A captação histórica da Cemig (CMIG4) acendeu um alerta positivo no mercado e mostrou que, mesmo em meio à turbulência das debêntures incentivadas, ainda há espaço para movimentos estratégicos — desde que a empresa esteja preparada. A diretora financeira Andrea Almeida detalhou como a companhia aproveitou o momento e por que acredita que esse ciclo abre portas para investimentos sólidos nos próximos anos.
Nas últimas semanas, debêntures incentivadas viraram tema quente entre investidores. A ameaça de tributação fez muita gente correr atrás dos papéis, hoje isentos de imposto de renda, o que comprimiu retornos e aumentou a demanda. Em vez de encarar isso como problema, a Cemig soube transformar o movimento em oportunidade: captou R$ 4 bilhões, a maior emissão de sua história, reforçando caixa e alongando dívidas.
Segundo Andrea Almeida, o mercado de debêntures se tornou a alternativa mais barata de captação, oferecendo prazos longos e um apetite crescente dos investidores. A emissão foi tão demandada que saiu 55 pontos-base abaixo do CDI, algo raro no mercado corporativo.
Como a possível tributação afeta o setor?
A CFO explica que acompanha de perto o debate sobre o fim da isenção das debêntures incentivadas. A MP 1.303 chegou a prever taxação, mas o Congresso deu sinais contrários, e o governo recuou — embora não tenha desistido totalmente. Andrea é clara:
“Se a taxação for aprovada, todo o setor perde. Infraestrutura precisa de capital.”
Para a Cemig, que vive um momento operacional forte, isso seria especialmente sensível. Grande parte dos investimentos da companhia está em áreas reguladas, como distribuição e transmissão, que garantem retorno via RAP e atraem capital por serem mais estáveis.
Turnaround, venda de ativos e alavancagem mais saudável
A executiva também destacou o forte processo de reestruturação pelo qual a Cemig passou nos últimos anos. O ajuste envolveu vender ativos considerados inadequados e reorganizar a estrutura financeira. O resultado aparece nos números: a alavancagem fechou em 1,77x Dívida Líquida/Ebitda, o que dá à empresa uma base sólida para voltar a investir.
Nas palavras de Andrea:
“Agora estamos com espaço para fazer investimentos corretos.”
E há muito pela frente. O plano da empresa prevê R$ 39,2 bilhões em investimentos entre 2025 e 2029, com destaque para Minas Gerais. A Aneel já possui dois editais abertos para 2026, incluindo uma nova subestação em Extrema avaliada em R$ 3,31 bilhões.
Cemig pode disputar todos os projetos?
Apesar do caixa reforçado, o mercado tem dúvidas sobre a capacidade da companhia de entrar em todas as disputas previstas, já que parte relevante dos recursos já está comprometida com o plano estratégico. Qualquer expansão adicional dependeria de discussões sobre privatização ou federalização da estatal — temas que, por enquanto, estão parados.
Andrea evitou comentar:
“Esse assunto é da Assembleia Legislativa. Estamos prontos para agir quando necessário.”
Conclusão: Cemig vive um dos momentos mais fortes da sua história
Com captação recorde, dívida alongada, reestruturação concluída e ambiente regulatório favorável, a Cemig entra em um ciclo raro de estabilidade e capacidade de investir. Mas o futuro ainda depende de decisões políticas sobre o setor elétrico e da definição do regime tributário das debêntures incentivadas.
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Perguntas Frequentes (FAQs)
Por que a Cemig (CMIG4) captou R$ 4 bilhões?
Para reforçar caixa, aproveitar a forte demanda por debêntures e alongar sua dívida em meio a um ciclo de investimentos.
A possível taxação das debêntures incentivadas afeta a empresa?
Sim. A Cemig e outras empresas de infraestrutura perderiam uma importante fonte de captação barata e de longo prazo.
A reestruturação da Cemig já acabou?
Segundo a CFO, sim. A venda de ativos inadequados e o ajuste financeiro criaram um momento mais favorável para investir.
A Cemig vai disputar todos os projetos de 2026?
Ainda não se sabe. Parte do capital já está comprometida e novos aportes dependeriam de debates sobre privatização ou federalização.
A Cemig tem espaço para investir mais?
Sim. A empresa reduziu alavancagem e agora tem margem para realizar investimentos considerados estratégicos.









