente. O EBITDA ajustado avançou e, principalmente, o anúncio de uma parceria bilionária com fundos ligados ao BTG Pactual para projetos de irrigação mudou a narrativa.
Em um dos pregões seguintes ao balanço, as ações subiram cerca de 4%, figurando entre as maiores altas do Ibovespa. O recado foi direto: o mercado preferiu olhar para o futuro, não para o lucro pontual do trimestre.
Suzano entrega consistência, mas sem gatilho
A Suzano (SUZB3) apresentou EBITDA ajustado próximo de R$ 5,2 bilhões, destacando disciplina de custos em um ambiente desafiador para os preços da celulose.
O resultado foi considerado sólido, porém sem surpresas. Como consequência, as ações ficaram praticamente estáveis. O foco dos investidores segue nas perspectivas do mercado internacional de celulose e na capacidade da empresa de manter eficiência ao longo do ciclo.
O que realmente move as ações de commodities?
O estudo aponta três fatores centrais para entender a reação do mercado:
Primeiro, expectativa versus realidade. O mercado reage menos ao número absoluto e mais ao desvio em relação ao que já estava precificado.
Segundo, o ciclo das commodities. Mesmo bons balanços perdem força quando o horizonte de preços globais segue pressionado.
Terceiro, eventos estratégicos. Parcerias, investimentos, mudanças estruturais e políticas de dividendos tendem a pesar mais nas cotações do que o lucro trimestral isolado.
Narrativa vale mais que o trimestre
No fim das contas, o 3T25 reforçou uma dinâmica conhecida: em commodities, o mercado compra história, não apenas resultado. O curto prazo pode até reagir aos números, mas o preço das ações é moldado, sobretudo, pelas perspectivas de médio e longo prazo.
Para quem investe no setor, entender o ciclo e as estratégias das empresas é tão importante quanto acompanhar o balanço.
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Perguntas Frequentes (FAQs)
Por que o mercado não reage só ao balanço?
Porque grande parte das expectativas já está embutida no preço das ações.
Vale teve resultado ruim no 3T25?
Não. O resultado foi sólido, mas já esperado pelo mercado.
Por que Petrobras não subiu após bons números?
Fatores externos, como petróleo e risco político, pesaram mais que o balanço.
O prejuízo da SLC Agrícola preocupa?
Menos do que parece. O mercado focou nas perspectivas futuras e na parceria estratégica.
Suzano decepcionou?
Não. Entregou consistência, mas sem surpresa suficiente para mover o preço.
O que pesa mais em commodities?
Ciclo global, expectativas e decisões estratégicas de longo prazo.









