Durante anos, os Estados Unidos e seus aliados tentaram impedir que a China chegasse ao “coração” da tecnologia que fabrica os chips mais avançados do mundo. Só que, nos bastidores, Pequim parece ter acelerado bem mais do que o mercado acreditava.
Segundo informações apuradas pela Reuters, um laboratório de alta segurança em Shenzhen construiu um protótipo de máquina EUV, a tecnologia usada para produzir chips de última geração, aqueles que alimentam inteligência artificial, smartphones e até sistemas militares. E aqui está o detalhe que muda tudo: o protótipo teria sido desenvolvido por uma equipe com ex-engenheiros da ASML, empresa holandesa que domina esse mercado.
O protótipo ficou pronto no início de 2025 e está em fase de testes. Ele já consegue gerar luz ultravioleta extrema, que é justamente a base do processo de litografia EUV. Ainda não é capaz de produzir chips funcionais, mas, para muita gente, só o fato de “acender” essa luz com sucesso já é um salto enorme.
Por que a máquina EUV é tão importante?
As máquinas EUV são consideradas um dos equipamentos mais complexos já construídos pela indústria moderna. Elas usam feixes de luz ultravioleta extrema para gravar circuitos microscópicos em discos de silício.
Quanto menores esses circuitos, mais potente e eficiente fica o chip. Por isso, a litografia EUV é vista como a “chave” para avançar em áreas como IA, computação de alto desempenho, telecomunicações e defesa.
Hoje, essa tecnologia é essencialmente um monopólio ocidental. A ASML vende equipamentos que custam cerca de US$ 250 milhões e são indispensáveis para fabricantes como TSMC, Intel e Samsung produzirem chips de ponta, inclusive os usados por gigantes como a Nvidia (NVDC34).
A China está mesmo perto da independência em semicondutores?
Ainda não, mas a distância pode ter encurtado. Até pouco tempo, a percepção era de que a China levaria “uma década ou mais” para chegar perto de reproduzir a litografia EUV. Agora, com a existência do protótipo, a ideia é que o cronograma pode ser bem menos pessimista.
O governo chinês teria definido como meta produzir chips funcionais com esse protótipo até 2028, embora pessoas próximas do projeto considerem 2030 mais realista. Mesmo assim, seria um avanço importante, anos antes do que muitos analistas projetavam.
Por que os EUA tentaram bloquear isso por tanto tempo?
Porque cortar o acesso da China à litografia avançada significa segurar o avanço tecnológico do país. Desde 2018, houve pressão para impedir a venda de máquinas EUV para empresas chinesas. Depois, em 2022, os controles de exportação ficaram ainda mais amplos, atingindo também equipamentos DUV mais antigos, usados para chips menos avançados.
O objetivo era manter a China pelo menos “uma geração atrás” em capacidade de fabricação. Só que, se Pequim realmente conseguir dominar o EUV, o jogo vira.
O “Projeto Manhattan” chinês e o papel da Huawei
As fontes descrevem o esforço como uma espécie de “Projeto Manhattan” da China, com coordenação estatal, sigilo rígido e uma rede de empresas e institutos de pesquisa trabalhando em conjunto.
A Huawei aparece como peça central nessa engrenagem, ajudando a integrar a cadeia completa: do desenho dos chips ao equipamento, passando pela manufatura e aplicação em produtos finais. Para manter segredo, o projeto teria usado até identidades falsas para alguns recrutados e restringido o acesso interno às informações, com equipes isoladas entre si.
O maior obstáculo: a óptica de precisão
Apesar do avanço, o gargalo ainda é brutal: sistemas ópticos ultrafinos e de altíssima precisão, que são difíceis de replicar. É aí que entram fornecedores ocidentais especializados, e a falta desse nível de refinamento pode atrasar a China mesmo com uma fonte de luz funcionando.
Ainda assim, o protótipo teria sido montado com apoio de componentes obtidos de máquinas antigas no mercado secundário, além do uso de redes intermediárias para compra de peças. Isso mostra como, mesmo com restrições, a China encontra caminhos para avançar.
O que esse avanço pode mudar no mercado global?
Se a China dominar a litografia EUV, o impacto vai muito além de tecnologia. Isso mexe com cadeias globais de suprimentos, geopolítica, liderança em IA e até estratégias de investimento ligadas a semicondutores e big techs.
E o mais importante: o mercado pode estar subestimando a velocidade com que Pequim está chegando lá.
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Perguntas Frequentes (FAQs)
O que é uma máquina EUV?
É um equipamento de litografia que usa luz ultravioleta extrema para gravar circuitos minúsculos em chips avançados.
Por que a EUV é tão estratégica?
Porque ela permite fabricar chips mais potentes, essenciais para IA, smartphones e aplicações militares.
A China já consegue produzir chips avançados com EUV?
Ainda não. O protótipo gera a luz EUV, mas não produziu chips funcionais até agora.
Quem domina a tecnologia EUV hoje?
A ASML, empresa holandesa, é a principal referência mundial em máquinas EUV.
Qual a previsão para a China ter chips funcionais com essa tecnologia?
A meta oficial citada é 2028, mas fontes apontam 2030 como prazo mais realista.
Isso pode afetar empresas de chips e tecnologia?
Pode sim, porque muda competição, cadeia de suprimentos e equilíbrio geopolítico no setor.









