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domingo, novembro 30, 2025
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Como o Miss Universo virou um negócio milionário – e por que 2025 explodiu em revolta entre as misses

Por trás dos vestidos de gala, das coroas brilhantes e do discurso sobre empoderamento, o Miss Universo funciona como um negócio global bilionário, baseado em franquias, contratos de mídia e licenciamento de marca.

A reportagem do Seu Dinheiro revela como esse modelo opera — e como a edição de 2025, vencida pela mexicana Fátima Bosch, virou sinônimo de revolta, denúncias de fraude e crise de credibilidade.

A seguir, você entende como o concurso ganha dinheiro, quem já comandou a marca (inclusive Donald Trump) e por que as últimas semanas transformaram o Miss Universo em um caso de estudo sobre poder, imagem e escândalo.

O Miss Universo como franquia global de entretenimento

Segundo o Seu Dinheiro, o Miss Universo opera de forma muito parecida com uma rede de fast-food:

  • Cada país paga para licenciar a marca;
  • Esse licenciado tem o direito de organizar o concurso nacional, usar o nome oficial e enviar sua representante;
  • Os contratos proíbem a divulgação dos valores, o que evita comparações diretas entre mercados.

Além das taxas de franquia, o negócio se sustenta em várias fontes de receita:

  • Direitos de transmissão para TVs e plataformas de streaming;
  • Patrocínios globais ligados a moda, beleza e turismo;
  • Venda de ingressos para as etapas presenciais;
  • Licenciamento da marca para produtos (roupas, cosméticos, acessórios);
  • Merchandising e conteúdo digital ligado ao universo do concurso.

Na prática, a coroa é só a ponta do iceberg. O que mantém a máquina girando é um ecossistema de mídia, publicidade e royalties.

De Trump à nova dona: quem controla a coroa?

Por quase 20 anos, entre 1996 e 2015, o Miss Universo teve como um dos donos o então empresário Donald Trump. Ele usou o concurso como peça estratégica para expandir seus negócios e sua imagem, aproveitando a visibilidade internacional para se aproximar de políticos, celebridades e investidores.

Relatos de ex-candidatas apontam que Trump teria:

  • Frequentado bastidores enquanto as misses se trocavam;
  • Influenciado a escolha de finalistas de países que interessavam aos seus negócios ou à audiência do programa;
  • Feito comentários ofensivos e discriminatórios, como mostram diversas matérias de imprensa internacional.

Em 2015, após uma escalada de polêmicas e rompimentos comerciais, Trump vendeu a organização para a IMG, do grupo Endeavor. Anos depois, em 2022, a tailandesa Anne Jakapong Jakrajutatip, por meio do JKN Global Group, comprou o Miss Universo por cerca de US$ 20 milhões

A promessa era de modernização, inclusão e expansão na Ásia. Contudo, a pressão financeira, o endividamento da JKN e as polêmicas mais recentes colocaram essa “nova fase” em xeque.

2025: a vitória de Fátima Bosch e o estouro da crise

O Miss Universo 2025 aconteceu na Tailândia e coroou a mexicana Fátima Bosch. Mas, em vez de comemoração, o resultado abriu uma tempestade de críticas.

  • Renúncia de jurado às vésperas da final;
  • Acusações de fraude e manipulação de resultado;
  • Brigas públicas envolvendo organizadores e candidatas;
  • Questionamentos sobre a relação entre negócios e escolha da campeã.

O pianista Omar Harfouch, ex-jurado, renunciou ao posto e afirmou que a vitória de Bosch já estava decidida antes da final. Ele chegou a chamar a Miss México de “falsa vencedora” em entrevistas e publicações nas redes sociais

Enquanto isso, reportagens da Gazeta do Povo explicam que parte da suspeita recai sobre um contrato milionário da petroleira mexicana Pemex com uma empresa ligada a Raúl Rocha Cantú, presidente do Miss Universo, firmado pouco antes de ele comprar participação na organização — e antes da vitória de Fátima, cujo pai trabalha na estatal.

Até agora, não há provas de que a miss tenha interferido no processo. Porém, a sucessão de coincidências alimenta a narrativa de que negócios em bastidores e decisões de palco caminham juntos.

