A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) pode ocorrer em janeiro com duas das nove diretorias do Banco Central vagas, segundo informações confirmadas pela Reuters e publicadas pelo Money Times. Essa configuração, embora rara, já acende alertas no mercado financeiro, que acompanha com atenção cada movimento antes da decisão sobre a taxa Selic.
Por que o Copom terá cadeiras vazias?
Os mandatos de Diogo Guillen, diretor de Política Econômica, e Renato Gomes, diretor de Organização do Sistema Financeiro, terminam em dezembro. Como revelou a Reuters na apuração do Money Times, ambos devem deixar os cargos imediatamente após o fim de seus mandatos, mesmo com a possibilidade de permanecerem interinamente.
Além disso, o governo não pretende enviar os novos nomes ao Senado ainda em 2024. Portanto, as nomeações devem ocorrer apenas em 2026, o que cria um período de transição delicado dentro do BC.
Essa estrutura reduzida marca um momento incomum. Segundo o levantamento citado pela Reuters, seria a primeira vez desde 1998 que uma reunião do Copom acontece com duas ausências simultâneas.
Impacto direto nas decisões sobre juros
A composição incompleta pode afetar discussões e votos no colegiado. E isso acontece justamente em uma fase sensível da política monetária. O mercado acompanha com preocupação porque qualquer mudança no ritmo das decisões pode alterar projeções econômicas, expectativas de inflação e curvas futuras de juros.
Ao mesmo tempo, a ausência de dois diretores aumenta o peso político sobre o Copom. Hoje, todos os demais integrantes foram nomeados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Dessa forma, o mercado avalia se isso pode influenciar a visão majoritária dentro do BC.
A discussão ganha relevância porque o cenário atual já está pressionado por expectativas divergentes sobre os próximos passos da Selic. Em análises recentes, casas como XP, BTG Pactual e Itaú têm enfatizado que qualquer ruído institucional tende a elevar a volatilidade das projeções.
O que esperar da Selic em janeiro?
Economistas acreditam que o Copom pode optar pela manutenção da Selic na reunião de 27 e 28 de janeiro. No entanto, há quem defenda um recuo apenas em março, quando as novas indicações devem estar encaminhadas — ou já aprovadas — pelo Senado.
Enquanto isso, dados recentes de inflação reforçam a cautela. Relatórios do G1 e análises do Valor Econômico mostram que o mercado ainda projeta um comportamento pressionado de preços administrados e alimentos, o que reduz a margem para cortes imediatos.
Risco de atrasos nas próximas reuniões
Se as nomeações demorarem, o BC pode enfrentar outras reuniões incompletas. Esse cenário, embora permitido pelo regimento, não é considerado ideal para decisões de grande impacto macroeconômico.
Portanto, as próximas semanas serão decisivas. Caso o governo sinalize os nomes antes do recesso, mesmo sem enviá-los ao Senado, o mercado pode reagir com algum alívio. Caso contrário, permanece a incerteza.
Conclusão
A reunião do Copom em janeiro será determinante para definir o tom da política monetária em 2026. Com duas diretorias vagas, as discussões internas ganham peso, e o mercado segue dividido sobre os próximos passos da Selic. Continue acompanhando no Brasilvest para não perder nenhum movimento que pode afetar os juros, o crédito e todo o cenário econômico.
Perguntas Frequentes (FAQ)
As cadeiras vagas podem atrasar decisões sobre a Selic?
Sim. A ausência de dois diretores reduz o colegiado e pode levar o Copom a adotar posições mais conservadoras, inclusive adiando cortes.
Por que o governo não enviou os nomes ainda em 2024?
Segundo a apuração da Reuters, o Executivo só pretende formalizar as indicações em 2026, após ajustes internos e alinhamento político.
Quem assume as funções dos diretores até a nomeação?
Diretores já em exercício podem assumir interinamente, garantindo a operação do BC, embora reduzam a pluralidade de visões.
A situação já ocorreu antes?
Não com duas vagas simultâneas. Desde 1998, o Copom nunca funcionou com duas ausências na diretoria.









