A investigação envolvendo o Banco Master entrou em um novo e delicado capítulo no Supremo Tribunal Federal. O ministro Dias Toffoli decidiu dar autonomia total à Polícia Federal para conduzir os depoimentos e avaliar se haverá, ou não, necessidade de acareação entre os envolvidos. A decisão muda o ritmo do inquérito, gera ruído no mercado financeiro e amplia a tensão em torno do caso.
O que o STF decidiu sobre a investigação do Banco Master
Inicialmente, o STF havia determinado a realização de uma acareação para aprofundar a apuração sobre irregularidades envolvendo o Banco Master. Agora, porém, Toffoli autorizou que a delegada responsável pelo caso avalie se há contradições suficientes nos depoimentos que justifiquem colocar os investigados frente a frente.
Serão ouvidos Daniel Vorcaro, controlador do banco, Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB – BSLI3), e Ailton de Aquino, diretor de Fiscalização do Banco Central. A audiência ocorrerá no próprio Supremo, a portas fechadas, e começará com os depoimentos individuais.
Se, na avaliação da Polícia Federal, não houver inconsistências relevantes, a acareação pode simplesmente não acontecer.
Quem conduz os depoimentos e por que isso importa
A condução dos interrogatórios ficará a cargo da delegada Janaína Palazzo, chefe da Delegacia de Inquéritos Especiais da PF em Brasília. Ela já estava à frente do caso desde o início e foi mantida pelo diretor-geral da corporação, Andrei Passos Rodrigues, após solicitação formal de Toffoli.
Esse ponto é considerado crucial porque reforça a independência da Polícia Federal na condução das diligências, mesmo diante de pressões políticas, jurídicas e do próprio mercado financeiro.
Por que a decisão gerou críticas no mercado e no meio jurídico
A ordem inicial de acareação causou estranhamento entre juristas e agentes do mercado, já que o procedimento costuma ocorrer apenas após depoimentos formais, quando surgem contradições claras.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou contra a medida, argumentando que os depoimentos ainda não haviam sido colhidos. Mesmo assim, Toffoli manteve a audiência, agora com um formato mais flexível, deixando a decisão final nas mãos da PF.
A investigação, a prisão e as suspeitas bilionárias
A delegada Janaína Palazzo apontou indícios de fraudes na venda de falsas carteiras de crédito consignado, supostamente negociadas entre o Banco Master e o BRB (BSLI3), em um volume estimado de R$ 12,2 bilhões.
Com base nesses elementos, ela pediu a prisão preventiva de Daniel Vorcaro, que chegou a ser detido em novembro, por decisão da Justiça Federal de Brasília. Dias depois, ele foi solto após habeas corpus concedido pelo TRF-1.
A investigação acabou sendo enviada ao STF após a apreensão de documentos que mencionariam autoridades com foro privilegiado.
Banco Central, TCU e o risco de anulação da liquidação
O Banco Central também recorreu contra a acareação, buscando esclarecer se seu diretor deporia como testemunha ou investigado. Um dos principais receios da autarquia é que o andamento do processo abra margem para questionamentos sobre a liquidação do Banco Master, decretada em novembro.
Paralelamente, o Tribunal de Contas da União (TCU) passou a analisar a atuação do BC no caso. O ministro Jhonatan de Jesus questionou a rapidez da liquidação e levantou a hipótese de que soluções de mercado poderiam ter sido consideradas antes da medida extrema.
O Banco Central, por sua vez, sustenta que seguiu rigorosamente todos os ritos legais, diante de evidências robustas de fraude e problemas graves de liquidez.
Apoio do sistema financeiro ao Banco Central
Entidades representativas do sistema financeiro saíram em defesa do Banco Central. Associações como Febraban, ABBC, Acrefi e Zetta divulgaram nota conjunta reforçando a importância de uma supervisão técnica, independente e prudente do sistema bancário.
O movimento mostra que o caso ultrapassou o campo jurídico e passou a ter impacto direto sobre a confiança no sistema financeiro brasileiro.
Diante desse cenário, o desfecho da investigação pode influenciar não apenas o futuro dos envolvidos, mas também a forma como o mercado enxerga a atuação das autoridades. Para acompanhar os próximos capítulos e entender os reflexos desse caso, continue navegando pelo Brasilvest.
Perguntas Frequentes (FAQs)
O que o STF decidiu sobre a acareação no caso Banco Master?
O Supremo deu autonomia à Polícia Federal para decidir se a acareação será necessária, após analisar os depoimentos.
Quem será ouvido na investigação?
Daniel Vorcaro, Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB (BSLI3), e Ailton de Aquino, diretor do Banco Central.
Por que a decisão gerou críticas?
Porque a acareação foi inicialmente determinada antes mesmo da coleta formal dos depoimentos.
Existe risco de anulação da liquidação do Banco Master?
O Banco Central teme questionamentos, mas afirma que seguiu todo o rito legal diante das evidências de fraude.









