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quinta-feira, fevereiro 12, 2026
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Seu cartão de crédito é uma navalha?

Enquanto o Brasil decide qual cara mostrar, nós pagamos a fatura

Segunda metade da década de 2000. O Brasil assistia, entusiasmado e com dinheiro rodando, à ascensão da chamada nova classe C. Estava na faculdade de Jornalismo e uma capa da finada Época Negócios dedicava-se a destrinchar o fenômeno. Um dos personagens da reportagem era uma rapaz, morador de comunidade, que ostentava uma coleção de perfumes importados originais. Todos comprados no cartão de crédito.

Para além da aquisição de objetos de desejo, o cartão de crédito passou a servir àquela camada da população como capital de giro e, consequentemente, a fomentar o empreendedorismo de quem trabalhava muito e ganhava pouco.

O governo Lula 2, cuja batuta da Fazenda fora regida a mão de ferro por Guido Mantega, colhia frutos de uma política econômica geradora de bolhas que o futuro foi pródigo ao mostrar como estourariam: nada bem. Para além da bolha, estouravam também faturas de norte a sul do país, incentivadas por pacotes de bondades – como a isenção do IPI para a chamada linha branca – que fizeram as idas às grandes do varejo uma verdadeira busca por Eldorado.

Mais de quinze anos após o frenesi da linha branca e de seus correspondentes, Lula enfrenta desafios diferentes. Agora com Fernando Haddad no comando da economia, voltamos ao ponto de partida, só que com a lâmina mais afiada.

Em pleno Lula 3, mesmo com medidas como o Desenrola Brasil e a promessa de juros limitados, o rotativo continua sendo uma armadilha: em maio de 2025, a taxa média beirava 450% ao ano, suficiente para transformar qualquer fatura atrasada em uma bola de neve incontrolável.

O cartão, que um dia foi visto como motor de ascensão e capital de giro para pequenos empreendedores, hoje funciona mais como uma navalha que corta fundo na renda de quem menos pode se defender.

Enquanto o Brasil oscila entre as entrelinhas do vir a ser um país seguro para investir e para se comprar sem dor de cabeça – e não mostra sua cara, como nos pede Gal Costa – nosso cartão de crédito, é sim, uma navalha.

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