O fim de ano costuma trazer aquele movimento típico que anima investidores: o famoso “rali de Natal”, quando o mercado ganha fôlego extra e a Bolsa brasileira — assim como as internacionais — tende a subir. Só que em 2025 esse clima chegou antes: o Ibovespa já bateu 160 mil pontos no início de dezembro, renovando recorde histórico e surpreendendo até analistas mais otimistas.
Mas afinal, por que isso acontece? E o que dá para esperar daqui até o fim do ano? A resposta envolve comportamento de investidores, fatores sazonais, juros — e até política.
Vamos por partes.
Por que o rali de Natal acontece na Bolsa?
O rali não é magia de Papai Noel. Ele costuma acontecer por uma combinação de efeitos sazonais que empurram o mercado para cima. Entre os motivos mais citados por analistas estão:
- Menor liquidez, já que muitos grandes players tiram férias
- Rebalanceamento de carteiras feito por gestores
- Otimismo natural de fim de ano
- Depósitos de rendas extras, como o 13º
- Fluxo estrangeiro em busca de risco
E esse padrão é real: um estudo da Elos Ayta mostra que, nos últimos 25 anos, 17 meses de dezembro foram positivos, com ganho médio de 2,87%.
Só que isso não significa que o Natal sempre chega para a Bolsa. Quando o ambiente macroeconômico está ruim, o rali simplesmente não acontece.
Quando o cenário macro atrapalha o rali?
De acordo com Eduardo Tellechea Cairoli, CEO do Privatto Multi Family Office, anos em que o rali não se materializa normalmente têm algo em comum: choques relevantes na economia.
Quando há incertezas grandes demais — crises políticas, inflação acima do esperado, choques externos — gestores preferem segurar o risco e evitam ajustes tradicionais de fim de ano.
Mas 2025, até agora, vai na direção oposta.
Por que o rali está mais forte este ano?
O clima atual é um dos mais favoráveis dos últimos anos. Segundo analistas como Flávio Conde, da Levante, vários fatores pesam a favor:
- Corte de juros nos Estados Unidos
- Expectativa de novos cortes no Brasil
- Melhora no ambiente comercial entre Brasil e EUA
- Entrada forte de investidor estrangeiro
A influência dos juros dos EUA
O Federal Reserve retomou o ciclo de cortes há cerca de um mês, e o mercado aposta em nova redução na reunião da próxima semana. Juros mais baixos por lá fazem o investidor global buscar mais risco — e os mercados emergentes, como o Brasil, entram imediatamente no radar.
Como diz Conde:
“Quando o Fed corta juros, o dinheiro vem.”
E é exatamente esse fluxo que tem impulsionado fortemente a Bolsa brasileira.
Cenário interno também ajuda o rali de 2025
No Brasil, a interpretação de parte do mercado é de que o pior já ficou para trás. A inflação baixou nos últimos meses e cresceu a expectativa por cortes de juros já no início de 2026.
Para muitos analistas, isso acendeu um sinal verde para a entrada de capital — e reforçou ainda mais o movimento de alta.
As próximas sinalizações do Banco Central, depois do último Copom do ano, podem definir se a sequência de altas continuará acelerada ou não.
Relações entre Trump e Lula também entraram no radar
Outro ponto importante para explicar o início antecipado do rali foi a reunião entre Donald Trump e Lula, em setembro. O encontro reduziu tensões comerciais e trouxe avanços nas tarifas aplicadas aos setores de agricultura e carnes.
Mas desafios ainda existem: siderurgia, máquinas, calçados e móveis seguem com pendências importantes. Ainda assim, o simples alívio das tensões já influenciou positivamente o humor do mercado.
Tem mais motivos por trás da alta do Ibovespa
Além dos fatores macro, especialistas citam outros dois gatilhos importantes:
- Resultados trimestrais fortes das companhias listadas
- Pesquisas eleitorais para 2026, que apontam possíveis mudanças de cenário político
Segundo Fernando Bresciani, analista do AndBank, mesmo com juros altos, as empresas conseguiram entregar bons desempenhos operacionais.
Do lado político, novas pesquisas mostram perda de força de Lula no segundo turno, o que agrada parte do mercado — que vê nomes mais alinhados a pautas econômicas liberais como alternativa.
Conclusão: o rali continua?
Tudo indica que sim.
Se o Fed cortar juros mais uma vez na próxima semana, e se o Banco Central brasileiro reforçar o tom de queda, o mercado pode ganhar ainda mais força para seguir no rali até dezembro.
E para continuar acompanhando os próximos capítulos da Bolsa e entender como aproveitar o movimento, continue navegando pelo Brasilvest.
Perguntas Frequentes (FAQs)
O que é o rali de Natal na Bolsa?
É a tendência histórica de alta nos mercados no fim do ano, impulsionada por fatores sazonais e macroeconômicos.
Por que o rali começou mais cedo em 2025?
Por causa do fluxo estrangeiro, corte de juros nos EUA, inflação controlada no Brasil e melhora nas relações comerciais.
O rali acontece todos os anos?
Não. Ele depende de estabilidade macroeconômica. Em anos de crise, o movimento pode não ocorrer.
O Fed influencia o rali?
Sim. Juros menores nos EUA fazem investidores buscarem mais risco em países emergentes como o Brasil.
A política brasileira pode afetar o rali?
Sim. Pesquisas eleitorais e mudanças de cenário político influenciam diretamente o comportamento do mercado.