Donos na mira da Justiça e coroas ameaçadas

Enquanto a credibilidade do resultado é questionada, o topo da cadeia também entrou em colapso.

Nos últimos dias, a imprensa internacional reportou que Raúl Rocha Cantú, presidente e um dos principais acionistas da organização, enfrenta acusações de tráfico de drogas, armas e combustível, além de envolvimento com crime organizado no México.

Ao mesmo tempo, a co-dona Anne Jakrajutatip enfrenta um mandado de prisão na Tailândia por suposto caso de fraude, ligado a um investidor que a acusa de tê-lo enganado em aplicações na JKN Global Group.

Segundo o jornal britânico The Guardian, ordens de prisão foram emitidas para ambos os co-proprietários poucos dias após o concurso de 2025, mergulhando a marca em uma crise sem precedentes.

Ainda faz sentido o Miss Universo em 2025?

Apesar da queda de audiência em alguns países, o Miss Universo ainda é um ativo valioso:

  • mantém presença em mais de cem mercados, via franquias;
  • entrega visibilidade global a patrocinadores;
  • gera contratos, aparições e empregos na indústria da beleza e do entretenimento.

Para as candidatas, a coroa segue representando acesso a renda, viagens, contratos e status.

Por outro lado, a sucessão de denúncias — de fraude, humilhação pública, tráfico e corrupção — faz crescer a sensação de que o Miss Universo vive uma crise existencial: não se sabe se ele é símbolo de empoderamento, peça de marketing ou apenas um negócio que se mantém custe o que custar.

Conclusão: brilho no palco, sombra nos bastidores

O caso revelado pela imprensa internacional mostra que o Miss Universo é, antes de tudo, uma empresa global de franquias — com donos, contratos, dívidas, investigações e interesses muito maiores que a faixa “Miss Universo 2025”.

Enquanto candidatas sonham com oportunidades, o público acompanha um enredo que mistura glamour, política, negócios obscuros e Justiça.

Se você quer continuar por dentro de como dinheiro, poder e imagem se cruzam em grandes eventos globais, vale seguir acompanhando as próximas análises aqui no Brasilvest — onde a notícia não para na superfície do palco.

Perguntas Frequentes (FAQ)

O Miss Universo é mesmo um modelo de franquia?

Sim. Cada país interessado paga para licenciar a marca Miss Universo e organizar seu concurso nacional. Essa taxa dá direito a usar oficialmente o nome, enviar a candidata à etapa mundial e explorar comercialmente o evento local.

Donald Trump ainda é dono do Miss Universo?

Não. Trump foi dono da organização entre 1996 e 2015, mas vendeu o negócio para a IMG, do grupo Endeavor. Em 2022, a tailandesa Anne Jakapong Jakrajutatip, via JKN Global Group, comprou o Miss Universo por cerca de US$ 20 milhões.

O que exatamente foi a polêmica do Miss Universo 2025?

A edição de 2025 foi marcada por denúncias de fraude, renúncia de jurados, críticas públicas à organização e suspeitas de que o resultado já estaria combinado antes da final. O jurado Omar Harfouch deixou o júri e chamou Fátima Bosch de “falsa vencedora”.

Os donos do Miss Universo realmente enfrentam processos?

Sim. Reportagens mostram que Raúl Rocha Cantú responde a acusações de tráfico de drogas, armas e combustível no México, enquanto Anne Jakrajutatip enfrenta um mandado de prisão na Tailândia por suposta fraude ligada à JKN Global Group.

A vitória de Fátima Bosch pode ser anulada?

Até o momento, não há anúncio oficial de anulação. Existem denúncias, investigações jornalísticas e forte pressão pública, mas nenhuma decisão formal da organização sobre reverter o resultado foi divulgada. A própria Bosch nega qualquer envolvimento em irregularidades e afirma que continuará a cumprir suas funções.

O Miss Universo ainda tem futuro após tantos escândalos?

O formato continua financeiramente relevante por causa das franquias, da audiência internacional e dos contratos de publicidade. Porém, a combinação de queda de credibilidade, investigações criminais e polêmicas internas pressiona a organização a se reformular. Sem mudanças estruturais, o risco é que o público veja cada vez mais o concurso como um produto em decadência — e não como um símbolo de relevância cultural.

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