O mercado financeiro começou a semana com sinal de alerta para a inflação. O Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (5) pelo Banco Central, mostrou que os economistas aumentaram a projeção do IPCA de 2026 para 4,06%, acima dos 4,05% estimados na semana anterior.
Embora o ajuste pareça pequeno, ele reforça a percepção de que a inflação segue resistente, especialmente em um cenário de política fiscal expansionista, o que mantém pressão sobre os juros no Brasil.
A inflação de 2026 preocupa o Banco Central?
Desde janeiro, o regime de metas de inflação no Brasil passou a ser contínuo, considerando a variação acumulada em 12 meses do IPCA. A meta central é de 3%, com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%.
Com a projeção de 4,06% para 2026, o mercado vê a inflação próxima do teto da meta, o que limita qualquer espaço para cortes mais agressivos na taxa básica de juros nos próximos anos.
Para os anos seguintes, as expectativas ficaram estáveis:
- 2027: 3,80%
- 2028: 3,50%
Já a projeção para 2025 teve leve recuo, passando de 4,32% para 4,31%, ainda acima do centro da meta.
O que o Boletim Focus mostra sobre a Selic?
Apesar da inflação mais alta no radar, o mercado não alterou as projeções para a taxa Selic. A expectativa é que os juros terminem:
- 2026: 12,25%
- 2027: 10,50%
- 2028: 9,75%
Atualmente, a Selic está em 15%, e o Copom tem reforçado que pretende manter os juros em nível elevado por um período prolongado. Em ata recente, o comitê afirmou que essa estratégia é necessária para garantir a convergência da inflação à meta.
PIB segue com crescimento modesto nas projeções
No campo da atividade econômica, o cenário continua de crescimento moderado. A mediana das projeções para o PIB foi mantida em:
- 2026: 1,8%
- 2027: 1,8%
- 2028: 2,0%
Os números indicam que o mercado não enxerga aceleração forte da economia no curto e médio prazo, especialmente com juros elevados e menor espaço para estímulos.
Dólar permanece estável nas estimativas
As expectativas para o câmbio também não sofreram alterações relevantes. Segundo o Focus, o dólar deve encerrar:
- 2026: R$ 5,50
- 2027: R$ 5,50
- 2028: R$ 5,52
A estabilidade reflete um equilíbrio entre fatores internos, como juros altos, e externos, como cenário global ainda incerto.
O que muda para o investidor e para o consumidor?
Com inflação pressionada, juros elevados e crescimento contido, o cenário desenhado pelo Boletim Focus reforça um ambiente de cautela. Para o investidor, renda fixa segue atrativa, enquanto ativos mais sensíveis ao ciclo econômico podem enfrentar volatilidade.
Para o consumidor, a combinação de crédito caro e inflação próxima do teto da meta tende a manter o orçamento apertado ao longo de 2026.
Para entender como esses números afetam seus investimentos, consumo e planejamento financeiro, vale acompanhar de perto os dados econômicos e continuar navegando pelo Brasilvest.
Perguntas Frequentes (FAQs)
Qual foi a nova projeção de inflação para 2026?
O mercado elevou a estimativa do IPCA para 4,06%.
A projeção está dentro da meta de inflação?
Sim, mas próxima do teto de 4,5%.
O mercado mudou a expectativa para a Selic?
Não. A previsão segue em 12,25% ao fim de 2026.
Qual é a projeção de crescimento do PIB?
O PIB deve crescer 1,8% em 2026 e 2027.
Quanto o dólar deve valer em 2026?
A expectativa é de R$ 5,50.









