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Prepare o bolso: a carne bovina deve ficar cerca de 10% mais cara em 2026, segundo analistas do setor. O movimento é explicado pela virada do ciclo pecuário, que reduz a oferta de animais para abate e pressiona os preços ao longo da cadeia.
No mês passado, a carne já vinha dando sinais dessa tendência. O IPCA registrou alta de 0,21%, enquanto no acumulado de 12 meses a inflação da proteína alcançou 12,24%. Peito e capa de filé lideraram as altas, enquanto a tradicional picanha subiu 7,68%, segundo o IBGE.
Por que a carne vai subir em 2026?
Especialistas apontam que 2026 deve consolidar a inversão do ciclo pecuário.
Após anos de abates elevados — especialmente de fêmeas — a disponibilidade de animais jovens caiu drasticamente.
Essa dinâmica encarece o bezerro, que em alguns momentos chega a valer mais do que o boi gordo, elevando o chamado ágio da reposição. Com o bezerro mais caro, o pecuarista opta por reter fêmeas, reduzindo ainda mais a oferta.
De acordo com a consultoria Datagro, o Brasil deve registrar queda de 7,5% nos abates em 2026, somando cerca de 38 milhões de cabeças — ainda assim, um dos maiores volumes dos últimos anos.
Exportações aquecidas também pressionam o mercado interno
O Brasil deve fechar 2025 com recorde de abates, chegando a 41 milhões de cabeças, e com exportações fervendo. Até novembro, os embarques acumulavam 4 milhões de toneladas em equivalente carcaça (TEC), alta de 12% sobre 2024.
De janeiro a outubro, o país já exportou 2,79 milhões de toneladas, avanço de 16,6%, somando US$ 14,31 bilhões em receita.
Com tanta demanda externa, menos carne permanece no mercado doméstico — e o preço sobe.
Nos EUA, a realidade é outra: carne dispara por falta de gado
Enquanto o Brasil vive o auge dos abates, os Estados Unidos enfrentam uma forte contração do rebanho. A carne moída já acumula alta de 14% no ano, segundo o BLS.
Alguns números impressionam:
- rebanho bovino está no menor nível em 75 anos
- produção deve cair 4% em 2025 e 2% em 2026
- desde 2019, o gado de corte recuou 13%
A seca, o custo da ração, a queda nas pastagens e tarifas impostas pelo governo americano agravaram o problema. A situação levou empresas como a Tyson Foods a fechar plantas ou reduzir turnos.
Para piorar, desde maio os EUA suspenderam a importação de gado do México por causa da praga New World Screwworm (NWS), conhecida como “bicheira do Novo Mundo”. O fluxo de animais para engorda e abate foi interrompido, restringindo ainda mais a oferta.
Na tentativa de conter a escalada dos preços, Donald Trump removeu a sobretaxa sobre a carne brasileira e ampliou a cota de importação da Argentina.
O que esperar daqui pra frente?
A combinação de menor oferta, exportações fortes e pressão internacional cria um cenário de preços firmes para 2026. A carne deve seguir mais cara no supermercado e no açougue, refletindo uma dinâmica típica do ciclo pecuário.
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Perguntas Frequentes (FAQs)
A carne realmente vai subir em 2026?
Sim. A expectativa é de até 10% de aumento devido à menor oferta de animais.
Por que está faltando boi para abate?
Por causa da inversão do ciclo pecuário, após anos de abate elevado de fêmeas.
A exportação influencia no preço interno?
Muito. Com demanda externa forte, sobra menos carne no mercado brasileiro.
Quais cortes mais subiram no último ano?
Peito (+17,04%), capa de filé (+16,69%) e picanha (+7,68%).
O que está acontecendo nos EUA?
O rebanho está no menor nível em 75 anos, elevando os preços da carne.
O cenário pode melhorar rapidamente?
Não. A recomposição do rebanho leva 2 a 3 anos, segundo analistas.









