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quinta-feira, fevereiro 12, 2026
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CFO do Mercado Livre (MELI34) explica se frete grátis vale a pena nos dias de hoje

A chamada “guerra do e-commerce” ganhou força nos últimos meses, com grandes varejistas disputando espaço e oferecendo vantagens agressivas para atrair consumidores. No centro dessa briga está o Mercado Livre (MELI34), que decidiu ampliar o benefício do frete grátis para compras a partir de R$ 19 em todo o país. Para parte dos investidores, a estratégia pode preocupar. Já para a empresa, ela faz todo sentido.

Segundo João Paulo Lima, CFO do Mercado Livre, o movimento é estratégico e pensado para gerar retorno adiante:

“Com ganho de escala e um investimento bem conduzido, acreditamos que vamos proteger nossa rentabilidade. No curto prazo ela pode até ser pressionada, mas no médio e longo prazo se recupera.”

A tática, no entanto, já impacta os números. No 3º trimestre de 2025, a margem operacional (Ebit) ficou em 9,8%, a menor desde o fim de 2023. Apesar disso, a companhia reforça que os benefícios de longo prazo superam a queda pontual.

A disputa agora é contra as gigantes asiáticas

Lima explica que o Mercado Livre se prepara para um embate cada vez mais intenso com plataformas asiáticas como Shopee, Temu e AliExpress — empresas que operam com foco digital e sem o peso do varejo físico.

Hoje, o e-commerce brasileiro representa 15% a 16% do varejo nacional. Na China, a participação chega a quase 30%. Para o CFO, ainda há muito espaço para crescer:
“A competição com players asiáticos vai aumentar. O varejo digital brasileiro continuará avançando e, nessa batalha, o diferencial está no serviço.”

Isso significa entregar rápido, ter logística robusta e oferecer suporte profissional aos sellers — pontos nos quais o Mercado Livre segue investindo pesado.

Infraestrutura logística segue no centro da estratégia

O plano de crescimento passa por investimentos contínuos em logística, incluindo:

  • Fulfillment (quando o Meli cuida de toda a operação logística do vendedor)
  • Cross-docking (produto enviado pelos sellers e distribuído pelo Meli)
  • Centros de distribuição espalhados pelo país

A ideia é permitir entregas cada vez mais rápidas, ampliar a capacidade de operação e consolidar a marca como principal referência do varejo digital brasileiro.

E a competição com as varejistas brasileiras?

Aqui, o CFO demonstra menos preocupação. Segundo ele, empresas como Magazine Luiza (MGLU3) e Casas Bahia (BHIA3) ainda têm um foco grande no varejo físico, o que reduz a rapidez de adaptação online.

“O único varejista nacional com investimento digital realmente robusto era as Lojas Americanas. Com a recuperação judicial, elas saíram desse mercado.”

Com isso, o espaço ficou ainda mais aberto para o Mercado Livre — e para as asiáticas.

Consumo brasileiro segue instável

No campo macroeconômico, Lima analisa um cenário misto:

  • Desemprego baixo estimula o consumo
  • Mas inflação e juros altos continuam limitando o orçamento das famílias

Ainda assim, ele destaca que o varejo online segue ganhando espaço:
“A família brasileira vem destinando mais renda ao varejo digital, principalmente quando encontra preço bom e conveniência.”

Segundo o CFO, a previsibilidade trazida pela inflação mais controlada também é fundamental para o consumidor se sentir confortável para comprar.

O movimento deixa claro: para o Mercado Livre, oferecer frete grátis agora significa criar uma base de crescimento que sustente a rentabilidade no futuro — apostando na logística, no aumento da escala e na continuidade do avanço digital no Brasil.

Para seguir acompanhando análises, tendências do varejo e movimentos das principais empresas da Bolsa, continue navegando pelo Brasilvest.

Perguntas Frequentes (FAQs)

Frete grátis prejudica a rentabilidade do Mercado Livre?

No curto prazo, sim. Mas a empresa acredita que o ganho de escala recupera e aumenta essa rentabilidade no médio e longo prazo.

Quem são os principais concorrentes do Mercado Livre hoje?

As gigantes asiáticas Shopee, Temu e AliExpress, que focam 100% no digital.

Por que o e-commerce brasileiro ainda tem espaço para crescer?

Porque a penetração atual está em 15% a 16%, enquanto países como a China já ultrapassam 30%.

O Mercado Livre está investindo em logística?

Sim. A empresa amplia operações de fulfillment, cross-docking e centros de distribuição.

Como está o consumo no Brasil?

Instável: desemprego baixo ajuda, mas inflação e juros continuam pesando no bolso das famílias.

Varejistas brasileiras ainda são uma ameaça ao Meli?

Segundo o CFO, menos que antes. O foco maior dessas companhias segue no varejo físico, o que reduz competitividade online.

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