A Casas Bahia (BHIA3) encerrou o terceiro trimestre com uma notícia que o mercado aguardava há meses: a empresa reduziu drasticamente sua dívida e deu um passo decisivo no processo de recuperação financeira. Em fato relevante divulgado no fim de dezembro, a varejista informou a conclusão da reestruturação do passivo, com impacto direto no caixa e no risco financeiro do negócio.
O movimento é visto como um dos mais relevantes da companhia nos últimos anos e pode mudar a percepção dos investidores sobre o futuro da empresa.
Como a Casas Bahia conseguiu reduzir a dívida
A redução do endividamento veio após um processo amplo de reperfilamento da 10ª emissão de debêntures e da emissão da 11ª, estruturada em quatro séries diferentes. A operação faz parte do plano de transformação financeira apresentado anteriormente ao mercado.
Com isso, a empresa conseguiu diminuir o endividamento líquido pró-forma do terceiro trimestre em cerca de R$ 2,3 bilhões, alinhando-se às metas traçadas pela gestão.
No total, o passivo da companhia teve uma redução próxima de R$ 3 bilhões, segundo o comunicado oficial.
Economia bilionária no caixa até 2030
Além da queda imediata da dívida, a reestruturação traz efeitos de longo prazo. A Casas Bahia estima uma economia de aproximadamente R$ 1,5 bilhão em despesas financeiras entre 2026 e 2030.
Quando somado ao impacto no caixa, o ganho total projetado ao longo do período chega a R$ 4,7 bilhões, um alívio significativo para uma empresa que vinha sofrendo forte pressão financeira.
Esse fôlego extra pode ser determinante para a continuidade das operações e para a retomada gradual da confiança do mercado.
Menor risco e melhora no relacionamento com credores
Segundo a companhia, a operação também melhora de forma relevante o perfil de risco do grupo. A expectativa é de redução dos spreads de crédito e melhores condições de negociação com fornecedores, seguradoras e novos credores.
Na prática, isso significa menos custo para captar recursos e mais flexibilidade financeira em um setor altamente competitivo como o varejo.
O papel da Mapa Capital na reestruturação
Um dos pontos centrais dessa virada financeira foi a entrada da Mapa Capital como principal acionista. Em agosto, a gestora se tornou a maior sócia da Casas Bahia após a conversão de R$ 1,6 bilhão em dívidas em ações.
Com isso, a Mapa Capital passou a ocupar três assentos no conselho de administração, de um total de sete previstos. Atualmente, o colegiado conta com cinco membros, com expectativa de ampliação.
A gestora assumiu dívidas que antes estavam com grandes bancos e passou a liderar a condução do plano financeiro, apostando na valorização dos papéis no longo prazo.
O que o investidor deve observar agora
A redução da dívida é um sinal claro de avanço, mas o mercado seguirá atento à execução do plano, à geração de caixa e à capacidade da empresa de sustentar a recuperação operacional.
Para o investidor, o caso da Casas Bahia reforça a importância de acompanhar de perto reestruturações financeiras, que podem mudar completamente o risco e o potencial de retorno de uma ação.
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Perguntas Frequentes (FAQs)
Quanto a Casas Bahia reduziu da dívida no 3º trimestre?
A empresa reduziu cerca de R$ 2,3 bilhões no endividamento líquido pró-forma.
Como foi feita a reestruturação?
Por meio do reperfilamento da 10ª emissão de debêntures e da emissão da 11ª, dividida em quatro séries.
Qual a economia prevista com a renegociação?
A companhia estima R$ 1,5 bilhão em despesas financeiras menores até 2030.
Quem é a maior acionista da Casas Bahia hoje?
A Mapa Capital, que se tornou a principal acionista após converter dívida em ações.









