O Bradesco (BBDC4) entra em 2026 cercado de expectativa. Depois de anos de pressão sobre resultados, o banco dá sinais claros de recuperação e volta a chamar a atenção do mercado. O principal motivo atende por um nome: Marcelo Noronha, CEO que assumiu o comando em novembro de 2023 e lidera um processo profundo de reorganização interna.
Desde a troca de comando, o banco iniciou um turnaround operacional que começa a aparecer nos números. A melhora do retorno sobre patrimônio, o avanço na eficiência e o controle maior dos riscos colocam o Bradesco novamente na disputa entre os grandes bancos para quem olha o médio e o longo prazo.
O que mudou no Bradesco desde a chegada do novo CEO?
A atual gestão focou em atacar pontos que vinham incomodando investidores há anos. O primeiro deles foi a rentabilidade. O ROE, que ficou pressionado por um longo período, voltou a se aproximar de 15%, com 14,6% no terceiro trimestre de 2025, mostrando que o banco começa a recuperar sua capacidade de gerar valor.
Outro pilar importante foi a eficiência operacional. O Bradesco acelerou o processo de digitalização, reduziu custos e redesenhou sua estrutura física. Agências tradicionais deram lugar a unidades mais enxutas, com foco em atendimento consultivo e operações digitais.
Essa mudança não apenas corta despesas fixas, como também acompanha o comportamento do cliente, cada vez mais digital e menos dependente do atendimento presencial.
A eficiência operacional é sustentável em 2026?
Tudo indica que sim. O banco tem direcionado esforços especialmente para o segmento corporativo, onde enxerga maior potencial de ganho de escala. A automação de processos, o uso de dados e a revisão de estruturas internas ajudam a manter custos sob controle, mesmo em um ambiente econômico mais desafiador.
Além disso, houve um avanço relevante na gestão de risco e inadimplência, principalmente nas carteiras mais sensíveis, como pequenas e médias empresas. Esse ponto é crucial em um cenário de juros elevados, pois protege a rentabilidade e reduz surpresas negativas nos balanços.
Como o cenário macroeconômico pode impactar o Bradesco?
Aqui está um dos principais pontos de atenção. O Bradesco é considerado um dos bancos mais sensíveis ao ciclo econômico brasileiro. Com a Selic em torno de 15%, o custo do crédito aumenta e a inadimplência pode pressionar resultados.
Por outro lado, essa mesma sensibilidade pode jogar a favor. Em um cenário de queda de juros e retomada da atividade econômica, o banco tende a se beneficiar mais rápido do que seus pares, com expansão de crédito, melhora da margem financeira e avanço do lucro.
Ou seja, o desempenho em 2026 estará diretamente ligado ao rumo da política monetária e da economia doméstica.
A ação do Bradesco está barata?
Do ponto de vista de valuation, muitos analistas enxergam o Bradesco (BBDC4) como atrativo. O banco negocia próximo de 1,2 vez o valor patrimonial, enquanto o múltiplo de lucro gira entre 7 e 7,5 vezes, dependendo da métrica analisada.
Esses números sugerem que parte dos riscos já está precificada. Caso o turnaround continue e o cenário macro ajude, há espaço para reprecificação das ações.
Há ainda a expectativa de que o ROE possa avançar para níveis próximos de 20% nos próximos trimestres ou semestres, desde que o banco mantenha disciplina em custos, controle de riscos e eficiência.
Vale a pena ficar de olho no Bradesco em 2026?
O Bradesco entra em 2026 em uma posição diferente da de anos anteriores. A combinação de gestão mais técnica, melhora operacional e valuation atrativo coloca o banco novamente no radar de quem busca oportunidades no setor financeiro.
Como todo investimento em bancos, os riscos macroeconômicos existem. Ainda assim, para investidores com visão de longo prazo, o momento parece mais construtivo do que defensivo.
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Perguntas Frequentes (FAQs)
O Bradesco pode crescer em 2026?
Sim, desde que o processo de turnaround continue e o cenário econômico ajude, especialmente com queda de juros.
Qual foi o principal impacto da nova gestão no Bradesco?
A melhora na eficiência operacional, no controle de custos e na rentabilidade do banco.
O Bradesco é sensível à Selic?
Sim, o banco reage fortemente às mudanças na taxa de juros e ao nível de inadimplência.
A ação BBDC4 está barata?
Os múltiplos atuais indicam valuation atrativo em relação a outros grandes bancos.
O ROE do Bradesco pode chegar a 20%?
Existe essa expectativa, mas ela depende do cenário macro e da continuidade da estratégia atual.









