A chamada “guerra do e-commerce” ganhou força nos últimos meses, com grandes varejistas disputando espaço e oferecendo vantagens agressivas para atrair consumidores. No centro dessa briga está o Mercado Livre (MELI34), que decidiu ampliar o benefício do frete grátis para compras a partir de R$ 19 em todo o país. Para parte dos investidores, a estratégia pode preocupar. Já para a empresa, ela faz todo sentido.
Segundo João Paulo Lima, CFO do Mercado Livre, o movimento é estratégico e pensado para gerar retorno adiante:
“Com ganho de escala e um investimento bem conduzido, acreditamos que vamos proteger nossa rentabilidade. No curto prazo ela pode até ser pressionada, mas no médio e longo prazo se recupera.”
A tática, no entanto, já impacta os números. No 3º trimestre de 2025, a margem operacional (Ebit) ficou em 9,8%, a menor desde o fim de 2023. Apesar disso, a companhia reforça que os benefícios de longo prazo superam a queda pontual.
A disputa agora é contra as gigantes asiáticas
Lima explica que o Mercado Livre se prepara para um embate cada vez mais intenso com plataformas asiáticas como Shopee, Temu e AliExpress — empresas que operam com foco digital e sem o peso do varejo físico.
Hoje, o e-commerce brasileiro representa 15% a 16% do varejo nacional. Na China, a participação chega a quase 30%. Para o CFO, ainda há muito espaço para crescer:
“A competição com players asiáticos vai aumentar. O varejo digital brasileiro continuará avançando e, nessa batalha, o diferencial está no serviço.”
Isso significa entregar rápido, ter logística robusta e oferecer suporte profissional aos sellers — pontos nos quais o Mercado Livre segue investindo pesado.
Infraestrutura logística segue no centro da estratégia
O plano de crescimento passa por investimentos contínuos em logística, incluindo:
- Fulfillment (quando o Meli cuida de toda a operação logística do vendedor)
- Cross-docking (produto enviado pelos sellers e distribuído pelo Meli)
- Centros de distribuição espalhados pelo país
A ideia é permitir entregas cada vez mais rápidas, ampliar a capacidade de operação e consolidar a marca como principal referência do varejo digital brasileiro.
E a competição com as varejistas brasileiras?
Aqui, o CFO demonstra menos preocupação. Segundo ele, empresas como Magazine Luiza (MGLU3) e Casas Bahia (BHIA3) ainda têm um foco grande no varejo físico, o que reduz a rapidez de adaptação online.
“O único varejista nacional com investimento digital realmente robusto era as Lojas Americanas. Com a recuperação judicial, elas saíram desse mercado.”
Com isso, o espaço ficou ainda mais aberto para o Mercado Livre — e para as asiáticas.
Consumo brasileiro segue instável
No campo macroeconômico, Lima analisa um cenário misto:
- Desemprego baixo estimula o consumo
- Mas inflação e juros altos continuam limitando o orçamento das famílias
Ainda assim, ele destaca que o varejo online segue ganhando espaço:
“A família brasileira vem destinando mais renda ao varejo digital, principalmente quando encontra preço bom e conveniência.”
Segundo o CFO, a previsibilidade trazida pela inflação mais controlada também é fundamental para o consumidor se sentir confortável para comprar.
O movimento deixa claro: para o Mercado Livre, oferecer frete grátis agora significa criar uma base de crescimento que sustente a rentabilidade no futuro — apostando na logística, no aumento da escala e na continuidade do avanço digital no Brasil.
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Perguntas Frequentes (FAQs)
Frete grátis prejudica a rentabilidade do Mercado Livre?
No curto prazo, sim. Mas a empresa acredita que o ganho de escala recupera e aumenta essa rentabilidade no médio e longo prazo.
Quem são os principais concorrentes do Mercado Livre hoje?
As gigantes asiáticas Shopee, Temu e AliExpress, que focam 100% no digital.
Por que o e-commerce brasileiro ainda tem espaço para crescer?
Porque a penetração atual está em 15% a 16%, enquanto países como a China já ultrapassam 30%.
O Mercado Livre está investindo em logística?
Sim. A empresa amplia operações de fulfillment, cross-docking e centros de distribuição.
Como está o consumo no Brasil?
Instável: desemprego baixo ajuda, mas inflação e juros continuam pesando no bolso das famílias.
Varejistas brasileiras ainda são uma ameaça ao Meli?
Segundo o CFO, menos que antes. O foco maior dessas companhias segue no varejo físico, o que reduz competitividade online.









