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quinta-feira, janeiro 1, 2026
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Copasa acelera privatização, troca comando e prepara tarifa maior antes da venda

A privatização da Copasa (CSMG3) entrou em uma fase decisiva. Nas últimas semanas, o governo de Minas Gerais avançou em três frentes estratégicas para destravar o processo: mudança no comando da companhia, sanção da lei que autoriza a venda e aprovação de um novo modelo tarifário com reajuste acima da inflação.

O plano do governador Romeu Zema é claro e tem prazo definido. A intenção é concluir a venda da estatal até março de 2026, com expectativa de arrecadar até R$ 10 bilhões. O movimento é visto como uma das maiores operações de desestatização já realizadas no estado.

Troca na presidência reforça foco na privatização

A presidência da Copasa passou a ser ocupada por Marília Carvalho de Melo, que deixou o comando da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável para assumir a missão mais sensível do processo: liderar a privatização da empresa.

Ela substituiu Fernando Passalio, que estava no cargo desde março e era visto internamente como alguém que seguiria até o fim do processo. A troca surpreendeu parte do mercado, mas foi interpretada como um movimento técnico e estratégico.

Com formação em engenharia civil e doutorado em recursos hídricos, Marília é considerada uma especialista em saneamento e gestão hídrica. Desde 2020, já atuava diretamente em políticas ligadas ao setor no governo mineiro, o que pesou na decisão de Zema.

Lei sancionada autoriza venda e muda estrutura da empresa

No mesmo período da troca de comando, o governador sancionou a lei estadual que autoriza a privatização da Copasa. O texto permite que o estado deixe o controle da empresa por meio da venda de ações ou aumento de capital com diluição da participação estatal.

Mesmo mantendo uma golden share, que garante poder de veto em decisões estratégicas, Minas Gerais deixará de ser o acionista controlador. A empresa passará a operar como uma corporation, sem um dono definido.

A legislação também prevê salvaguardas importantes, como metas de universalização do saneamento, limites de poder de voto para acionistas e a preservação dos contratos de trabalho por até 18 meses após a venda.

Revisão tarifária acima da inflação entra em vigor em 2026

Outro ponto-chave para tornar a empresa mais atrativa aos investidores foi a aprovação da revisão tarifária. A Arsae-MG autorizou um reajuste médio de 6,56%, que começa a valer em janeiro de 2026.

Diferente dos anos anteriores, o novo modelo não se limita a corrigir a inflação. A proposta reconstrói a base tarifária levando em conta sustentabilidade financeira e capacidade de investimento, algo considerado essencial para o sucesso da privatização.

Especialistas avaliam que, sem essa revisão mais robusta, o interesse do mercado seria significativamente menor.

Renovação de contratos com municípios vira peça-chave

Outro desafio importante está na renovação dos contratos com os municípios atendidos. Hoje, a Copasa atua em mais de 600 cidades, com prazos variados de concessão.

A estratégia é renovar esses contratos até 2073, aumentando previsibilidade de receitas e reduzindo riscos para futuros acionistas. Um passo decisivo já foi dado com Belo Horizonte, responsável por cerca de 30% do faturamento da companhia, que assinou um protocolo vinculante de renovação.

As negociações envolvem ajustes contratuais previstos no Novo Marco do Saneamento, inclusive com alterações antecipadas de cláusulas.

Mercado reage e ações sobem com anúncios

O mercado financeiro reagiu rapidamente aos anúncios. As ações da Copasa (CSMG3) chegaram a subir 2,5% no dia das divulgações e seguem próximas dos R$ 43, refletindo a expectativa positiva com o avanço da privatização.

Com cobertura de água próxima de 99% e tratamento de esgoto em cerca de 78%, a empresa ainda tem espaço relevante para crescimento, principalmente com investimentos privados.

Para entender como esse processo pode impactar investidores, tarifas e o setor de saneamento, continue navegando pelo Brasilvest.

Perguntas Frequentes (FAQs)

Quando a Copasa deve ser privatizada?

O governo de Minas pretende concluir a venda até março de 2026.

A Copasa deixará de ser estatal completamente?

O estado perderá o controle, mas manterá uma golden share com poder de veto.

As tarifas vão aumentar com a privatização?

Já foi aprovado um reajuste médio de 6,56% a partir de janeiro de 2026.

O que muda com o modelo de corporation?

A empresa passa a não ter um controlador definido, aumentando a atratividade para investidores.

As ações da Copasa reagiram ao anúncio?

Sim. Os papéis subiram após os anúncios e seguem próximos de R$ 43.

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