O ano de 2025 entrou para a história da economia global. Os principais bancos centrais do mundo promoveram o maior ciclo de cortes de juros desde a crise financeira, revertendo de forma agressiva o aperto monetário que marcou os anos anteriores. No total, as autoridades responsáveis pelas 10 moedas mais negociadas do planeta reduziram 8,5 pontos percentuais em juros, em um movimento raro de coordenação indireta.
A virada reflete a desaceleração da inflação, o arrefecimento do crescimento global e a necessidade de estimular economias que vinham sofrendo com juros elevados desde 2022.
Quem liderou o maior corte de juros desde 2009
Entre os protagonistas desse movimento estão o Federal Reserve, o Banco Central Europeu e o Banco da Inglaterra. Também participaram os bancos centrais de Austrália, Nova Zelândia, Canadá, Suécia, Noruega e Suíça.
Ao todo, nove autoridades monetárias realizaram 32 cortes de juros em 2025, totalizando 850 pontos-base de afrouxamento. É o maior número de reduções desde 2008 e a maior intensidade desde 2009, logo após o colapso financeiro global.
Por que 2025 marcou uma virada tão brusca na política monetária
O movimento contrasta fortemente com o cenário de 2022 e 2023, quando os bancos centrais elevaram juros de forma agressiva para conter a inflação disparada após a guerra entre Rússia e Ucrânia e o choque nos preços de energia.
Com a inflação finalmente sob controle em grande parte das economias desenvolvidas, os BCs passaram a enxergar mais riscos em manter juros elevados do que em cortá-los, especialmente diante da perda de fôlego do crescimento e de sinais de fragilidade no mercado de trabalho.
Japão foi exceção e seguiu caminho oposto
Enquanto o mundo cortava juros, o Banco do Japão seguiu na contramão e elevou sua taxa básica duas vezes em 2025. A decisão refletiu um contexto doméstico diferente, com pressões inflacionárias tardias e mudanças estruturais na economia japonesa após décadas de estímulos.
2026 pode marcar nova mudança de direção
Apesar do afrouxamento histórico, analistas alertam que 2026 pode trazer uma guinada inesperada. Nos últimos meses de 2025, alguns bancos centrais do chamado G10 já adotaram um tom mais cauteloso, especialmente no Canadá e na Austrália.
Especialistas apontam que novos aumentos de juros não estão descartados, caso a inflação volte a surpreender ou a atividade econômica reaqueça com força.
Fed entra em dilema entre inflação e emprego
Nos Estados Unidos, o cenário é ainda mais delicado. O Federal Reserve começa a enfrentar um conflito clássico: inflação dando sinais de resistência em alguns setores e um mercado de trabalho que começa a perder tração.
Em 2025, o debate dentro do Fed foi sempre entre manter juros ou cortar. A possibilidade de alta sequer entrou na pauta. Para 2026, esse consenso pode desaparecer, elevando a volatilidade dos mercados.
Ritmo de cortes desacelerou no fim do ano
Os dados de dezembro já mostraram perda de fôlego no afrouxamento. Entre nove bancos centrais que se reuniram no mês, apenas o Fed e o Banco da Inglaterra cortaram juros, enquanto o Japão voltou a elevar sua taxa.
O sinal é claro: o ciclo de cortes pode estar mais perto do fim nas economias desenvolvidas.
Emergentes cortaram ainda mais e em ritmo acelerado
Se nos países ricos o movimento foi intenso, nos mercados emergentes ele foi ainda maior. Em 2025, essas economias somaram 3.085 pontos-base em cortes, distribuídos em 51 decisões, superando com folga os números de 2024.
Países como Turquia, Rússia, Índia, México, Tailândia, Filipinas, Polônia e Chile lideraram esse processo, impulsionados por inflação mais controlada e necessidade de estimular crescimento.
Inflação sob controle deu espaço para ousadia dos BCs
Segundo gestores globais, a diferença dos emergentes foi a postura mais proativa das autoridades monetárias, que conseguiram conter a inflação com mais eficiência do que muitos países desenvolvidos.
Ainda assim, houve 625 pontos-base em aumentos de juros nesses mercados em 2025, bem abaixo do aperto registrado no ano anterior.
O que isso significa para investidores e economias
O maior ciclo de cortes de juros em mais de uma década muda completamente o jogo para bolsas, renda fixa, câmbio e investimentos globais. Ativos de risco tendem a ganhar fôlego, enquanto aplicações conservadoras passam a render menos.
Mas o recado é claro: o cenário de 2026 pode ser bem diferente. Quem investe precisa acompanhar de perto cada movimento dos bancos centrais.
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Perguntas Frequentes (FAQs)
Por que 2025 teve tantos cortes de juros
Porque a inflação desacelerou e os bancos centrais passaram a priorizar crescimento econômico
Quantos pontos percentuais foram cortados no total
Os principais BCs somaram cerca de 8,5 pontos percentuais em reduções
O Japão também cortou juros
Não. O Japão foi exceção e elevou sua taxa básica em 2025
Mercados emergentes cortaram mais que os desenvolvidos
Sim. Os emergentes somaram mais de 3.000 pontos-base em cortes no ano
2026 pode ter alta de juros novamente
Sim. Analistas veem risco de reversão, dependendo da inflação e da atividade econômica









