Por trás dos vestidos de gala, das coroas brilhantes e do discurso sobre empoderamento, o Miss Universo funciona como um negócio global bilionário, baseado em franquias, contratos de mídia e licenciamento de marca.
A reportagem do Seu Dinheiro revela como esse modelo opera — e como a edição de 2025, vencida pela mexicana Fátima Bosch, virou sinônimo de revolta, denúncias de fraude e crise de credibilidade.
A seguir, você entende como o concurso ganha dinheiro, quem já comandou a marca (inclusive Donald Trump) e por que as últimas semanas transformaram o Miss Universo em um caso de estudo sobre poder, imagem e escândalo.
O Miss Universo como franquia global de entretenimento
Segundo o Seu Dinheiro, o Miss Universo opera de forma muito parecida com uma rede de fast-food:
- Cada país paga para licenciar a marca;
- Esse licenciado tem o direito de organizar o concurso nacional, usar o nome oficial e enviar sua representante;
- Os contratos proíbem a divulgação dos valores, o que evita comparações diretas entre mercados.
Além das taxas de franquia, o negócio se sustenta em várias fontes de receita:
- Direitos de transmissão para TVs e plataformas de streaming;
- Patrocínios globais ligados a moda, beleza e turismo;
- Venda de ingressos para as etapas presenciais;
- Licenciamento da marca para produtos (roupas, cosméticos, acessórios);
- Merchandising e conteúdo digital ligado ao universo do concurso.
Na prática, a coroa é só a ponta do iceberg. O que mantém a máquina girando é um ecossistema de mídia, publicidade e royalties.
De Trump à nova dona: quem controla a coroa?
Por quase 20 anos, entre 1996 e 2015, o Miss Universo teve como um dos donos o então empresário Donald Trump. Ele usou o concurso como peça estratégica para expandir seus negócios e sua imagem, aproveitando a visibilidade internacional para se aproximar de políticos, celebridades e investidores.
Relatos de ex-candidatas apontam que Trump teria:
- Frequentado bastidores enquanto as misses se trocavam;
- Influenciado a escolha de finalistas de países que interessavam aos seus negócios ou à audiência do programa;
- Feito comentários ofensivos e discriminatórios, como mostram diversas matérias de imprensa internacional.
Em 2015, após uma escalada de polêmicas e rompimentos comerciais, Trump vendeu a organização para a IMG, do grupo Endeavor. Anos depois, em 2022, a tailandesa Anne Jakapong Jakrajutatip, por meio do JKN Global Group, comprou o Miss Universo por cerca de US$ 20 milhões
A promessa era de modernização, inclusão e expansão na Ásia. Contudo, a pressão financeira, o endividamento da JKN e as polêmicas mais recentes colocaram essa “nova fase” em xeque.
2025: a vitória de Fátima Bosch e o estouro da crise
O Miss Universo 2025 aconteceu na Tailândia e coroou a mexicana Fátima Bosch. Mas, em vez de comemoração, o resultado abriu uma tempestade de críticas.
- Renúncia de jurado às vésperas da final;
- Acusações de fraude e manipulação de resultado;
- Brigas públicas envolvendo organizadores e candidatas;
- Questionamentos sobre a relação entre negócios e escolha da campeã.
O pianista Omar Harfouch, ex-jurado, renunciou ao posto e afirmou que a vitória de Bosch já estava decidida antes da final. Ele chegou a chamar a Miss México de “falsa vencedora” em entrevistas e publicações nas redes sociais
Enquanto isso, reportagens da Gazeta do Povo explicam que parte da suspeita recai sobre um contrato milionário da petroleira mexicana Pemex com uma empresa ligada a Raúl Rocha Cantú, presidente do Miss Universo, firmado pouco antes de ele comprar participação na organização — e antes da vitória de Fátima, cujo pai trabalha na estatal.
Até agora, não há provas de que a miss tenha interferido no processo. Porém, a sucessão de coincidências alimenta a narrativa de que negócios em bastidores e decisões de palco caminham juntos.
Donos na mira da Justiça e coroas ameaçadas
Enquanto a credibilidade do resultado é questionada, o topo da cadeia também entrou em colapso.
