A China decidiu apertar o cerco sobre a carne bovina importada e a decisão atinge em cheio o Brasil. A partir de 1º de janeiro, o governo chinês passará a aplicar tarifas de 55% sobre a carne bovina brasileira que ultrapassar os limites definidos por cotas anuais. A medida também vale para Argentina, Uruguai, Austrália e Estados Unidos.
O anúncio foi feito pelo Ministério do Comércio da China e já provoca preocupação no setor agropecuário brasileiro, já que o país asiático é, de longe, o maior comprador da carne do Brasil.
Por que a China decidiu taxar a carne brasileira
Segundo o governo chinês, a decisão tem caráter protecionista e foi tomada após estudos apontarem que o aumento das importações de carne bovina estaria prejudicando a indústria local.
Nos últimos anos, a China passou a enfrentar um cenário de excesso de oferta de carne e demanda mais fraca, reflexo da desaceleração econômica. Esse desequilíbrio pressionou os preços internos e levou Pequim a adotar medidas para proteger produtores nacionais.
Apesar do discurso oficial de que não se trata de restringir o comércio, a criação de tarifas elevadas sobre volumes excedentes funciona, na prática, como um forte desestímulo às exportações acima das cotas.
Qual é o impacto direto para o Brasil
Até novembro, o Brasil exportou cerca de 1,4 milhão de toneladas de carne bovina para a China, consolidando o país como principal fornecedor do produto ao mercado chinês.
Com a nova regra, em 2026, a cota brasileira será de 1,1 milhão de toneladas. Todo o volume que ultrapassar esse limite estará sujeito à tarifa de 55%, o que pode inviabilizar economicamente parte das vendas.
Na prática, isso cria um risco claro de redução nas exportações, pressão sobre preços pagos ao produtor e necessidade de buscar novos mercados para absorver o excedente.
Como ficam os outros países afetados
O Brasil não está sozinho na lista. A China definiu cotas diferentes para cada país:
- Argentina: cerca de metade da cota brasileira
- Uruguai: 324 mil toneladas
- Austrália: aproximadamente 200 mil toneladas
- Estados Unidos: 164 mil toneladas
Além disso, o governo chinês anunciou a suspensão parcial de um acordo de livre comércio com a Austrália no segmento de carne bovina, o que reforça o tom protecionista da decisão.
Medida tem prazo e pode ser reduzida
As tarifas adicionais terão validade inicial de três anos, até 31 de dezembro de 2028. Segundo o Ministério do Comércio da China, as cotas serão reavaliadas anualmente e ampliadas de forma gradual.
O governo chinês afirma que as salvaguardas são temporárias e têm como objetivo dar fôlego à indústria local, e não bloquear o comércio internacional. Ainda assim, o impacto no curto prazo é significativo.
Para o Brasil, o desafio agora é recalibrar a estratégia de exportação, diversificar mercados e acompanhar de perto as negociações diplomáticas e comerciais.
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Perguntas Frequentes (FAQs)
Quando a tarifa de 55% entra em vigor?
A partir de 1º de janeiro de 2026.
A tarifa vale para toda a carne exportada?
Não. Ela será aplicada apenas sobre o volume que ultrapassar a cota anual definida para cada país.
Qual é a cota do Brasil em 2026?
A cota brasileira será de 1,1 milhão de toneladas.
Por que a China tomou essa decisão?
Segundo o governo chinês, o excesso de importações estaria prejudicando a indústria local de carne bovina.
A medida é definitiva?
Não. As tarifas terão validade inicial até o fim de 2028 e podem ser revistas ou reduzidas ao longo do tempo.