Nos últimos dias, a imprensa internacional reportou que Raúl Rocha Cantú, presidente e um dos principais acionistas da organização, enfrenta acusações de tráfico de drogas, armas e combustível, além de envolvimento com crime organizado no México.
Ao mesmo tempo, a co-dona Anne Jakrajutatip enfrenta um mandado de prisão na Tailândia por suposto caso de fraude, ligado a um investidor que a acusa de tê-lo enganado em aplicações na JKN Global Group.
Segundo o jornal britânico The Guardian, ordens de prisão foram emitidas para ambos os co-proprietários poucos dias após o concurso de 2025, mergulhando a marca em uma crise sem precedentes.
Ainda faz sentido o Miss Universo em 2025?
Apesar da queda de audiência em alguns países, o Miss Universo ainda é um ativo valioso:
- mantém presença em mais de cem mercados, via franquias;
- entrega visibilidade global a patrocinadores;
- gera contratos, aparições e empregos na indústria da beleza e do entretenimento.
Para as candidatas, a coroa segue representando acesso a renda, viagens, contratos e status.
Por outro lado, a sucessão de denúncias — de fraude, humilhação pública, tráfico e corrupção — faz crescer a sensação de que o Miss Universo vive uma crise existencial: não se sabe se ele é símbolo de empoderamento, peça de marketing ou apenas um negócio que se mantém custe o que custar.
Conclusão: brilho no palco, sombra nos bastidores
O caso revelado pela imprensa internacional mostra que o Miss Universo é, antes de tudo, uma empresa global de franquias — com donos, contratos, dívidas, investigações e interesses muito maiores que a faixa “Miss Universo 2025”.
Enquanto candidatas sonham com oportunidades, o público acompanha um enredo que mistura glamour, política, negócios obscuros e Justiça.
Se você quer continuar por dentro de como dinheiro, poder e imagem se cruzam em grandes eventos globais, vale seguir acompanhando as próximas análises aqui no Brasilvest — onde a notícia não para na superfície do palco.
Perguntas Frequentes (FAQ)
O Miss Universo é mesmo um modelo de franquia?
Sim. Cada país interessado paga para licenciar a marca Miss Universo e organizar seu concurso nacional. Essa taxa dá direito a usar oficialmente o nome, enviar a candidata à etapa mundial e explorar comercialmente o evento local.
Donald Trump ainda é dono do Miss Universo?
Não. Trump foi dono da organização entre 1996 e 2015, mas vendeu o negócio para a IMG, do grupo Endeavor. Em 2022, a tailandesa Anne Jakapong Jakrajutatip, via JKN Global Group, comprou o Miss Universo por cerca de US$ 20 milhões.
O que exatamente foi a polêmica do Miss Universo 2025?
A edição de 2025 foi marcada por denúncias de fraude, renúncia de jurados, críticas públicas à organização e suspeitas de que o resultado já estaria combinado antes da final. O jurado Omar Harfouch deixou o júri e chamou Fátima Bosch de “falsa vencedora”.
Os donos do Miss Universo realmente enfrentam processos?
Sim. Reportagens mostram que Raúl Rocha Cantú responde a acusações de tráfico de drogas, armas e combustível no México, enquanto Anne Jakrajutatip enfrenta um mandado de prisão na Tailândia por suposta fraude ligada à JKN Global Group.
A vitória de Fátima Bosch pode ser anulada?
Até o momento, não há anúncio oficial de anulação. Existem denúncias, investigações jornalísticas e forte pressão pública, mas nenhuma decisão formal da organização sobre reverter o resultado foi divulgada. A própria Bosch nega qualquer envolvimento em irregularidades e afirma que continuará a cumprir suas funções.
O Miss Universo ainda tem futuro após tantos escândalos?
O formato continua financeiramente relevante por causa das franquias, da audiência internacional e dos contratos de publicidade. Porém, a combinação de queda de credibilidade, investigações criminais e polêmicas internas pressiona a organização a se reformular. Sem mudanças estruturais, o risco é que o público veja cada vez mais o concurso como um produto em decadência — e não como um símbolo de relevância cultural.









